Último painel do seminário sobre a Petrobrás discutiu a guerra híbrida e papel de Vargas

(por Bruno Ribeiro)

O combate popular contra a vigência da Petrobrás como um dos principais focos de guerras híbridas no Brasil, há mais de 60 anos, permeou o encerramento, nesta quarta-feira (5), do seminário virtual “Legados Trabalhistas” do PDT e da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP).

Mediado pelo secretário-geral nacional do partido e presidente da FLB-AP, Manoel Dias, o terceiro painel do evento organizado pelo Centro de Memória Trabalhista (CMT) contou com as intervenções do ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, Celso Amorim, do presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Pedro Pinho, e do jornalista Beto Almeida.  Para Dias, o país tem, na sua história, diversos exemplos de intervenções, inclusive de países da centralidade do poder mundial, para explorar setores estratégicos e vulneráveis de modo não-convencional.

Desde o governo trabalhista de Getúlio Vargas em 1930, quando foi processada a política nacionalista do petróleo, sucessivos ataques, segundo o pedetista catarinense, marcaram afrontas à soberania por meio de um alvo: a maior companhia nacional.

“Criada em 1953, a Petrobrás fomentou a luta travada, desde a campanha do ‘O petróleo é nosso”, contra a entrada do capital estrangeiro e a consequente defesa dos interesses da nação”, salientou, em um paralelo com o ex-presidente da República, João Goulart, que foi deposto por um golpe militar, em 1964, fomentado pelos Estados Unidos em um projeto de desestabilização do governo.

“Agora, esse governo [de Jair Bolsonaro] tenta diluir as empresas estatais para entrega, quase que uma doação, dos ativos. Contrariando, assim, o grande interesse da população brasileira”, acrescentou, em referência ao plano de desinvestimento executado pelo governo federal há dois anos.

O pedetista projeta que a saída passa pela mobilização progressista por um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento que recoloque a nacionalidade e a soberania nos patamares prioritários.

“Essa é a essência do trabalhismo, que sustenta as bandeiras das causas populares na luta por uma nação mais justa, igual e democrática”, garantiu.

Ao afirmar que não existe uma “visão de Brasil” em Bolsonaro, Celso Amorim relata uma antítese entre a gestão federal atual e a Era Vargas, além da dificuldade para reparação dos danos acumulados pelas privatizações.

“Essa herança que vem do Getúlio, se expande com Celso Furtado, pelos projetos de desenvolvimento. Projetos de Brasil que você poderia discordar de uns e concordar com outros. O que a gente sente, hoje, é uma total ausência disso, sobretudo nas pessoas que estão no atual governo”, relatou, ao homenagear Leonel Brizola após a menção à “Campanha da Legalidade”.

“A exploração soberana do petróleo é, sem dúvida alguma, umas das razões pelas quais a guerra híbrida se desencadeou contra a Petrobrás, que já havia [outras], mas também contra um projeto progressista, no Brasil, de uma maneira mais ampla”, complementou, diante do contexto diplomático e militar.

Pedro Pinho mostrou que o interesse sobre a companhia é, portanto, proporcionalmente vinculado ao tamanho do capital financeiro, político e tecnológico desenvolvido pelo corpo técnico, que culminou na descoberta do pré-sal há quase duas décadas.

“O poder que está na Petrobrás é o poder da soberania e do desenvolvimento nacional. É a geração de energia que a Petrobrás domina a tecnologia. Tem a capacidade de trazer para esse país o que é fundamental para desenvolver qualquer país”, explica, listando o distanciando dos índices alcançados por nações desenvolvidas no quesito de consumo de energia per capita.

À luz dos tempos atuais, Beto Almeida destrincha a movimentação de forças contra o domínio construído pela estatal no setor energético mundial. Como contraponto, ele cita a propagação da Operação Lava Jato.

“Nada mais é do que uma guerra política, combinando fatores de guerra híbrida com operação geopolítica, judiciais, midiáticas e manipulação de parlamento levassem a um golpe em 2016”, evidenciou.

(por Bruno Ribeiro)

Veja a íntegra da discussão: