Aparecida: Ciro ataca Bolsonaro por descaso com miséria do povo

Em entrevista à Rádio Aparecida esta manhã (28/7), o ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato à presidência do PDT, voltou a falar sobre a crise econômica responsável pelo desemprego direto de mais de 15 milhões de pessoas e que obriga outros 40 milhões de trabalhadores a recorrerem à informalidade para tentar sobreviver, situação gravíssima para as famílias brasileiras, agravada pela onda de frio que assola todo o Sul e Sudeste do país.

“Temos que olhar por esses nossos irmãos que vivem com dificuldade e hoje correm risco de vida por conta das temperaturas  baixíssimas dos dias atuais”, frisou Ciro que acusa o governo Bolsonaro pela crise humanitária que os brasileiros pobres vivem no momento, situação cada vez mais grave com a precarização dos empregos, a falta de investimentos públicos na economia  e o descaso com a população mais vulnerável.

Ciro afirmou que há 10 anos o Brasil não cresce e não foi só por causa da pandemia, mas por conta da falta de visão dos dirigentes do país que não percebem, por exemplo, que a educação pública precisa se adaptar aos novos tempos de empregos na era digital e não preparar estudantes para os dias de hoje. “Precisamos preparar nossos jovens para o mercado de trabalho digitalizado, que exigem preparação diferente da que estão recebendo nas escolas”.

Segundo Ciro, o que puxa o crescimento de um país são o emprego, que gera renda e o crédito barato e a realidade que os brasileiros vivem hoje é do colapso total do crédito por conta da inadimplência e das 60 milhões de famílias devendo ao SPC, entre outras causas.  Uma situação que poderia ser revertida se o governo investisse, via bancos públicos, na renegociação dessas dívidas  com descontos de até 90%, por exemplo.

“Também temos que facilitar a capacidade de investimentos dos empresários porque quando uma indústria fecha, ou ou loja, também por inadimplência, o país perde. E do Governo Dilma para cá, fecharam 30 mil indústrias no Brasil e não abriram outras – por isto a Ford foi embora do Brasil por conta desse modelo econômico desastrado que definha nossa produção industrial”.  Ciro explicou que o Brasil está, há 10 anos aproximadamente, com capacidade industrial de 20 a 30% por cento ociosa, por falta de renda da população, e neste quadro, ninguém investe – pelo contrário, desiste.

Na sua opinião, o Brasil precisa mudar o sistema impostos atual que cobra dos trabalhadores e pune que produz, deixando também os super ricos à vontade, sem qualquer tipo de taxação para as grandes fortunas – o que considera super errado. Ciro inclusive fez um pequeno vídeo sobre o assunto, esta semana.

Ciro criticou o governo por não dar seguimento as 24 mil obras que estão paralisadas em todo o país e que poderiam ser retomadas com investimentos públicos que também deveriam ser direcionados para setores que geram muitos empregos como a construção civil e a construção de infraestrutura. “Temos no Brasil 20 milhões de famílias vivendo em situação precária, situação que se agrava ainda mais com a atual onda de frio que estamos atravessando”, destacou.

Ciro classificou de “inimaginável” que aconteceu, por exemplo, na questão das vacinas, agora no governo Bolsonaro. Ele estima que as mortes pela pandemia alcancem 700 mil pessoas nos próximos meses e condenou o governo pelo fato de dificultar a compra de vacinas, citou as ofertas recusadas da Pfizer, enquanto pessoas em lugares chave do ministério da Saúde tentavam fazer negociatas para receber propinas – sem se preocupar com a maciça morte de brasileiros vítimas da Covid.

Na sua opinião, a campanha do ano que vem vai ser dominada por três assuntos: a pandemia e as sequelas pela morte de centenas de milhares de brasileiros, enquanto burocratas tentavam levar vantagens através do recebimento de propinas pela compra de vacinas; o desemprego dos milhões de brasileiros sem qualquer proteção social, vivendo a maior volume de informalidade de que já se teve no Brasil, com a sistemática destruição de direitos trabalhistas; e o desalento causado pelo desemprego e tudo isto.

Ouça a integra da entrevista:

https://youtu.be/IWPEtTzQDt0