‘Petróleo e Petrobrás são estratégicos e serão renacionalizados’, garante Ciro

Proposta da retomada da soberania foi destaque no 2° painel do seminário do PDT sobre a Petrobrás

Por Bruno Ribeiro 

“Se um dia eu chegar à presidência do Brasil, toda essa alienação do esquartejamento da Petrobrás será nacionalizada novamente”, assegurou o pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PDT, Ciro Gomes, ao colocar o petróleo como pilar estratégico de um futuro governo soberano. O ex-governador do Ceará participou, nesta terça-feira (4), do seminário virtual “Legados Trabalhistas” do PDT e da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP), através do Centro de Memória Trabalhista. O debate foi mediado pelo deputado Mario Heringer (PDT-MG).

“O desenvolvimento é absolutamente consequência de alguns fatores estratégicos, um deles é a energia. E o petróleo é essencial”, salientou, ao criticar o atual modelo de abertura e, consequentemente, fragilização dos interesses brasileiros, nas últimas décadas, com a venda, por exemplo, de ativos da companhia e de megajazidas de petróleo do pré-sal.

“No mundo do petróleo, só tem duas coisas: ou é estatal, ou pertence a uma corporação cartelizada de grandes multinacionais, que se concentram nos países do Atlântico Norte”, disse, ao completar: “80% do petróleo, no mundo, pertencem aos Estados nacionais e isso não tem a ver comunismo, socialismo, capitalismo ou social-democracia. É decisão estratégica.”

Hoje, quarta-feira (5/5), a última mesa com o tema Petrobrás e a Guerra híbrida

Durante o segundo painel, que teve a mediação do deputado federal Mário Heringer (PDT-MG) e participação da geóloga Patricia Laier e do engenheiro Felipe Coutinho, ambos da direção da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET, o ex-ministro da Fazenda citou o modelo nacionalista formulado pelo então presidente da República, Getúlio Vargas, na década de 50.

Ciro descreve que o gestor trabalhista se diferenciou pela capacidade de implementar uma política que unia o interesse público, na superação da desigualdade social, com as virtudes da iniciativa privada.

“Getúlio fez a aposta e cria a Petrobrás. Colocou o Brasil na linha dos países que, estrategicamente, compreendiam que o petróleo tinha que ser uma riqueza pertencente à coletividade, à nação como um todo. E administrada em linha com os interesses estratégicos que ia afirmar um projeto nacional de desenvolvimento frente a comunidade internacional”, enalteceu, descrevendo ainda a excelência técnica acumulada pela estatal.

Para ele, o petróleo vai além e impacta, portanto, na soberania nacional. Nesse sentido, expõe a capacidade do governo de dizer “não” e “mandar no próprio nariz”.

“Se você subtrai a autonomia de um país em matéria de petróleo, gás e bioenergia, que é uma vocação brasileira, você, simplesmente, não movimenta os tanques de guerra. O petróleo é, portanto, um insumo essencial para a defesa do país”, descreve.

Presença

Ao citar a interdependência da sociedade com o petróleo e a vasta lista de seus derivados, Ciro fez questão de enfatizar a interferência direta no preço de qualquer produto ou serviço.

“A gente precisa mostrar para o povo todo dia, com exemplos práticos, a importância desse assunto com a devida centralidade. Não é assunto para meia dúzia de pessoas decidirem, em Brasília, porque isso consultar o destino e a vida de todos nós”, afirmou.

Em um paralelo com o enfrentamento da pandemia do Covid-19, Ciro evidenciou a fragilidade do Brasil na compra de vacinas e insumos, fator gerado pela desestruturação das indústrias em todas as regiões.

“Ficamos no último lugar da vacina do coronavírus porque cometemos a imprudência, ao longo dos últimos anos, de destruir o complexo industrial e tecnológico de saúde, no Brasil, e passamos a depender até de máscaras de proteção, respiradores e imunizante que está tendo que importar da China”, disse, ao condenar as ações deletérias da família Bolsonaro na diplomacia com o país asiático.

Realidade

“O que estão fazendo com o Brasil, principalmente com a Petrobrás, é uma desconstrução sem limites”, alertou Mário Heringer, que também é presidente do PDT em Minas Gerais, diante da política de desinvestimento do governo Bolsonaro.

“Estão esquartejando a Petrobrás, acabando com as refinarias, em detrimento do bem estar do brasileiro. Na hora que o refino passa para a mão privada, esse dinheiro, esse lucro, não vai ficar mais no Brasil, não vai ser investido no Brasil. Não haverá essa preocupação social”, analisou.

Para o deputado mineiro, a estatal representa um dos maiores ativos da nação por participar “de todas as atividades da sociedade como alavanca em um processo de crescimento e facilitação da indústria”. Por isso, reiterou, ao longo do debate, a relevância histórica da maior companhia do país.

Ao mencionar o novo Programa Nacional de Desenvolvimento, por Ciro Gomes, o parlamentar destacou a necessidade de uma alternativa responsável para a reconstrução do país e a superação da crise. No plano de governo pedetista, ele lembra da contemplação, em um dos seus pilares, do investimento em petróleo e gás.

Encerramento

Para concluir a série, o terceiro painel, nessa quarta-feira (5), avaliará a “guerra híbrida” interligada com a Petrobrás. O encerramento contará com contribuições do secretário-geral nacional do PDT e presidente da FLB-AP, Manoel Dias, como mediador, e o ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, Celso Amorim, e o presidente da AEPET, Pedro Pinho, e o jornalista Beto Almeida, como palestrantes.

Acesse a íntegra do debate aqui.