Produção da CoronaVac já está parada por falta de insumos no Instituto Butantan

Rodrigo Maia procura Embaixador chinês, mas Brasília o desautoriza a negociar com Pequim

Brasil enfrenta dificuldades para importar o ingrediente farmacêutico ativo para que novas doses continuem a ser produzidas nacionalmente e o Instituto Butantan já está com a sua produção parada pela falta do ingrediente farmacêutica (IFA)  para a produção de novas doses da CoronaVac. Na tentativa de acelerar o envio dos insumos chineses ao Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, reuniu-se com o Embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, que confirmou que a carga ainda não foi liberada no seu país por questões técnicas, embora Maia tenha informado também que o governo brasileiro não tomou nenhuma iniciativa para tentar apressar essa liberação.

Desde o último domingo (17), o instituto aguarda a chegada de insumos da China após terminar de envasar as 4,8 milhões de doses que estavam sendo produzidas nacionalmente. Segundo Dimas Covas, presidente do Butantan, a previsão é de  que a matéria-prima chegue até o final de janeiro.

“Nossa previsão de chegada até o m deste mês é de 5.400 litros. E mais 5.600 litros até o dia 10 de fevereiro. Essa matéria-prima está pronta para ser despachada na China e aguardando trâmite burocrático”, disse. Com essa quantidade de IFA em mãos, o Butantan arma que pode produzir até 11 milhões de novas doses da CoronaVac.

Desde segunda-feira (18), 6 milhões de doses do imunizante, produzido pelo laboratório chinês Sinovac e que já chegaram prontas, foram distribuídos no Brasil. Ainda segundo Covas, há quatro instâncias de órgãos estatais chineses responsáveis por dar o aval à liberação e a autorização para o envio da carga ao Brasil está na última instância.

A importação de insumos da China se tornou mais urgente depois que o governo federal fracassou na aquisição de 2 milhões de doses da vacina de Oxford, desenvolvida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, mas produzida pelo laboratório indiano Serum. Isso fez com que a CoronaVac fosse o único imunizante disponível para começar o Plano Nacional de Imunização (PNI).

Tanto o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), quanto Dimas Covas cobraram celeridade e seriedade do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) para ajudar nas tratativas para liberação dos insumos da vacina. Na tentativa de acelerar a liberação do ingrediente ativo das vacinas e retomar a produção delas no Brasil, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), procurou o Embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, e disse que teve com ele uma reunião “muito positiva”.

Disse também que a questão da liberação dos insumos na China  para a fabricação das vacinas contra a covid-19 é “técnica” e não “política”.  “Ele disse de forma clara que está trabalhando junto com o governo chinês para acelerar a exportação dos insumos, resolvendo a questão dos trâmites técnicos. Senti com clareza que os conflitos políticos não estão dentro desse atraso “, disse Maia, em entrevista à Globonews.

A demora na chegada dos IFAs (Ingrediente Farmacêutico Ativo) da China prejudica a fabricação da CoronaVac pelo Instituto Butantan e da vacina de Oxford/Astrazeneca, que será produzida pela Fiocruz. Apesar de estarem prontos para o envio, os insumos ainda aguardam liberação do governo chinês.

O presidente da Câmara também afirmou que, segundo informações que recebeu da embaixada, não houve nenhuma tentativa de diálogo por parte do governo brasileiro. “Infelizmente a questão ideológica tem prevalecido em relação a salvar vidas no Brasil”, disse.

O governo federal, por sua vez, informou que os ministros da saúde e da Agricultura também se reuniram com os representantes do governo chinês no Brasil e só eles estão autorizados a negociar formalmente com as autoridades daquele país sobre as questões entre os dois países.

(com informações do IG e do UOL)