Cadê a acessibilidade?

Rio – Faltando pouco mais de um ano para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, vejo que a questão da acessibilidade ainda não entrou efetivamente na agenda governamental. Pior: pouco se fala das Paralimpíadas. Digo isto porque, como vice-presidenta da Comissão da Pessoa com Deficiência da Alerj, já conduzi reuniões com representantes das empresas públicas envolvidas na realização dos eventos. Realizamos audiências públicas na Alerj sobre o tema, e o resultado não foi nem um pouco alentador.

É preciso ter em mente que a realização dos Jogos não se restringe à acessibilidade de equipamentos e das arenas das competições. Deve se pensar ainda no entorno desses locais e na cidade como um todo. As autoridades parecem não se dar conta de que, além dos 4,5 mil atletas paralímpicos, haverá, provavelmente, familiares desses competidores, amigos ou simplesmente pessoas comuns, também com deficiência, que assistirão ao evento e farão turismo no Rio. Estive em quatro Paralimpíadas e asseguro: não estamos preparados.

Cidades como Barcelona, Atlanta, Sidney e Londres passaram no teste da acessibilidade, e fundamentalmente na qualidade do serviço oferecido – este sim, nosso grande pecado. O Rio não conta, por exemplo, com concessões municipais para táxi acessível. Imagine 50 cadeirantes — sendo modesta nos números — desembarcado e tentando sair do Tom Jobim? E os hotéis? Recomendo uma visita ao site do Ministério do Turismo (link “Turismo Acessível”) para constatar a falta de compromisso com a acessibilidade, apesar de leis que existem há quase 20 anos.

Amigos que integram delegações internacionais entraram em contato para demonstrar a preocupação com o atendimento no próprio aeroporto. É comum que o elevador especial fique trancado por uma chave, podendo levar horas de espera. Mas, se sair do Tom Jobim e circular de táxi é uma prova paralímpica, fazer turismo no Rio não é menos problemático. Carecemos de rotas, museus e monumentos preparados. E na hora de comer? Como cinco cadeirantes almoçarão num restaurante carioca? Seria curioso ver isso. Já passamos da hora de dar autonomia para a pessoa com deficiência. Ou nos mexemos ou a medalha que ganharemos será a da vergonha.