ABI celebra Consciência Negra com entrevistas diárias no Youtube


Antonio Werneck e Marcos Gomes
16/11/2022

São relatos de luta contra o preconceito e de busca por igualdade e representatividade

Varrido por uma tsunami de extrema direita, o país assistiu estarrecido o aumento nos casos de racismo explícito nos últimos quatro anos. Embalados em discurso de ódio, intolerância e homofobia, os ataques atingiram todas as áreas da sociedade; ricos e pobres. Nos estádios, nem os heróis do futebol escaparam: foram chamados de macacos. Se os craques esperavam aplausos na hora do gol da arquibancada, receberam bananas atiradas no gramado por criminosos uniformizados.

Nunca na história brasileira houve tantos relatos de racismo. Em comum, todas as vítimas eram pretas ou, como constatam Caetano Veloso e Gilberto Gil na música, “pretos, pobres e mulatos, e quase brancos, quase pretos de tão pobres são tratados”. Para o racista ninguém é cidadão.

Se o preconceito revelou seu rosto, por outro lado o sistema de freios e contrapesos da sociedade funcionou: os casos passaram a ser denunciados com frequência. Os racistas foram expostos, filmados, fotografados e muitos levados à prisão. Uma batalha travada em campo minado que está muito longe de acabar. Na trincheira da resistência, no combate corpo a corpo diário, estão pretos e pretas de diferentes classes sociais. Gente que decidiu ser “a contramola que resiste, no centro da própria engrenagem”. Ou seria o inverso?

Não importa: a resistência preta tem crescido, entrado no ônibus e sentado na janela. É com esse grupo de diferentes ocupações e gerações que a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) conversa a partir da próxima segunda-feira, dia 14 de novembro, sempre às 10h, em 11 programas diários que serão transmitidos na ABI TV no Youtube.

A série de entrevistas, apresentada pelos jornalistas Marcos Gomes e Luís Paulo Lima, foi produzida pela Comissão de Igualdade Étnico-Racial da ABI para marcar o mês da Consciência Negra.

É mais ou menos assim: os entrevistados, cada um no seu quadrado, formam uma grande rede que tem se conectado nos últimos anos. Como os jornalistas Aline Aguiar, Saulo Guimarães, Amanda Santos, Gilberto Porcidonio, Tiago Rogero, Ariel Bentes e Railton Teixeira. Com uma ideia na cabeça, uma caneta e um bloquinho na mão, essa turma explica como é importante contar histórias que uma parcela da população quer varridas para baixo do tapete.

No dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, o programa será especial: a ABI conversa com o editor Fábio Garcia e a jornalista Estaphani Zavarise. Na entrevista, os dois falam da trajetória do jornalista negro e fundador da ABI, Gustavo de Lacerda.

Ao todo, a Comissão de Igualdade Étnico-Racial reuniu um time de bambas: há comunicadores populares das periferias de Manaus, Maceió, Belém do Pará, Belo Horizonte e Rio de Janeiro; jornalistas da nova geração e velhos lobos da imprensa; professores, cientistas políticos e advogados.

São relatos de vida, de luta contra o preconceito. De busca por igualdade, representatividade e respeito. Todos de mãos dadas, unidos, mas com a primavera nos dentes.

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