“Tempos de luta”, homenagem aos 99 anos de Brizola pelo Movimento Negro do PDT

Por Luiz Augusto Erthal

O jornal TODA PALAVRA homenageia um dos maiores líderes políticos do Brasil, Leonel Brizola, que faria neste dia 22 de janeiro 99 anos se fosse vivo, e reproduz a seguir o filme “Tempos de luta”, de Tabajara Ruas, disponibilizado na internet pelo Movimento Negro do PDT. O filme mostra a trajetória do gaúcho de Carazinho que sucedeu os presidentes Getúlio Vargas e João Goulart – seu cunhado – na liderança e condução do Trabalhismo brasileiro. Dono de uma coragem que só se equiparava à sua própria coerência política, Brizola conquistou ao longo da vida a admiração do povo, o respeito dos adversários honestos e o ódio das elites brasileiras e dos imperialistas estrangeiros.

Apontou o Trabalhismo como o caminho do Brasil para o socialismo; pregou como nenhum outro líder a reforma agrária, o desenvolvimento econômico autônomo e a Educação como chaves para a realização do sonho trabalhista de construção de uma civilização generosa e independente no Hemisfério Sul.

Governador por dois estados, plantou escolas no Rio Grande do Sul, onde construiu 6.300 unidades, e no Rio de Janeiro, estado que governou duas vezes e que viveu, com ele, a experiência revolucionária dos Centros Integrados de Educação Pública – os Cieps, ou Brizolões, como foram apelidados pelo povo -, projeto que foi destruído pelo ódio político e pelo medo que até hoje apavora as nossas elites: a emancipação definitiva do povo brasileiro através da Educação.

Comandante do último levante popular armado do Brasil – a Campanha da Legalidade, que garantiu a posse do então vice-presidente, João Goulart, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, abortando a tentativa dos chefes militares de rasgar a Constituição em 1961, Brizola nunca vacilou e nunca transigiu com os seus princípios e com a defesa inegociável da legalidade democrática.

A coerência o levou, com o golpe de 1964, a amargar um exílio de 15 anos, durante os quais muitas vezes teve que fugir, pulando de país em país, para escapar dos planos de execução dos principais líderes latino-americanos orquestrados pela Operação Côndor, símbolo da covardia dos ditadores adorados por Jair Bolsonaro. A coerência e a intransigência com os seus princípios o impediram, porém, de realizar, a custa de concessões políticas, seu grande desejo: religar o povo brasileiro ao fio da história rompido em 1964.

Suportou a perseguição dos inimigos e – sobretudo nos anos que se seguiram à sua volta ao Brasil, após a Anistia, e até o final da sua vida – a traição de alguns aliados. Mas nunca esmoreceu e tampouco perdeu a esperança.

Entre as muitas das suas metáforas que tive o privilégio de ouvi-lo contar, uma sempre me impressionou por traduzir uma fé inabalável em um processo histórico que, segundo ele, resultaria inevitavelmente na vitória final do povo brasileiro. Era a história da “tora guarda-fogo”. Brizola, com a lembrança apegada aos pampas, dizia que “nós, trabalhistas, somos como o fogo que aquece o gaúcho em seu acampamento. A madrugada fria parece apagar a brasa. Mas”, dizia ele, “há sempre uma tora guarda-fogo que, pela manhã, o peão assopra, atiçando a centelha que existe lá dentro, e rapidamente o fogo levanta novamente”.

Morreu como viveu – íntegro, leal e verdadeiro – e segue, assim como Getúlio Vargas vaticinou para si próprio na Carta Testamento, como uma chama imortal em nossas consciências.

(*) Luiz Augusto Erthal é o editor-chefe do jornal “Toda Palavra”

 

Assista ao filme: