Trabalhistas enaltecem Brizola nos 60 anos da Legalidade

Movimento  marcoua história do Brasil ao impedir o golpe militar

Em exaltação ao compromisso cívico e ideológico de Leonel Brizola no levante democrático contra o golpe militar no Brasil, em 1961, lideranças trabalhistas participaram, nesta terça-feira (31), do painel de encerramento do “Seminário Campanha da Legalidade”. O evento virtual foi realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e contou com o apoio do PDT e da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP).

Carlos Lupi, presidente nacional do partido, fomentou, logo na abertura, a contribuição do então governador gaúcho para garantir, há 60 anos, a posse do vice-presidente João Goulart no cargo de presidente da República, diante da renúncia de Jânio Quadros.

“A Legalidade é ímpar. Nada substituirá na história republicana brasileira. Foi a única página em que a sociedade civil impediu o golpe. […] Brizola, eleito governador do Rio Grande do Sul, e a mobilização que ele fez com uma simples cadeia de rádios nos porões do Palácio Piratini”, destacou, durante a mediação do advogado Ben-Hur Rava.

“Esse levante mexeu com a sociedade brasileira. É muito importante como marco. O povo tem que ter [consciência] da sua própria história. […] Nós a abraçamos”, completou, colocando esse legado como guia para o impulsionar o combate ao bolsonarismo e suas ambições antidemocráticas.

Vice-presidente nacional do PDT e presidenta da Ação da Mulher Trabalhista (AMT), Miguelina Vecchio relatou o engajamento das mulheres, com destaque para Neusa Brizola, no “maior movimento civil de resistência” do país.

“Nesse processo, muitas mulheres com papel fundamental. Vamos começar pela própria Neusa Brizola. Não dá para apagar o fato de que, além de mulher do Brizola, ela era irmã do Jango (João Goulart). Não se sujeitou a ficar fora do processo de luta e foi ficar com ele”, contou.

Para o secretário-geral nacional do partido e presidente da FLB-AP, Manoel Dias, a Legalidade uniu a nação em prol dos princípios democráticos.

“Um representante, ainda emergente, conseguiu emocionar a nação inteira. A partir de uma emissora de rádio apenas, ele conseguiu levantar o Brasil para reagir a um golpe que já havia sido deferido”, contextualizou, em um paralelo com o atentado concretizado, três anos depois, pelas Forças Armadas.

“O momento atual reforça a necessidade de análise da Campanha. O Brasil vive, hoje, uma realidade trágica com um presidente [Bolsonaro] totalmente despreparado. É um ignorante”, comentou.

Membros do Diretório Nacional do partido, os advogados Trajano Ribeiro e Christopher Goulart, mencionaram a competência de Brizola na organização de um efetivo resistente, principalmente, no perímetro do Piratini, bem como de João Goulart na defesa conjunta dos princípios do Trabalhismo.

“Há de se destacar, nesse episódio, a capacidade militar de comando de Brizola. Ele passou a ligar imediatamente para todos os comandantes do Rio Grande do Sul e a chamá-los para resistir ao golpe projetado pelos ministros militares”, recordou Trajano, que já fazia parte do movimento estudantil na época.

“Jango, com a pouca idade que tinha, já representava o varguismo e o idealismo do nacional-desenvolvimentismo. […] Ele compreendia muito bem a carência do país e essa era a vocação dele. Aprendeu isso com Getúlio Vargas”, acrescentou Christopher, neto do ex-presidente.

(por Bruno Ribeiro)