PDT e PC chinês discutem o futuro da América Latina e do Caribe

Desenvolvimento social e fortalecimento democrático pautam discurso de Lupi em fórum internacional

*Por Bruno Ribeiro

No III Fórum entre o Partido Comunista da China (PCCh) e entidades políticas da América Latina e Caribe, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, defendeu agenda integrada para promover os desenvolvimentos social e econômico, além do fortalecimento democrático dos países da região. O encontro, virtual,  com representantes do Comitê Central do PCCh ocorreu nesta quarta-feira (1/12).

“Nós precisamos ter intercâmbios mais fortes com a China para absorver suas ações exitosas. Assim, ampliaremos o combate às profundas desigualdades no Brasil e na América Latina. Que essas relações sejam cada vez mais aprimoradas e aprofundadas”, disse Lupi no evento, que foi iniciado ontem (30) e também contou com a presença do secretário-geral nacional do PDT, Manoel Dias.

Para o pedetista, o país asiático é “exemplo para o mundo” e, na pandemia, comprovou todo o potencial acumulado em um modelo alternativo ao capitalismo.

“Vamos unir os povos e governos, que estão preocupados com o bem-estar social, para tirar o povo da miséria e lutar contra as forças reacionárias, principalmente vinculadas ao sistema financeiro”, acrescentou, ao criticar o governo brasileiro liderado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Shen Beili, vice-ministra do Departamento Internacional do Comitê Central do PCCh, evidenciou o potencial das relações entre os países americanos e asiáticos para alterar o cenário existente.

“Apostar no diálogo em vez do confronto e a inclusão no lugar da exclusão. Os partidos estão assumindo, com coragem, a busca da felicidade dos nossos povos e o progresso da humanidade”, garantiu.

“Isso inclui a incorporação da cooperação entre os partidos para troca de experiências, que são marcadas pelo respeito mútuo”, detalhou.

Ao afirmar que a “democracia popular” é um valor comum e representa que o “povo é o dono do país”, o subdiretor-geral do Primeiro Departamento de Pesquisa do Instituto Central de História e Documentação do PCCh, Zhang Hefu, enalteceu o respeito às leis, processos – incluindo as eleições – e instituições como fatores essenciais para garantir a soberania nacional e a evolução das nações.

“O conceito de democracia popular, defendido por Xi Jinping [presidente da China e secretário-geral do PCCh], coloca o povo no centro ao defender seus interesses. Isso mostra a missão e convicção do PCCh. Incorporar, portanto, as vontades do povo para encontrar progressos de forma ampla, plena e sólida”, relatou.

Diretor-geral do Centro de Conhecimento da China para o Desenvolvimento Internacional, Zhao Changwen, salientou que o PCCh, desde a sua criação, “tem como missão o desenvolvimento e independência do seu povo.”

“Atender às necessidades populares para uma vida melhor é um propósito do partido e do Estado. Xi Jinping aponta que o povo é a pátria”, declarou.

Detalhando o enfrentamento realizado pela China para superar obstáculos locais e globais, como a pandemia, o representante chinês reafirmou o interesse do partido de colocar o povo “no centro”.

“Os objetivos ambiciosos demandam contribuições comuns do povo. É expandir o caminho dos países em desenvolvimento para a evolução com justiça, liberdade e igualdade”, comentou, ao referenciar a demanda complementar por governança e infraestrutura.

Ao final de dois dias de debates, que também contaram com contribuições de membros da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) – ligada à Organização das Nações Unidas (ONU) – e da Conferência Permanente de Partidos Políticos da América Latina (COPPPAL), o diretor-geral para América Latina e Caribe do Departamento Internacional do Comitê Central do PCCh, Wang Yulin, anunciou a formulação de uma declaração, referendada por partidos, organizações sociais e do terceiro setor, sobre a “exploração independente do caminho do desenvolvimento democrático e a promoção de progresso conjunto”.