PDT perde militantes históricos: Ney Ortiz Borges e Hari Alexandre Brust

Fundadores do PDT, Hari Brust e Ney Ortiz morrem em decorrência do Covid

O PDT perdeu nesta quarta-feira (24) duas de suas grandes lideranças – os companheiros da primeira hora de Leonel Brizola  Hari Alexandre Brust e Ney Ortiz Borges, ambos gaúchos, com trajetórias marcantes de lutas em prol do povo, da democracia e do Trabalhismo. Ambos faleceram em decorrência de problemas de saúde gerados pelo Covid-19: Brust na Bahia, onde vivia, e Ney Ortiz Borges, no Rio Grande do Sul.

Presidente de honra do partido na Bahia, Brust faleceu aos 83 anos, em Salvador. O gaúcho construiu um legado no estado nordestino e foi reconhecido como cidadão soteropolitano em 2020. Autor de uma das biografias escritas sobre a trajetória do fundador do PDT, “Leonel Brizola – Uma Biografia”, o pedetista foi presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBMP), das Centrais de Abastecimento da Bahia S/A (Ceasa) e da Empresa de Limpeza Pública de Salvador (Limpurb). Brust também, no 2° governo de Brizola no Rio de Janeiro, integrou a diretoria da Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (CERJ), vinculada à Secretaria estadual de Minas e Energia.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, exaltou a representatividade da liderança trabalhista, que também integrava o Diretório Nacional e participou de eventos marcantes, como a Campanha da Legalidade, em 1961.

“Com profundo pesar, acabo de receber a notícia da passagem de nosso valioso companheiro Hari Alexandre Brust. Ele dedicou sua vida à causa do povo brasileiro. Ocupou inúmeros cargos de direção do partido, na Bahia, que ajudou a fundar”, lamentou Lupi.

Símbolo

Referência desde a sua militância no PTB original, o ex-vereador de Porto Alegre, ex-deputado estadual e ex-líder do Governo na Câmara dos Deputados, do Presidente João Goulart,  Ney Ortiz Borges, que vivia em Porto Alegre,  morreu aos 97 anos. Ele foi um dos primeiros políticos a ser cassados pela ditadura militar de 1964, exatamente por ser líder do governo João Goulart. Como Raul Francisco Ryff, secretário de imprensa de Jango, Ney orgulhava-se, como pedetista histórico que sempre foi, ter sido um dos primeiros punidos pelos golpistas de 64.

Ney Ortiz participou do Encontro de Lisboa, em 1979, organizado por Brizola e Neiva Moreira para refundar o velho PTB fundado por Getúlio Vargas com a participação de trabalhistas que viviam no exílio, como eles próprios; e trabalhistas que viviam no Brasil ainda sob o governo ditatorial. No encontro histórico, com o apoio do PS português, à época presidido por Mário Soares, o Encontro de Lisboa foi fundamental para a fundação do PDT, posteriormente.

Graças a uma manobra do então ministro Golbery do Couto e Silva junto aos ministros do TSE, a sigla PTB foi tirada de Brizola e entregue a conservadora Yara Vargas, obrigando Brizola a reunir os trabalhistas verdadeiros, herdeiros políticos de Getúlio Vargas e João Goulart, sob a nova sigla – Partido Democrático Trabalhista (PDT). Advogado, Neyt Ortiz , ao lado de Brizola, sempre combateu as perseguições políticas no regime militar.

A deputada estadual (RS) Juliana Brizola, neta do fundador do PDT,  falou sobre a grande perda quer a morte de Ney Ortiz Borges representou para os pedetistas do Rio Grande do Sul e renovou sua admiração por ele:

“Com certeza Ney Ortiz Borges fez história e o seu legado permanecerá sempre vivo. Grande trabalhista, foi parceiro de meu avô” desde militante na ‘Ala Moça’ do antigo PTB. Obrigada por deixar um legado tão importante para todos nós”, comentou Juliana.

(Por Bruno Ribeiro/OM)