Requião recebe Lupi em casa, em Curitiba, para discutir seu futuro

O ex-governador do Paraná e ex-senador Roberto Requião, que semana passada se desfiliou do MDB, seu único partido ao longo de 40 anos, conversou ontem a noite (04/8) em sua casa sobre o seu futuro político com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi; com o presidente do PDT do Paraná, André Menegotto; e com o deputado estadual paranaense Jorge Brand (Goura). Nas redes sociais, tanto Requião quanto Lupi publicaram nesta quarta-feira à noite foto do encontro entre ambos.

“Com Lupi, e pedetista!”, escreveu Requião, em seu perfil no Twitter, para legendar a foto em que aparece com Lupi, André Menegotto e Goura Nataraj. Lupi postou a mesma foto, mas com legenda mais genérica. “Agora à noite com nosso querido patriota Roberto Requião, conversando sobre o Paraná e o futuro do Brasil”.

Segundo o jornalista titular do ‘Blog do Esmael’, Esmael Morais, “Requião, Lupi e PDT são da mesma cepa nacionalista, no entanto, e o ex-governador paranaense vai repetir ao dirigente pedetista o que segue e é necessário, na sua opinião: 1 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, é o franco favorito para vencer as eleições de 2022;  2 – Ele, Requião, gostaria de ver o ex-ministro Ciro Gomes na mesma chapa que Lula; e 3 – É preciso uma plataforma progressista revogando privatizações e estabelendo uma política antiliberal, que privilegie o emprego e do desenvolvimento nacional”.

Segundo o mesmo Ismael, “Lupi, por sua vez, já avisou que não vai forçar a barra para filiar Requião. O presidente nacional do PDT também disse que o partido, independente do rumo do ex-governador, irá apoiá-lo na disputa pelo governo do Paraná em 2022”.

Em entrevista ao blog DCM, na segunda-feira (02/08) passada, Requião revelou que vai se se encontrar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva hoje, quinta-feira (05/08), em São Paulo. Segundo o DCM, Requião afirmou:

“Eu confirmo o encontro com Lula na quinta, em SP, mas peço que me mande o cardápio antes”, disse o político paranaense ao jornalista Pedro Zambarda.  Requião vai almoçar com o petista.

Numa enquete realizada por Requião, no Twitter, para que seus eleitores o ajudassem a escolher seu próximo partido, seus seguidores indicaram o PT, seguido do PDT. Também tem interesse na filiação de Requião, que pretende disputar o governo do Estado ano que vem, o PSB.

Requião decidiu deixar o MDB depois de 40 anos depois que foi derrotado na convenção estadual pelo atual governador do Paraná:  “O MDB do Paraná foi tomado pelo Ratinho e pelo Bolsonaro. Sou sério, estou fora!”, escreveu o ex-emedebista no Twitter.

Com o resultado, o MDB não terá candidato próprio ao Palácio Iguaçu e deverá aderir formalmente ao governo Ratinho Junior (PSD). Alguns emedebistas devem ser agraciados com secretarias e cargos estratégicos em empresas públicas, como Copel e Sanepar, dentre outras. Alguns de seus correligionários consideraram “bem-vinda” a derrota porque aliados avaliavam que o MDB poderia puxar o tapete de Requião na disputa do governo estadual, mesmo se tivesse vencido.

Com o desfecho adverso, avaliam, o ex-governador se livra de um “carma” e fica livre para recomeçar a história em outra agremiação.  “Partido não é seita, é uma ferramenta de atuação política. Vou sair do MDB e ingressarei em outro partido para consertar o Paraná, que foi destruído pelo Ratinho”, reforçou Requião.

A chapa de Requião fez 77 votos enquanto a do deputado Anibelli Neto, alinhado ao bolsonarismo e ao governador, obteve 203. Como consequência deste desfecho, a bancada de oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) deverá pedir o desligamento de Anibelli, já que o MDB agora está agora oficialmente a serviço do governo Ratinho.

Lupi afirmou em coletiva à tarde nesta quinta-feira que “a melhor saída” para o Paraná, nas eleições do ano que vem,  é a construção de uma frente de oposição contra a candidatura de Ratinho Junior.  Segundo ele, o atual governador é habilidoso e, com a caneta cheia, tem facilidade em aglutinar forças políticas em torno de sua candidatura. Por isso, uma candidatura unificada de oposição seria a melhor saída. Para liderar este projeto, Lupi acredita que Requião é um bom nome.

“Requião é a figura de maior conhecimento e prestígio. Ele unifica as oposições. Não é o insucesso de uma eleição que apaga o sucesso de outras dez”, afirmou.   Sobre a possível vinda de Requião para o PDT, questionado, Lupi afirmou: “Requião estará muito bem encaixado no partido (PDT) se este for o desejo dele”, afirmou Lupi.  Sobre as antigas divergências entre Gustavo Fruet, um dos principais nomes do PDT local, e Requião, Lupi disse que todas as ações no partido serão tomadas ouvindo a opinião do deputado federal.

O presidente nacional do PDT anunciou na mesma coletiva que convidou o ex-governador Geraldo Alckmin para integrar a sigla e ser o candidato do partido ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2022. “Se ele vier para o nosso partido, será nosso candidato”, pontuou. Lupi, porém, não descartou a possibilidade de apoiar Guilherme Boulos (PSOL) ao governo de São Paulo, ano que vem. Disse que vê “com muito carinho”, também, esta possibilidade.  Lupi respondia perguntas a respeito da possível vinda de Roberto Requião para o PDT quando foi questionado  sobre as eleições de São Paulo, assim como tratativas para garantir palanques para o presidenciável Ciro Gomes, pré-candidado do PDT à presidência em 2022.

Em busca de um novo partido, o ex-senador Roberto Requião (sem partido) recebeu na quinta-feira em reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo o convite oficial para ingressar no PT e integrar a frente de esquerda nas eleições do ano que vem. Participaram do encontro também o deputado estadual Requião Filho (MDB), a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann e o presidente do PT do Paraná, Arilson Chiorato.

Segundo a assessoria do ex-senador, por enquanto não há decisão sobre os rumos partidários dele e seus correligionários. Um dos motivos é que Requião precisa aguardar a janela partidária. Pelas regras eleitorais, seis meses antes das eleições, ou seja, em março de 2022, os parlamentares poderão mudar de partido sem correr o risco de perderem o mandato. Tanto Lula quanto Lupi garantiram que estarão ao lado de Requião em 2022, independentemente de qual partido ele escolha para se candidatar ao governo do Paraná.

 

(OM, com mídia e redes sociais)

 

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