Pré-candidatos a prefeito do PDT-RJ na eleição 2020 se apresentam no Diretório Regional

 

 

Por Osvaldo Maneschy e Apio Gomes

Ao abrir a reunião ordinária do Diretório Estadual do PDT-RJ, na última segunda-feira (12/8), que teve por objetivo apresentar os pré-candidatos pededistas a prefeito nas eleições de 2020, o presidente nacional, Carlos Lupi, informou que a legenda já conta com 35 nomes para disputar prefeituras ano que vem; mas que a meta da direção regional é chegar a 50 candidatos a prefeito até a eleição municipal de outubro.

Além de os pré-candidatos, participaram do encontro, realizado na sede da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, os prefeitos de Niterói, de Piraí, de Guapimirim e de Porto Real: fizeram relatos sobre o andamento de suas administrações nas respectivas cidades.

A reunião foi conduzida por Lupi e pelo secretário-geral, Ismael Lisboa, que também abonaram  fichas de novos filiados ao PDT, entre eles Randal Farah, ex-militante do PC do B de São Gonçalo, anunciado como possível pré-candidato a prefeito; e Arnaldo Viana, ex-prefeito de Campos dos Goytacazes e ex-deputado federal pelo PDT, que retornou ao Partido.

Cada um dos pré-candidatos falou sobre as suas respectivas trajetórias políticas e os motivos de pleitear a indicação pelo PDT; destacando-se ainda, no conjunto das falas, as da deputada Martha Rocha, pré-candidata do Partido à prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro; e a do prefeito Rodrigo Neves, de Niterói – cidade em que Ciro Gomes teve, na eleição passada, o dobro da média dos obtidos no resto do Estado.

Rodrigo Neves, em emocionado pronunciamento de 25 minutos que fechou o encontro, agradeceu a solidariedade que recebeu da direção do PDT no período em que esteve três meses preso, no final do ano passado e início de 2019: sofrimento que afirmou não desejar “nem ao pior dos meus inimigos”.

Cuidadoso com as palavras, Rodrigo lamentou a Justiça não o ter convocado até agora para depor; e criticou o fato de seus adversários terem pedido o seu impeachment na Câmara dos Vereadores, apenas duas horas depois de a prisão, apresentando um documento de 150 páginas. “Duas horas depois e 150 páginas: algo muito eficiente”, frisou ironicamente insinuando que sua prisão foi política.

“Eles chamaram o povo para a Câmara, mas o povo não foi. Foi o nosso povo; e nossa base aliada rejeitou o pedido de impeachment porque o objetivo era um golpe: patrocinar uma eleição suplementar em Niterói em 2019”, denunciou Rodrigo, que agradeceu a solidariedade que recebeu o tempo todo – agradecimentos que estendeu a Ciro Gomes e a Trajano Ribeiro que o visitaram na prisão; Trajano “me visitou praticamente todas as semanas”, enfatizou.

Rodrigo disse que, neste período, fez extensa reflexão sobre sua trajetória iniciada aos 15 anos, organizando a juventude nos movimentos populares, até a sua opção pelo PDT em dezembro de 2017. “Quero reiterar aqui, a cada um de vocês, que a opção pelo PDT foi muito refletida: sobre a História do Brasil e sobre os desafios que o Brasil tem pela frente”.

Acrescentou: “Reli, em 93 dias, 45 livros; toda minha bibliografia de ciência política, de sociologia. Como foi bom reler “Casa Grande e senzala”; “Raízes do Brasil”. Como foi bom ler novos quadros, como Jessé [Jessé Souza], que escreveu agora um livro – “A classe média no espelho” – que vale muito a pena vocês lerem, porque evidencia no momento atual do Brasil os limites do projeto do PT; e a relevância histórica e a pertinência do Trabalhismo; e do ideário de Darcy Ribeiro e de Leonel Brizola”.

Frisou ainda que quando se filiou, em dezembro de 2017, já vislumbrava “essa época sombria” que o Brasil vive hoje, com a eleição de Bolsonaro. “Me propus a construir a candidatura de Ciro Gomes e tenho muito orgulho de dizer que a cidade onde Ciro teve a maior votação proporcional do Sudeste brasileiro foi a cidade de Niterói”, mais do que o dobro dos votos que Ciro teve na média nacional.

Rodrigo classificou sua prisão de “violência inominável”, destacando o fato de que até hoje ainda não foi chamado para depor e se defender.

Sobre a eleição municipal do ano que vem, disse aos pré-candidatos: “A função mais nobre e, ao mesmo tempo, a função mais extraordinária que alguém que milita e disputa mandato na política é exercer o mandato de prefeito de sua cidade”. E acrescentou: “Se o povo der a chance a vocês, não a percam; a honrem com trabalho sério, com honestidade e com dedicação. Porque ser prefeito da sua cidade é a função mais nobre e mais importante que uma pessoa pode ter na vida pública”, concluiu.

No início de sua fala, Martha Rocha saudou Lupi: “Quero cumprimentar nosso presidente porque, ao longo de nossa convivência, aprendi com você que este Partido está no caminho certo – porque a primeira e sempre palavra dita neste Partido foi resistência”.

Martha destacou que o compromisso dos candidatos é “fincar a bandeira do PDT” nos respectivos municípios, mostrando que “nós temos a capacidade de fazer diferente; porque uma gestão pedetista tem compromisso com a ética, com a coisa pública, com a vontade popular; tem o compromisso de ouvir o cidadão”.

Argumentou ainda, referindo-se à candidatura de Ciro Gomes, que “nosso primeiro desafio, como candidatos do PDT a prefeito, será marcar nosso campo e mostrar que estamos do lado certo” para, com isto, levar os eleitores a se afastarem do que definiu como “obscurantismo” da eleição de Bolsonaro.

– “Acredito que, daqui a pouco, as pessoas vão ver o grande equívoco que foi não colocar Ciro Gomes no segundo turno; porque se Ciro Gomes estivesse no 2° turno, a História do Brasil hoje seria contada diferente”, afirmou.

No final da exposição de Caio Viana, pedetista desde muito jovem, que foi  dirigente da Juventude Socialista, em Campos dos Goytacazes [emocionado, ao apresentar os motivos de sua pré-candidatura à prefeito, destacou um: “fazer uma gestão como foi  a de seu pai, honrando a legenda pedetista”], Arnaldo Viana, ex-vereador, ex-prefeito e ex-deputado federal pelo PDT pediu a palavra; fez uma autocrítica pelo fato de ter saído do Partido e destacou que estava voltado à sua casa, humildemente, como simples militante, para trabalhar na pré-candidatura do filho à Prefeitura.

Outra pré-candidata a fazer uso da palavra foi a pediatra Fernanda Ontiveros, de Japeri, que garantiu que se for eleita na cidade que tem um dos piores IDHs do Estado, vai centrar a sua administração na valorização da Educação e da Saúde. Também falaram na reunião Juliano Rangel, de São João da Barra; Rogério Garcia, pré-candidato do PDT em Itaperuna; Wanderson Nogueira, de Friburgo; Felipe Barros de Areal; Dr. Abílio, de Itaboraí; Rodrigo Neca, de Nilópolis; José Bonifácio, de Cabo Frio; Dr. Kerni, de Paty do Alferes.

Leia aqui a íntegra da fala de Martha Rocha

Leia aqui a íntegra da fala de Rodrigo Neves.