Taxação de livros por Bolsonaro “é a suprema exclusão dos excluídos”, relata Ciro

Governo deseja o fim da isenção fiscal em função do baixo consumo nas camadas mais pobres

A tentativa de taxação de livros pelo governo Bolsonaro, sob o argumento que pobre não consome livros, foi duramente criticada pelo pré-candidato a presidente da República pelo PDT, Ciro Gomes. “É a suprema exclusão dos excluídos”, disse, durante vídeo publicado, nessa quinta-feira (8), nos seus canais oficiais na internet.

O ex-ministro da Fazenda classificou como “absurda” a retirada da isenção fiscal indicada na mais recente proposta bolsonarista contra as camadas mais populares. Incluído pela Receita Federal no pacote da reforma tributária, o item trata da criação da Contribuição de Bens e Serviços (CBS), que geraria uma alíquota de 12% a partir da fusão entre PIS e Cofins.

O órgão vinculado ao ministro da Fazenda, Paulo Guedes, considerou o recorte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2019, do IBGE, que apresenta dados sobre o limitado consumo de livros não didáticos por famílias com renda de até dois salários mínimos. No outro extremo, a análise mostra que a maior parte dos gastos fica restrita às camadas que agregam recursos acima de dez salários mínimos.

“Querem livros só para os ricos. Mesmo pensamento de quando negou a vacina e depois trabalha para sua privatização. O Brasil não pode conviver com isso!”, afirmou, ao contextualizar as informações.

“Seria o mesmo que dizer que vamos aumentar o preço da comida já que só os ricos podem comer bem, das roupas porque o pobre se veste mal e quem vive na extrema pobreza se veste de trapo”, explicou, em alusão ao acesso a produtos essenciais, como de alimentação e vestuário.

Caos determinado

Em uma vinculação à série de crises geradas de forma progressiva em diversos setores e regiões, principalmente no âmbito da pandemia, Ciro acredita que as ações coordenadas representam um “pensamento genocida” de Bolsonaro.

“Começou negando a Covid, depois negou a vacina e, agora, defende a privatização da vacina para que os riscos, e suas empresas, se defendam na frente dos pobres e querendo destruir a essência daquilo que o Brasil tem de mais igualitário: a filosofia do SUS”, avalia.

“Eles pensam que, se é pobre, pode morrer. Se é pobre, não precisa de educação, se é pobre, não precisa de livro. O Brasil não pode conviver com isso”, encerrou.

(por Bruno Ribeiro)

Acompanhe o vídeo, na íntegra, aqui.