Rodrigo Neves é o novo reforço do PDT no Estado do Rio

Por Apio Gomes

Em O 18 Brumário de Luís Bonaparte, assim o mestre Karl Marx, inicia seu texto que interpreta a segunda Revolução Francesa: “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

Este complemento, marxista, depois de um século e meio, ainda permanece absoluto para definir as voltas que a roda da História dá, em sua translação permanente, desde a primeira sociedade de Homo sapiens.

Na segunda metade do século passado, o militar e político Juracy Magalhães (primeiro presidente da Petrobras e governador de Minas Gerais), nomeado, pelo general Castelo Branco, embaixador brasileiro nos Estados Unidos, pronunciou a célebre frase: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

Esta frase virou, para a esquerda brasileira, uma espécie de fantasma, sempre perseguindo não só o Brasil, mas os povos-irmãos latino-americanos, durante as inúmeras noites de terror que se nos abateram, desde o pós-guerra.

Dentre os políticos que retornaram, e se juntaram aos que resistiram à ditadura civil-militar brasileira, uma voz, indômita, sempre se destacou: a de Leonel Brizola.

Brizola não deixava em branco qualquer oportunidade que se lhe aparecia – na realidade, qualquer lapso de tempo que fosse – para questionar e denunciar aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíam para que esta frase do embaixador sobrevivesse.

Quando a grande imprensa fechou-lhe as portas, reinventou-se com os tijolaços. Nestes espaços, Brizola não apenas formalizava suas denúncias: esclarecia a população, como o fez, em 20 de junho de 1993, em Os novos exércitos, do qual transcrevo os parágrafos iniciais:

“Se quiséssemos caracterizar estes últimos decênios da história humana, sem dúvida, deveríamos chamá-los de idade da mídia, dos meios de comunicação – a propaganda, os jornais, as revistas, as agências e os sistemas de rádio e televisão. Nestes tempos, vem sendo a mais poderosa arma de dominação dos povos; isto é: a servidão consentida, através da mente humana. Tão poderosa que foi capaz de vencer e desintegrar um gigante como a União Soviética. // As máquinas de comunicação, que conquistam e impõem sistemas de dominação e exploração das nações ricas sobre as pobres, são os exércitos e armadas destes tempos. Têm o poder de criar um ambiente no qual o falso parece verdadeiro”.

Sobre Roberto Marinho, escrevera dez dias antes: “Não há juiz, nem tribunal que consiga me condenar. E se condenar, eu derrubo a sentença. Depois, é depois. Este deve ser, no fundo, o pensamento do Sr. Roberto Marinho. Do contrário, ele não cometeria tantas violações e nem tantos abusos de poder, como os que comete, todos os dias, contra a honra e a dignidade alheias e, principalmente, contra os interesses do País e do povo brasileiro”.

Mas a roda da História continua em seu giro para provar a frase de Marx; e, desta vez, veio entre nós através do futebol – o esporte das multidões, usado, contra nosso povo, como um item de alienação, pelo menos em uma Copa do Mundo. A de 1970, para ser mais exato.

Por isto, é motivo de orgulho para todos nós, pedetistas, a representação protocolada pelo PDT – junto com o PT e o PSOL – na Procuradoria-Geral da República para que a Globo seja investigada pelos crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro, decorrentes do pagamento de suborno em contratos para a transmissão de eventos esportivos; além de acionar outros órgãos federais.

É o espírito de Leonel Brizola que vai fazer com que, pela primeira vez, a frase “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil” adquira um sentido positivo para todos nós – povo brasileiro.