‘Trabalhismo é a saída’ discute a retomada do desenvolvimento

Em seminário, acadêmicos abordaram bases do plano de governo do presidenciável do PDT, Ciro Gomes

*Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ

A Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) do Rio de Janeiro promoveu um debate sobre a promoção de projeto nacional que permita a retomada do desenvolvimento a partir do fomento à reindustrialização e ao conhecimento. A pauta integrou, nesta segunda-feira (7), o quinto painel do seminário “O Trabalhismo é a saída: respostas para a crise brasileira”.

Abordando conceitos defendidos pelo presidenciável do PDT, Ciro Gomes, em seu plano de governo, o encontro contou com as participações do presidente do Instituto da Brasilidade, Darc Costa, do diretor-executivo da Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (COPPETEC), Fernando Peregrino, e da professora da UERJ Christiane Laidler.

Na abertura, Darc Costa abordou a necessidade de considerar pontos essenciais para alcançar uma mudança conjuntural. Entre eles, a valorização da educação, indústria, conhecimento, relações de trabalho e federalismo.

“Para vencer essa crise, temos que unir as forças da nação para preservar a brasilidade. Compromisso com a democracia, soberania, solidariedade, desenvolvimento e sustentabilidade. Essa união construirá a aliança para sustentar esse projeto e criar as condições estruturais’, disse.

As bases produtivas modernas precisam, portanto, ser potencializadas. Para isso, ele defende medidas contundentes, como a revogação do teto de gastos e dos conceitos de superávit fiscal e de câmbio flutuante, que foram praticados nas últimas décadas e mantidos pelo atual presidente da República, Jair Bolsonaro.

Ao abordar a citada perpetuação do neoliberalismo, Christiane Laidler mostrou os impactos nocivos do modelo, na realidade nacional, a partir de decisões oriundas do Ministério da Fazenda.

“O [ministro] Paulo Guedes pode querer enganar a gente dizendo que vai privatizar para atrair investimento. O interesse é se apropriar dos nossos investimentos produtivos. O capitalismo rentista é extremamente predatório”, criticou.

Diante do cenário de desindustrialização precoce e limitada transição para os setores de serviços e inovação, a professora entende que o país carece de políticas estruturadas para voltar a acompanhar nações mais modernas.

“O Brasil, com sua complexidade e população, precisa ter uma maior diversificação econômica. Na pandemia, não conseguimos produzir o básico do serviço de saúde. Isso foi um choque de realidade”, explicou.

Para referendar o cenário apresentado no debate, Fernando Peregrino ponderou que “mais de 50% da exportação brasileira é de baixo valor agregado”. O fato representa, na sua opinião, um “vexame” pela “pauta tão pobre”, pois o país “não se remunera para fazer a educação que o povo merece”.

“O Brasil precisa vender muitos navios de soja para comprar poucos laptops. […] Regrediu à 1945 na participação industrial. Não se trata só de trocar presidente, mas promover políticas públicas”, analisou, ao enaltecer conceitos do economista Celso Furtado.

Perante as ações de Bolsonaro para dizimar a produção científica, Peregrino ponderou que a valorização do ensino representa uma alternativa indispensável para suplantar governos retrógrados.

“Não defendo indústria pela indústria, mas que se use a educação, pesquisa e inovação pelo conhecimento oriundo das universidades estaduais e federais”, afirmou.

Conclusão

No encerramento, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, receberá o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e o economista Eduardo Moreira para fomentar análises em busca da “construção da unidade popular”. O encontro ocorrerá no dia 14 de junho, às 20h.

Cadastro

O seminário continua com inscrições abertas através de um canal exclusivo. Para garantir uma vaga, clique aqui.