“Viva o SUS!”

*Por Weverton Rocha

No Brasil, 7 em cada 10 pessoas dependem exclusivamente do SUS para ter acesso a tratamento. É o que diz o IBGE. Esse dado revela a importância da garantia da assistência pública e universal de saúde, implantada há 30 anos no nosso país. O sistema “padece de vicissitudes”, como diz o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga? Sim, padece, mas isso não é resultado do modelo e sim da falta de investimento sistemática, com cortes sucessivos no orçamento da saúde. A solução é fortalecer o SUS.

Muitos hospitais de fato estão desaparelhados, há falta de profissionais e até de medicamentos e insumos. A população reclama, com razão, que há demora no atendimento e longas esperas por marcação de consultas. Mas ainda assim, com todos os problemas e dificuldades, é o SUS que garante o atendimento da maior parte dos brasileiros, pessoas que não tem condição de pagar por um plano de saúde, muito menos por uma internação particular, e até mesmo de pessoas que têm plano de saúde.

Atribuir os maus números da pandemia no Brasil à falta de condições do SUS, como fez o ministro, é não só um equívoco, como uma enorme injustiça. O país registrou até hoje mais de 16 milhões de casos de covid. A grande maioria foi testada, atendida e, quando necessário, tratada em unidades públicas de saúde. Se essas pessoas simplesmente não fossem atendidas por não ter como pagar seria o caos.

Já há algum tempo, venho colocando boa parte dos recursos das minhas emendas parlamentares para a manutenção de unidades básicas de saúde nos municípios, compra de equipamentos e atendimento de média complexidade. Ajudo como posso, porque acredito no sistema e vejo a saúde pública e gratuita como uma grande conquista do Brasil, que durante essa pandemia se mostrou ainda mais acertada e importante.

Se o SUS tivesse sido usado com toda a sua capacidade e com os investimentos necessários, o Brasil teria sido um exemplo mundial de testagem da covid, atendimento básico de pacientes e agora de vacinação. Se não o fez, é porque não recebeu a atenção e os recursos necessários. Pelo contrário, desde 2004 não há reajuste de valores do SUS e para piorar o governo federal optou por congelar o orçamento da saúde, a fim de garantir o pagamento da dívida, e no pior momento da pandemia cortou 72% da verba destinada à manutenção de leitos de UTI.

Ainda assim, com todos esses entraves, o SUS conseguiu salvar muitas vidas. Precisamos reconhecer isso e continuar lutando pelo fortalecimento da saúde pública, com valorização dos profissionais, boa gestão e ampliação de recursos. É um direito constitucional dos brasileiros, que precisa ser defendido e melhorado cada vez mais. Viva o SUS!

* Weverton Rocha é senador e presidente do PDT no Maranhão.