Programa ‘Médico de Família’ revolucionou atendimento básico de saúde em Niterói

Maria Célia Vasconcellos fala do pioneirismo de Jorge Roberto com programa Médico de Família

“Foi uma total revolução”, declarou a  ex-secretária de Saúde de Niterói (RJ), Maria Célia Vasconcellos, ao descrever, na entrevista para o ‘Trabalhismo na História’, o processo de criação – e pelo qual foi uma das principais responsáveis – de implementação do ‘Programa Médico de Família’ (PMF) durante o primeiro mandato do prefeito do PDT, Jorge Roberto Silveira, em 1992, em Niterói – via  parceria do então prefeito Jorge Roberto Silveira com o governo de Cuba, transferindo para a ex-capital fluminense toda a abrangência e planejamento do programa voltado especialmente para as favelas e áreas de maiores riscos sociais e ambientais de Niterói, privilegiando os cidadãos mais pobres.

“Quando ele (Jorge) viu o que médico de família fazia, em Cuba, se encantou. Está vinculado a uma determinada população e tem, além do acompanhamento da família, uma tarefa longitudinal. Ou seja, acompanha todas as fases da vida das pessoas e das famílias”, relatou  Maria Célia, citando, em entrevista ao coordenador do Centro de Memória do PDT, Henrique Matthiesen, detalhes da implantação do projeto na cidade onde atua, até hoje, na área de saúde. Maria Célia é assistente-social aposentada do INSS.

“A capacidade (do médico) de conhecer os seus pacientes através do programa Médico de Família é muito mais assertiva, conhecimento este que abrange também a comunidade onde a família dele está inserida. Esse foi o grande salto que a medicina cubana deu para os países do chamado terceiro mundo”, explicou Maria Célia, entusiasta do programa que hoje atinge a todos os moradores das comunidades carentes de Niterói e tem sido estrategicamente importante nos esforços de combate à pandemia de Covid-19 que atinge o Brasil.

Com isso, a gestão municipal protagonizou uma atenção primária reconhecidamente diferenciada no Brasil. O sucesso permitiu que, no ano seguinte, o projeto fosse expandido para o âmbito estadual pelo então governador do Rio, Leonel Brizola, que nomeou Jorge Roberto Silveira como seu secretário sem pasta – exatamente para que ele estendesse ao interior do Estado do Rio o programa Médico de Família.  O sucesso foi tão grande que, um pouco mais tarde, foi estendido a todo o país com a decisão do Ministério de Saúde de aplicá-lo em todo país  sob o título Programa de Saúde da Família (PSF), que está presente, até hoje, em todo o território brasileiro.

Universalização

Segundo Maria Célia, Niterói avançou justamente no período – década de 90 – que o Brasil passou por uma mudança na transição demográfica – centralização nos grandes centros urbanos – e no perfil das doenças – crônicas superaram as infecciosas.  “O controle disso tem que ser por um acompanhamento sistemático, contínuo e prolongado ao longo da vida. Onde você encontra isso? Na organização do sistema via medicina de família”, detalha.

Anos antes, com a redemocratização, ela, que sofreu com a repressão militar, os pedetistas espelharam, no município, uma luta que se consolidava pelo país. Com a constituinte de 1988, uma vitória foi emblemática: a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), que buscava eliminar a diferenciação entre cidadãos de primeira e segunda classes”.

Reconhecimento

Com reverência ao trabalhismo, Maria Célia fez questão de enaltecer o marcante legado pedetista construído na cidade da Região Metropolitana do Rio, que foi referendado pelo ex-prefeito Rodrigo Neves e o seu sucessor, o atual prefeito Axel Grael. O feito na Saúde representa, ao lado dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) do governo brizolista, marcos internacionais.

“A eleição de Jorge Roberto Silveira deu uma guinada em Niterói, pelo PDT. Esse primeiro mandato como prefeito, em 89, foi revolucionário. Eu acho importante a gente recuperar a história”, disse. Atualmente

“A área da Saúde sempre teve uma aliança com os movimentos sociais. Até porque os movimentos são a demonstração da pujança da saúde da população pela capacidade de luta”, completou.

(Por Bruno Ribeiro / OM / PDT-RJ)

Confira a entrevista, na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=A0zS_mgTreE