PDT faz 41 anos hoje e Lupi vê futuro com Ciro na luta pela Nação

Em vídeo de Lupi e Ciro Gomes falam sobre o “fio da História” do PDT e suas principais lideranças

Por Bruno Ribeiro e Osvaldo Maneschy

“Nós somos o partido que tem uma história enraizada com a luta do trabalhador e do povo brasileiro” disse o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ao iniciar a mensagem sobre os 41 anos de fundação do partido, celebrado nesta quarta-feira (26). Citando líderes do trabalhismo, o pedetista destacou o comprometimento com a viabilização de um “projeto de futuro” liderado pelo presidenciável Ciro Gomes.

“Essa história tem marcas de líderes que mudaram a história do Brasil. Começa, lá atrás, com Getúlio Vargas, com toda a legislação trabalhista e o projeto de nação. Continua com João Goulart [Jango], com as reformas de base. Seguem com Leonel Brizola, atualizando todo o ciclo do trabalhismo e falando de educação de tempo integral”, pontuou.

Base da pré-candidatura de Ciro Gomes ao Palácio do Planalto, o Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND) foi concebido, segundo Lupi, a partir dos conceitos trabalhistas e representa a “marca” do partido para a disputa de 2022.

“Compromisso com a educação, tempo integral e escola de qualidade. Compromisso de lutar pelos direitos do trabalhador, sempre”, destacou.

“Nós não somos um partido que quer apenas viver e participar da eleição. Nós estamos projetando a nova geração de brasileiros. Queremos levar ideias, projetos e sonhos para uma nação mais justa, fraterna e soberana”, garantiu.

Para conferir a íntegra do vídeo de Lupi, clique aqui.

Ciro Gomes, por sua vez, gravou um vídeo especial por conta dos 41 anos da fundação do PDT lembrando a trajetória política de quadros históricos do partido e do Trabalhismo, como Getúlio Vargas, líder inconteste da Revolução de 30, que mudou a cara do Brasil; Alberto Pasqualini, ideólogo do Trabalhismo brasileiro; Leonel Brizola, Abdias do Nascimento e Darcy Ribeiro, entre outros. Assista a íntegra do vídeo de Ciro:

O FIO DA HISTÓRIA

O Partido Democrático Trabalhista foi fundado em 26 de maio de 1980 por Leonel Brizola após ter perdido para Ivete Vargas a luta pela sigla histórica dos trabalhistas, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), fundado por Getúlio Vargas e líderes sindicais na década de 40. Perda determinada pelo então ministro e general Golbery do Couto e Silva, via manobras junto aos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) porque Golbery considerava Brizola – recém chegado ao Brasil após 15 anos de exílio imposto pela ditadura de 1964 – um adversário  poderoso que precisava ser combatido com vigor, antes que se fortalecesse politicamente e viesse a criar problemas – ainda nos anos da abertura lenta e gradual comandada pelo general Geisel.

Em junho de 1979, ainda exilado, Brizola promoveu em Lisboa, juntamente com socialistas ligados a Mário Soares, o “Encontro dos trabalhistas do Brasil com trabalhistas no exílio”, onde juntou refugiados que viviam em 12 países da América e da Europa para rediscutir a refundação do PTB de Vargas, juntamente com 80 trabalhistas vindos do Brasil. Ao final dessa reunião, foi anunciada a CARTA DE LISBOA, documento que continha as bases programáticas do PTB que Brizola pretendia fazer reviver no Brasil, na redemocratização que se anunciava, que em sua nova fase deveria nascer comprometido além do Trabalhismo – com o “socialismo democrático”.

Retornando ao Brasil em setembro de 19779, beneficiado pela anistia decretada no mês anterior, Brizola fez questão de retornar ao Brasil via Foz do Iguaçu, dirigindo-se imediatamente para São Borja, no Rio Grande do Sul, terra onde nasceram e estavam sepultados os presidentes Getúlio Vargas e João Goulart. Imediatamente após sua volta Brizola se engaja na reconstrução do PTB, mas com a ajuda de Golbery, Ivete Vargas consegue o controle da sigla ao final de batalha jurídica que só terminou em maio de 1980, quando o TSE dá à Ivete  a posse da legenda.

Brizola e aliados imediatamente anunciam a fundação do PDT para continuar a trajetória política do velho PTB incorporando novas demandas da época, assim o PDT além de trabalhista, se declarava socialista, anunciando em seu manifesto a “defesa da democracia, do nacionalismo e do socialismo”. No programa o PDT elegeu  sete pontos prioritários de atuação: assistência à infância e aos jovens; defesa dos interesses dos trabalhadores, das mulheres, das populações negras, das populações indígenas e da natureza brasileira, e recuperação de concessões feitas a grupos estrangeiros, “lesivas ao patrimônio e à economia nacionais”.

A comissão diretora nacional foi constituída por dez nomes: Leonel Brizola, Doutel de Andrade, Lidovino Antônio Fanton, Alceu Colares, José Frejat, Benedito Cerqueira, Susana Thompson Flores Pasqualini, José Guimarães Neiva Moreira, Antônio Guaçu Dinaer Piteri e Darci Ribeiro. O registro definitivo do PDT foi concedido pelo TSE em novembro de 1981.

A primeira eleição realizada no país para governador, ainda na ditadura, em 1982, teve cinco partidos concorrendo a governos estaduais, prefeituras, Congresso Nacional, assembleias legislativas e câmaras municipais – após a extinção dos dois partidos criados na ditadura, o MDB e a Arena, com a extinção dos partidos criados a partir de 1945.

Para garantir a maioria que dispunha no Congresso, os donos do poder adotaram o voto vinculado, que obrigava o eleitor a votar em todos candidatos de um mesmo partido. Mas a medida, que visava beneficiar o PDS, o novo nome da ARENA da ditadura, acabou por beneficiar o PDT e Brizola no Rio de Janeiro, que na época, recém fundado, ainda estava fraco e incipiente – bem organizado apenas em dois estados, os dois onde Brizola era mais forte: Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

No Rio de Janeiro, o PDT apresentou o próprio Brizola como candidato ao governo do estado — tendo Darci Ribeiro como candidato a vice — e Roberto Saturnino Braga, egresso do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), como candidato ao Senado. Concentrando-se na região metropolitana, Brizola e os candidatos do PDT pautaram sua campanha por críticas aos governos estadual e federal, marcando sua postura oposicionista.

Brizola derrotou Moreira Franco, candidato do Partido Democrático Social (PDS), não sem antes enfrentar uma tentativa de fraude eleitoral pela empresa Proconsult, encarregada de processar os votos. A fraude consistiria na transformação dos votos de Brizola em brancos e nulos. Descoberta a tempo pela Rádio Jornal do Brasil, a manobra foi evitada, e o PDT obteve sua primeira vitória eleitoral expressiva: o governo do estado do Rio de Janeiro, o único estado conquistado pelo partido em 1982.

Puxando a votação por força do voto vinculado, Brizola acabou por proporcionar ao PDT uma expressiva bancada de parlamentares no estado do Rio de Janeiro. Saturnino Braga elegeu-se senador — foi também o único eleito pelo partido em todo o Brasil — e, além disso, o PDT fez 16 deputados federais e 24 deputados estaduais. Em todo o país o partido elegeu 23 deputados federais (sendo sete no Rio Grande do Sul) e 36 estaduais, 22 prefeitos e 556 vereadores. Ressalte-se que, por força de sua insuficiente organização no plano nacional, o PDT deixou de concorrer às eleições em 12 estados da Federação.

Ainda pelo PDT, Brizola disputaria duas eleições presidenciais – as de 1989 e as de 1994; e a vice-presidência da República, em 1998, tendo Luis Inácio Lula da Silva, como cabeça de chapa. A preocupação de Brizola, desde a sua volta ao Brasil em 1982, sempre foi combater o modelo econômico em benefício dos mais ricos, desde a instauração da ditadura em 1964; modelo que agravou-se de acelerou com a política neoliberal de Fernando Collor de Mello; aprofundada ainda mais por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e que, de certa forma, continuou prevalecendo no governo Lula ponto do Diretório Nacional do PDT, em dezembro de 2003, sob a liderança de Brizola – sair da base de apoio do governo Lula por 147 votos a três.

Essa reunião foi conduzida por Carlos Lupi, então vice-presidente nacional da sigla, e presidida por Brizola. Segundo Brizola, a decisão de rompimento com o PT justificava-se pelos “caminhos tortuosos” assumidos pelo Partido dos Trabalhadores no Poder, em conflito como os que assumiu em campanha. Na ocasião, a proposta de independência e afastamento do governo Lula foi apresetada pelo deputado Vieira da Cunha, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, que a justificou de viva voz e foi aplaudido de pé por todo o Diretório Nacional.  Brizola, ao justificar o rompimento, argumentou: “O presidente Lula está rezando na cartilha de Fernando Hernique Cardoso, adotando o mesmo governo neoliberal e por isso não podemos continuar apoiando um governo eleitor por nós para fazer exatamente o contrário”, argumentou Brizola, ao cobrar do ex-deputado Vivaldo Barbosa que ele, e todos os demais integrantes do PDT que ocupavam cargos no governo do PT, entregassem seus cargos.

Na reunião, Brizola antes argumentaria, antes da proposta ser aprovada pelo Diretório Nacional por esmagadora maioria, referindo-se ao primeiro aniversário do PT no poder, que “tudo que está aí já fracassou, como fracassou o neoliberalismo”. Explicou que ele dizia isto porque “tenho autoridade para dizer isto porque fizemos o possível para ajudar o PT, tenho a consciência tranquila. Apoiamos o PT na eleição, demos os nossos votos para Lula – que fez carreira em nossa história, nos imitando, nos copiando. E sempre com a intenção de se desfazer das nossas origens”.

Em junho de 2004 Brizola morre e é substituído na presidência do partido por Carlos Lupi e se mantém na oposição ao governo do PT até o final do primeiro mandato de Lula, na presidência. Quando Lula disputa a reeleição, antes de se definir, o PDT exige que ele assuma compromissos programáticos através de uma carta dirigida ao Diretório Nacional do partido e só então o PDT decide apoiá-lo em seu projeto de reeleição.

(Fontes: CPDOC, Jornal Do PDT, N° 21, fevereiro de 2004)

 

O deputado Paulo Ramos (PDT-RJ), também gravou mensagem alusiva a data:

 

Leia ainda:

Leia a ata de fundação do PDT onde se discutiu o nome do partido e sua 1a. direção