Rodrigo se reúne com líderes dos movimentos Negro, Sindical e Comunitário do PDT

Rodrigo incluirá as sugestões dos movimentos do PDT em seu plano de governo

Serafim, do Sindical, foi um dos oradores

Rodrigo Neves – prefeito de Niterói nas duas últimas gestões que precederam Axel Grael –, pré-candidato do PDT ao governo do Rio de Janeiro, reuniu-se ontem (13/9), na sede da Fundação Brizola–Pasqualini, no Centro do Rio, com membros de três importantes movimentos do PDT: Sindical, Negro e Comunitário. Diante das sugestões para seu futuro plano de governo apresentadas por escrito e ao vivo pelas principais lideranças, assumiu o compromisso de incluir todas as propostas “ou praticamente 99% delas” no seu projeto “O Estado do Rio que Queremos”.

“Estamos aqui para construir um plano de trabalho que reflita os nossos sonhos, os nossos projetos e as nossas reivindicações”, argumentou Rodrigo, último orador da reunião em que ouviu mais do que falou, explicando que o seu programa “será resultado do trabalho de todos os meus colaboradores, não de uma pessoa, inclusive cada um de vocês que está aqui”.

Este foi o segundo encontro na Capital com integrantes da estrutura partidária, já que na semana passada Rodrigo se reuniu com dezenas de jovens da Juventude Socialista para apresentar suas ideias sobre seu futuro governo; e, também, ouvir sugestões. Desde julho último, quando o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ao lado de Ciro Gomes, lançou sua pré-candidatura, Rodrigo já visitou 15 cidades do interior fluminense para conversar com integrantes dos diretórios do Partido – com destaque para os municípios-polos de Volta Redonda, Friburgo e Campos dos Goytacazes – e também representantes da sociedade civil convidados.

A reunião desta segunda foi conduzida pelo secretário-geral do PDT-RJ, Ismael Lisboa, juntamente com o presidente do diretório municipal do PDT da Capital, Augusto Ribeiro, que passaram a palavra em primeiro lugar aos representantes destes três movimentos. Também estiveram presentes os deputados Chico D’Ângelo, federal; e Martha Rocha, estadual, que falaram sobre os temas pertinentes. E também o vereador Binho, de Niterói.

MOVIMENTOS

Todos os movimentos, através de seus líderes, fizeram relatos sobre as sugestões encaminhadas por escrito ao pré-candidato. Cida e José Nilton, do Movimento Comunitário, explicaram que o MCT ouvira representações de diversos municípios (entregaram a lista a Rodrigo). As principais sugestões tratavam de Educação (retorno do programa dos CIEPs); investimentos na recuperação de ramais ferroviários que atendem à Baixada Fluminense; programa de habitação popular; e criação de bilhete único para todo o Estado.

Sobre a segurança pública, Anderson, do movimento comunitário da Capital, morador do morro São João, relembrou a política de segurança pública de Leonel Brizola como exemplo de respeito aos Direitos Humanos e aos favelados. Nesta época, frisou, os moradores dos morros, das comunidades pobres, eram tratados pela polícia com o mesmo respeito que os moradores da Avenida Vieira Souto.

“Acusavam Brizola de ser a favor de traficantes; mas, na verdade, ele sempre exigiu que as polícias, civil e militar, respeitassem os pobres. E isto não acontece mais. Não dá mais para aceitar e conviver com execuções sumárias, prisões forjadas, criminalização de pessoas por causa da cor da pele negra delas”.

Anderson – que trabalhou com Marielle Franco, a vereadora assassinada, como explicou Ismael Lisboa – destacou:

“Não sei o que ensinam aos policiais nas academias. Porque, depois que essas pessoas (muitas delas pobres como nós) entram nessas corporações, passam a tratar os seus iguais como inimigos. Algo acontece no curso de formação dos policiais. Mas acho que não podemos só ficar reclamando. A formação desses policiais precisa mudar, porque 80% dos policiais são filhos da pobreza; não da elite”.

Anderson foi além: argumentou que pobre não tem o direito de assistir a um concerto, a uma peça de teatro ou mesmo uma programação cultural que comece mais tarde, porque o transporte público acaba cedo e não há como pobre chegar em casa depois de certa hora, mais avançada. “Pobre não tem o direito de ir e vir garantido pela Constituição”, enfatizou.

Pelo Movimento Negro falou – além do presidente Luiz Eduardo Negrogun – Edmara, do Coletivo de Mulheres Negras, que elogiou o governo de Rodrigo no enfrentamento à pandemia de Covid-19 e também pelo diálogo permanente com a população de Niterói. Sobre a violência policial por racismo, disse que, infelizmente, “carne negra é mais barata; por isso a polícia maltrata nossos maridos, nossos filhos e as mulheres negras”.

Já Giovana, do Coletivo de Juristas Negros, advogada ligada ao Coletivo Caó (criado em homenagem ao autor da principal lei brasileira que criminaliza o racismo), reiterou a necessidade de o racismo ser combatido nas academias policiais, porque “é preciso mudar essa mentalidade racista – hoje há negros engenheiros, economistas, médicos, advogados: em todas as profissões – e não é admissível que os negros sejam as principais vítimas da violência. Segundo Giovana, o Coletivo Caó de Advogados, em um governo pedetista, vai estar totalmente disponível para ajudar neste trabalho de conscientização dos policiais.

Ricardo Rodrigues, também do Coletivo Caó, elogiou o tratamento dado por Rodrigo Neves, durante seus dois mandatos em Niterói, à questão racial; inclusive criando cotas para negros nos concursos públicos para a Prefeitura. Afirmou que este trabalho de conscientização precisa ser permanente, porque – e isto é recente no Brasil –, até a abolição da escravatura em 1888, “negro era um objeto”: podia ser comprado ou vendido. Somente depois da abolição “é que virou sujeito de Direito”.

Serafim Chamarelli e Kátia Borges falaram, pelo Movimento Sindical, sobre a busca do pleno emprego, “inclusive para os brasileiros historicamente excluídos e marginalizados da população”, como os negros – muitos deles obrigados a sobreviver em trabalhos precários. Serafim pediu especial atenção de Rodrigo Neves aos servidores públicos, por conta do avanço do neoliberalismo no Estado, desde que o atual governador decidiu se alinhar a Bolsonaro. Serafim entende que a missão do atual governador “é a de destruir o serviço público para que o Estado passe a desempenhar o papel de mero fiscalizador de atividades entregues à iniciativa privada”.

Todos os movimentos, cada um sob sua ótica, lembraram a necessidade de um governo pedetista retornar, à pauta, as bandeiras pedetistas sempre defendidas por Leonel Brizola, como atenção aos aposentados e pensionistas; universalização cada vez maior do Sistema Único de Saúde; e a volta da educação pública, gratuita, de qualidade e laica, definida pelo plano educacional desenvolvido por Darcy Ribeiro.

RODRIGO NEVES

Depois de ouvir com atenção cada um dos oradores, Rodrigo Neves elogiou o alto nível da reunião, fundamental para o trabalho “de construir um programa de governo que reflita nossos sonhos, projetos e reivindicações”. Diante deste conjunto de militantes atento e participante, ratificou o que já falara na reunião com a JS: o programa de governo será resultado do trabalho não de uma pessoa; mas de todos “e de cada um de vocês que está aqui”.

Rodrigo reiterou a importância da vacinação para evitar a disseminação da doença: o que só será possível mesmo quando 70% da população estiverem totalmente vacinadas, com as duas doses. Daí a importância de se manter o distanciamento social e ter cuidado com as pessoas da família. Para isto, é fundamental continuar com o uso da máscara, do álcool gel; e manter o distanciamento social.

“Estamos vivendo uma tragédia no Brasil com quase 600 mil mortos; e não podemos esquecer que o governo federal usou recursos de forma atabalhoada: não priorizou os mais pobres, as pessoas não foram orientadas a tomar pedidas de prevenção. Por isto, temos uma das maiores letalidades da pandemia no mundo, milhões de desempregados; e outros tantos milhões subempregados. Por isso, não conseguimos retomar a economia”.

Na opinião de Rodrigo, o Rio de Janeiro vive, nos dias atuais, a sua pior crise; e também é o estado brasileiro com o maior índice de desemprego do país. Mais de 50% da mão de obra ativa do Estado estão desempregadas ou na economia informal. Outro grave problema que o Rio vive, explicou, é que 80% do território fluminense está sob domínio do tráfico ou das milícias.

Rodrigo – que fez um relato de suas andanças pelos 15 municípios do interior que já visitou – anunciou que até o final deste mês irá a diversos bairros e comunidades na Capital, dentro da ideia de recolher reivindicações e analisar propostas que integrarão seu futuro plano de governo. Exatamente como estava acontecendo naquele momento, ali na sede do PDT.

Explicou, também, que também está dialogando com setores de fora do Partido. Citou que, na semana passada, participou de encontro com a diretoria da Firjan e também “com pesos pesados da indústria”. Disse que conversou com importantes lideranças do setor industrial e que, na próxima semana vai sentar “com o pessoal do Clube dos Diretores Lojistas”. No próximo dia 16, na Zona Oeste no Rio, vai participar de uma grande reunião em Bangu

Rodrigo Neves destacou que as propostas ali apresentadas serão estudadas e incluídas no seu programa; especialmente aquelas sobre a questão racial, pois “nós do PDT somos herdeiros da melhor tradição; e temos reunidas as histórias de Abdias do Nascimento, de Lélia Gonzalez e de Edialeda – todas vinculadas ao Trabalhismo”. Entende que a abolição da escravatura ainda não foi concluída; e que considera inaceitável que hoje, mais de 100 anos depois, tenhamos a realidade muito perceptível de que negros continuam excluídos na educação e no emprego e também sejam as principais vítimas da violência policial.

“Não vamos fugir desta discussão, porque não podemos perder de vista que, enquanto existir um companheiro negro ou uma companheira negra sendo discriminado ou discriminada, nossa luta terá razão de ser – a luta para superar décadas de predominância escravocrata”.

Disse ainda que vai resgatar, quando estiver no governo, todas as escolas integrais construídas por Brizola e Darcy Ribeiro no passado: “Se os CIEPs não tivessem sido abandonados, hoje não teríamos tanta violência; não estaríamos perdendo tantos jovens para a criminalidade. Vamos recuperar as escolas de horário integral”.

Rodrigo disse ter clareza sobre a crise que o Rio de Janeiro atravessa: “Perdemos, a partir de 1960, 30% da indústria de transformação. Se na década de 80 éramos a segunda economia do país, hoje ocupamos a sétima posição. Isto explica porque perdemos 700 mil empregos com carteira assinada nos últimos cinco anos. Não faz sentido que o Rio produza 80% do petróleo do Brasil e a riqueza dessa indústria vá para outros estados e até mesmo outros países”.

Na sua administração em Niterói, disse, a prefeitura investiu em inteligência, em política de proximidade e de boa vizinhança com as comunidades, além da correta capacitação dos profissionais de segurança pública, “na sua grande maioria, trabalhadores oriundos de comunidades”. Como formas de combater a violência, citou o complexo esportivo que construiu no Caramujo, bairro de Niterói, onde antes era área controlada pelo tráfico.

Rodrigo enumerou várias melhorias que realizou ao longo dos oito anos que governou Niterói como construção de escolas e creches para todas as crianças em idade escolar, a ampliação de 100% das redes de água e esgoto; criação de frentes de trabalho para a juventude; melhorias no transporte público; reflorestamento de encostas e construção de habitações populares.

Citou também a transformação ocorrida em Niterói dede que, há 30 anos, quando o PDT elegeu Jorge Roberto Silveira, João Sampaio; e agora gestão tem continuidade com seu sucessor, Axel Grael, o que confirma a confiança da população no Partido de Leonel Brizola. Esta experiência precisa ser ampliada para todo o Estado.

 “Precisamos levar o médico de família para todas as comunidades do Rio porque se todas tiverem creches e educação em horário integral, conquistas que ajudam principalmente as mulheres trabalhadoras, a milícia e o tráfico não se criam no Rio de Janeiro. Por isto Niterói não tem milícias dominando territórios – isto é fato”.

“A partir de 2023, governador e secretários conversarão sobre cada medida que o governo tomar. Na medida em que criarmos empregos, fortaleceremos o movimento sindical e também o movimento comunitário. A igualdade racial, por sua vez, precisa ser uma questão transversal, temos que transformar essa estrutura injusta até que a dívida histórica e secular com o povo negro seja paga”.

Ao encerrar a reunião, Rodrigo Neves puxou o estribilho do hino da Independência, o preferido de Brizola, acompanhado por todos, de pé: “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil”.

(Por Osvaldo Maneschy com colaboração de Apio Gomes)

 

Veja o vídeo da reunião (1h40m ) neste link