PDT e mais oito partidos avançam na construção de atos comuns contra Bolsonaro

“Nossa pauta é o impeachment já”, explicou Lupi ao final da reunião em Brasília – na entrevista coletiva

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, se reuniu nesta quarta (15/9) em Brasilia, na Câmara dos Deputados, com os dirigentes de mais oito partidos com o objetivo de construir uma frente ampla pelo impeachment de Bolsonaro. Além de Lupi participaram da reunião os presidentes da Rede, PT, PSB, PV, PSOL, Solidariedade, Cidadania, PSB, CUT e Força Sindical. Ao final do encontro, duas datas foram fechadas para protesto conjunto: 2 de outubro e 15 de novembro.

“A hora é de unir todos que estão inconformados com os rumos que esse governo está conduzindo nosso país. Nossa pauta é o impeachment já de Bolsonaro e esperamos reunir o maior número de pessoas possíveis para mostrar que nossa democracia é muito maior do que este profeta da ignorância imagina”, disse Lupi ao final da reunião que contou também com a presença de vários deputados, entre eles André Figueiredo (PDT-CE).

Carlos Lupi explicou que os  representantes dos partidos ali reunidos também estão mantendo conversações com PSD, DEM, MDB e Novo para que se unam ao grupo e passem a defender o impeachment, mas nada está decidido embora algumas decisões já tenham sido tomadas por conta do ato programado para o próximo dia 2 de outubro.

“Nossa ideia é que a mobilização seja nacional. Pela manhã, nos estados, nas cidades, e à tarde, na Avenida Paulista, onde todos os representantes partidários estarão reunidos”, explicou o presidente nacional do PDT. Na coletiva também estavam presentes os presidentes do PSB, Carlos Siqueira; do PT, Gleisi Hoffmann; do PSOL, Juliano Medeiros; do PCdoB, Luciana Santos; do Cidadania, Roberto Freire; do PV, José Luiz Penna; do Solidariedade, Paulinho da Força, e o porta-voz da Rede, Wesley Diógenes.

“Basta, chega, precisamos ir às ruas!”, frisou Lupi, assinalando que nas manifestações serão respeitados os protocolos de segurança contra a Covid-19.

“Nós precisamos fazer o impeachment já desse profeta da ignorância porque corremos risco de não ter nem eleição. Não adianta fazer campanha para 2022 com esse aprendiz de ditador na presidência da República”, alertou Lupi.

Sobre a crise institucional gerada pelo bolsonarismo, o pedetista chamou a atenção para a gravidade das articulações do Palácio do Planalto em prol da ruptura democrática, conforme ficou provado na organização dos atos do 7 de Setembro.

“Hoje, vivemos um dos momentos mais graves da República brasileira. Nós temos um presidente de plantão, que apelidamos de profeta da ignorância, que tenta manipular a sociedade em cima de uma pauta de costumes odienta, que alimenta o ódio, o uso de armas no lugar da compra de alimentos; e estimular conflitos entre os Poderes”, pontuou. Segundo Lupi, não importa a quantidade de gente que vá às ruas pelo impeachment, o importante é que todos estejam unidos em torno desse objetivo.

Legendas de centro-direita que possuem bancadas significativas na Câmara dos Deputados permanecem indefinidas sobre a saída do presidente ou já se declararam contra a ideia. Partidos que chegaram a ensaiar um descolamento do Planalto após as manifestações de raiz golpista no 7 de Setembro acabaram tirando o pé do acelerador após a carta retórica de Bolsonaro escrita em parceria com o ex-presidente Michel Temer (MDB) que aparentemente garantiu sobrevida ao governo, pelo menos nas críticas da grande midia.

A avaliação dos dirigentes presentes ao encontro desta quarta, contudo, foi a de que é preciso abrir espaço nas manifestações a todas as organizações que concordarem com a bandeira do “fora, Bolsonaro”. A prioridade agora é turbinar a pressão das ruas sobre os parlamentares.

A presidente do PT, Gleisi Hofman, disse que as legendas se somarão aos movimentos sociais e centrais sindicais “por emprego, renda e contra a carestia”. Já o presidente do PSOL,  Juliano Medeiros, disse ue “a ideia é reunir todas as organizações que queiram se somar a mobilizações conjuntas,  sem vetos. Não se trata de um ato só da esquerda ou só da direita, mas de uma convocação pelo ‘fora, Bolsonaro”, afirmou ao jornal “Folha de São Paulo”.

(por Bruno Ribeiro, com mídia e redes sociais)