‘Trabalhismo na História’ entrevista Flávio Torres, ex-senador do PDT do Ceará

No Trabalhismo na História, ex-senador e físico relembrou o convívio com Brizola e Darcy Ribeiro

*Por Bruno Ribeiro / FLB-AP

Uma vida dedicada ao PDT do Ceará. Com fala serena e posições firmes, o presidente de honra do partido e ex-senador, Flávio Torres, participou do ‘Trabalhismo na História’ com um resgate de momentos vividos ao lado de membros marcantes da história nacional, incluindo Leonel Brizola e Darcy Ribeiro.

Físico e professor com militância em prol do meio ambiente, o cearense fez questão de exaltar, no programa do Centro de Memória Trabalhista (CMT), suas origens e a enaltecer o que foi construído pelos pedetistas desde a capital, Fortaleza, até as mais pequenas cidades do interior do estado. E tudo começou por dois fatores catalisadores: “Amizade com Darcy e admiração ao Brizola.”

A proximidade com ambos resultou em opiniões e passagens únicas, pois atestaram, em mais de 40 anos, a transição de um regime militar para a abertura democrática brasileira, a perda do PTB original, a criação do PDT, as disputas eleitorais e a formação de quadros comprometidos.

“O Brizola foi o líder nacional que mais teve coragem e que os militares nunca perdoaram”, garantiu, perante a contínua mobilização cearense a partir do exercício político.

“Quando Brizola perdeu o PTB e resolveu inventar o PDT, muita gente desacreditou. Aliás, todos os políticos do Ceará. Não ficou nenhum. E sobrou eu”, afirmou. “Nunca recebemos dinheiro e nem o partido tinha. Fizemos com o nosso esforço”, acrescentou.

Por Darcy, sobressaiu um carinho especial. Foram lembranças de uma amizade que perdurou até os últimos dias de vida do antropólogo, que faleceu, vítima de câncer, em 17 de fevereiro de 1997.

“O discurso inaugural do Darcy Ribeiro (no Senado) foi, durante muito tempo, o meu livro de cabeceira. É uma coisa que lendo, você se fortalece”, relata emocionado, ainda mencionando o projeto dos Cieps, na década de 80: “O Brasil não tem saída se não educar seu povo. Isso era uma coisa que o Brizola martelava, meio no deserto sozinho, e diziam que escola de tempo integral era cara”.

Por isso, indica que sempre existiu, em Darcy, uma “intimidade com o Brasil” e um pensamento resolutivo para pautas de interesse popular.

“Intelectualmente, um homem completo. Faz muita falta”, pontuou, diante, inclusive, do convívio no Congresso Nacional, apesar de atuarem em legislaturas diferentes. Como suplente, Flávio exerceu seu mandato, em 2009, por quatro meses.

Representações

Ao falar de lideranças nacionais contemporâneas, elogiou a capacidade e suporte do presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, classificou o vice-presidente nacional, Ciro Gomes, como preparado e valorizou a história do líder da Oposição na Câmara, deputado federal André Figueiredo.

“(Lupi) É uma pessoa que viaja muito e dá muita assistência aos estados. Está muito presente”, descreveu, citando sua convivência desde a formação do partido, até os dias atuais.

Para avaliar Ciro, o ex-senador aponta a preparação do ex-governador para tratar de questões políticas e econômicas, por exemplo, além de contar com um discurso “adequado para o Brasil”.

Sobre a trajetória de André Figueiredo, Flávio Torres descreve o caminho escolhido desde muito jovem, que foi baseado nos princípios trabalhistas.

“O André, foi de certa forma, minha cria. Ele veio da universidade, do diretório de Economia, e se aproximou do PDT por uma questão ideológica a partir da leitura sobre Brizola e sobre 1961 (Campanha da Legalidade). E veio para a Juventude Socialista”, relembra.

“O André é um menino que tem uma disposição de viagem, de trabalho, como eu nunca vi nenhum presidente do PDT aqui – e nem eu. Ele tem uma capacidade estupenda”, afirma, ao completar: “Ele é fiel, tem muito valor.”

Acompanhe a nova edição, na íntegra: https://youtu.be/dP3i1N_A_rU

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