Paulo César Lima: “Brasil é único país que exporta óleo e não se beneficia”

Documentário da FUP e da Anapetro explica porque atual política de preços da Petrobrás prejudica o Brasil

“O pré-sal do Brasil tem os campos de petróleo mais produtivos do mundo – melhor até do que os da Arábia Saudita – mas os brasileiros não sabem e não se beneficiam disso. O povo brasileiro é o único do mundo que mora em país exportador de petróleo e não se beneficia desta riqueza que lhe pertence”. A afirmação é de Paulo César Ribeiro Lima, doutor em engenharia pela Universidade de Cranfield, na Inglaterra, um dos especialistas entrevistados no documentário intitulado  ‘A Mentira como Combustível, a verdade sobre a Petrobrás’  – recém lançado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobrás (Anapetro).

O tema central do vídeo é a política de preços da Petrobrás – dolarizando no mercado interno o preço internacional dos combustíveis – e o impacto dessa política adotada em 2016 pela Petrobrás  na vida dos brasileiros.  Hoje para o brasileiro abastecer o tanque do carro com 35 litros gasolina é obrigado a comprometer 25% do salário-mínimo, enquanto em países como Estados Unidos, Itália e Argentina – esse percentual varia entre 3% e 6,2% .

O objetivo do documentário é explicar aos brasileiros, de maneira didática, o real motivo dos sucessivos reajustes dos preços dos combustíveis desde a adoção no mercado interno, pela Petrobrás, da dolarização do preço dos derivados de petróleo.

“A gestão atual da Petrobrás serve ao mercado financeiro. E o mercado financeiro não ouve o choro da criança com fome, não ouve a dona de casa que não tem dinheiro para comprar o seu botijão de gás e se queima ao usar a lenha para cozinhar”, comentou o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, um dos entrevistados no documentário que tem cerca de 20 minutos de duração e está disponível no canal do Youtube da FUP e da Anapetro.

O presidente da Anapetro, Mário Dal Zot, destaca no vídeo que os atuais gestores da empresa criada por Getúlio Vargas para abastecer o Brasil tem feito tudo ao contrário das demais empresas petrolíferas existentes  no mundo.

“As petrolíferas estrangeiras estão de olho não só no petróleo da Petrobrás, mas também em sua tecnologia”, afirma ele. Dal Zot fala também sobre o preço de paridade de importação (PPI) adotado pela Petrobrás em 2016, atrelando o preço dos combustíveis ao dólar e ao valor do barril no mercado internacional, sem levar em conta os custos nacionais de produção.

“Os principais produtores de petróleo e derivados do mundo não adotam esta política de preços. Esta política só se justificaria se o Brasil não fosse em um país produtor de petróleo”, afirmou Dal Zot no filme.

Ainda de acordo com Dal Zot, os atuais gestores da Petrobrás alegam que tem de importar parte do diesel e do gás de cozinha consumidos no país, sonegando a informação de que não utiliza as refinarias da Petrobrás em sua capacidade máxima de produção. O fator de utilização dessas refinarias, atualmente, é da ordem de 75% de sua capacidade de produção – para facilitar a vida das empresas estrangeiras interessadas em se apossar do mercado brasileiro de combustíveis. E isso abre caminho para os importadores – que pressionam sempre por mais e mais aumentos, alegando “competição”.

Assim, ganham os importadores, perde a população brasileira – explica um resumo do documentário feito pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), em seu blog.

Este aumento nos preços dos derivados é perverso e atinge diretamente o bolso de brasileiros como o motorista de caminhão Balbino Soares, um dos personagens do documentário.

“Está difícil, porque está tudo caro, né? O frete aumentou demais, devido ao aumento do petróleo. Eu trabalhava todo dia, sempre tinha serviço. Na semana passada eu passei a semana toda ‘colado’, não fiz um frete”, lamentou ele.

Os reajustes também prejudicaram quem trabalha como motorista de aplicativos, que não consegue mais sustentar as despesas do automóvel. É o caso de Francisca Pereira, outro entrevistado,  que há três anos fazia as suas corridas com um veículo alugado.

“Eu conseguia pagar o aluguel do carro, conseguia manter o carro com combustível e com todas as manutenções e tirava uma grana razoavelmente boa. Hoje, não”, lamenta ela.