“O pior para o Eduardo Paes será me encontrar no segundo turno”, diz Martha ao UOL

Em empate técnico nas pesquisas de intenção de voto com o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), a deputada estadual Martha Rocha (PDT) tenta virar votos e convencer os eleitores de que é a candidata com maior chances de enfrentar o líder nas pesquisas, Eduardo Paes (DEM), no segundo turno. Por volta das 10h30 deste sábado (14), Martha fez campanha na feira da Ribeira, na Ilha do Governador (zona norte) em seu último dia de campanha eleitoral para a Prefeitura do Rio. Em entrevista ao UOL, criticou os ataques feitos a ela por Eduardo Paes durante a campanha e provocou: “O pior que pode acontecer para o Paes será me encontrar no 2º turno”, disse.

Sem se preocupar com as pesquisas, a candidata se projeta na próxima fase da campanha. “Não me preocupo pensando se vou ou não vou chegar. Sou uma pessoa de fé”, disse, “no 2º turno, os candidatos terão o mesmo tempo para apresentar propostas para o Rio”. Martha distribuiu santinhos e conversou com eleitores na feira. Em seguida, seguiu em carreata pela zona norte. No começo da tarde, fará campanha no Norte Shopping, no Cachambi, também no inicio da tarde. A noite participará de uma bandeirada final na Lapa, no Centro do Rio.

Martha também defendeu a participação das polícias Federal, Civil e Militar nas ações da Prefeitura para o combate efetivo à expansão imobiliária das milícias cariocas. Ao comentar hoje a mobilização de tropas estaduais em apoio ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para garantir que grupos criminosos não tentem influenciar as eleições de amanhã, Martha Rocha afirmou que só uma atuação firme e combativa poderá livrar as comunidades e a política do jugo de milicianos.

—A milícia hoje é uma milícia empreendedora que está aí na construção ilegal, em via de regra, invadindo e destruindo áreas de preservação ambiental. Então, o gabinete de gestão tem que contar com a presença de Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público, dos órgãos de controle da prefeitura, de órgãos do meio ambiente. Só assim, com um trabalho integrado e de inteligência, a Prefeitura pode e deve ajudar na solução deste problema.

A delegada também comentou as ameaças que vêm sendo feitas a candidatos no estado e às execuções ocorridas nos últimos meses:

— Sobre estes crimes praticados contra políticos é fundamental que a Polícia Civil esclareça qual é a motivação, se esta motivação é uma motivação política ou se vem de outra esfera de atuação. Também considero importante a atuação do TRE-RJ e da polícia em âmbito estadual para garantir o direito democrático ao voto, sem a influência criminosa de ninguém — afirmou.

Durante carreata neste sábado (14-11), acompanhada de seu vice, o produtor cultural Anderson Quack, Martha Rocha fez um balanço sobre a campanha e comentou sobre experiência de conversar diretamente com os eleitores sobre os problemas da cidade e o que esperam de quem for comandar a prefeitura carioca.

— A nossa avaliação é a melhor possível. Quack e eu temos andado nos mais diversos cantos do Rio, ouvindo muitos moradores, somos muito bem recebidos em todo o tempo e caminhar pelo rio e conversar com moradores nos mostrou quais são as aflições, nos mostrou que esta eleição ela é importante para tirar o Rio deste estágio de abandono, então nossas perspectivas e expectativas são as melhores possíveis.

A delegada contou que ela e Quack fizeram uma campanha digna, sem baixarias e voltada para atender os anseios do eleitorado carioca:

— Nós fizemos a campanha que idealizamos, uma campanha de caminhar na rua, apresentar nossas propostas e ouvir as angústias da população. Nós fizemos aquilo que nós nos propusemos que foi fazer uma campanha de propostas, sem baixaria, uma campanha de respeito ao carioca, apresentando aquilo que pretendemos realizar.

Sobre os ataques que vem sofrendo, principalmente na internet, com fake news apócrifas, Martha Rocha criticou a campanha que vem sendo feita pelos apoiadores de Eduardo Paes. Ela frisou:

— Em seu horário de televisão, o ex-prefeito perdeu mais tempo me atacando, criando fake news, do que apresentando suas propostas. O desespero do Paes é me encontrar no segundo turno, porque segundo turno é outra eleição, o tempo é igual para os dois candidatos.  E a gente estará em igualdade de condições para apresentar as nossas propostas. Para permitir que o carioca escolha o que deseja para a cidade do Rio de Janeiro.

Ao defender sua candidatura, Martha lembrou que está na vida pública, seja como servidora, seja como parlamentar, há quase quarenta anos e que tem orgulho do trabalho que realizou como policial e que realiza hoje como deputada estadual.

— Eu estou no meu segundo mandato como deputada estadual, eu sou uma deputada atuante, presente em todos os temas. Participo de várias comissões, tenho uma postura muito firme. Recusei os R$ 26 mil de verba de gabinete, pago os custos de telefone, de mídias sociais. Por abrir mão de privilégios, gerei uma economia de mais de R$ 500 mil para o parlamento. Eu só tenho da Alerj a estrutura física, o resto é nossa responsabilidade.  Efetivamente eu sou uma parlamentar de decisões firmes. Votei pela manutenção da prisão de Picciani, de Paulo Mello, na operação Cadeia Velha, e eu votei pela manutenção da prisão na Operação Furna da Onça — afirmou a deputada.

Ao responder a principal crítica que lhe fazem o prefeito e o ex-prefeito sobre a falta de experiência em gestão, Martha reagiu.

— Esta cidade está cansada de malandros e incompetentes. O ex-prefeito fala que é preciso ter experiência; eu não quero ter experiência que ele tem de mandado de busca na casa dele, eu não quero ter a experiência de estar concorrendo com liminar, eu não quero ter a experiência de ter feito uma obra de mais de R$ 40 milhões e morrer um gari e um engenheiro — afirmou, fazendo referência a construção da Ciclovia Tim Maia, que teve um trecho desabado poucos meses depois de inaugurada. “Eu tenho experiência em gestão e tenho capacidade de articulação na área da política”, concluiu.

Ela também se posicionou sobre o avanço da crime organizado durante a campanha eleitoral, retratado pelo UOL na série “Milícia nas urnas”, que revelou denúncias de áreas com candidatos ligados ao crime e ao menos oito atentados, deixando três mortes. “A polícia precisa esclarecer esses casos para saber se foram crimes políticos ou se tiveram outras motivações”, analisou. Martha relembrou quando o seu carro foi alvo de uma emboscada em janeiro de 2019 na Penha, zona norte do Rio. “E eu estava com a minha mãe de 89 anos no carro”, contou. Na ocasião, o seu motorista foi atingido por um tiro no tornozelo.

Ela também fez críticas à gestão de Crivella no combate à milícia, suspeita de envolvimento em construções irregulares de prédios. E citou a tragédia causada pelo desabamento de dois edifícios irregulares na comunidade da Muzema, que deixou 24 mortos. “A milícia faz construções irregulares em áreas de preservação ambiental. Não é possível que o prefeito [Marcelo Crivella] não soubesse disso”, argumentou.

Na tarde deste sábado, 14/11, o youtuber Felipe Neto postou em seu Twitter uma mensagem dizendo que a esquerda deveria se unir em torno da candidatura de Martha Rocha (PDT) ao invés de usar de outras estratégias eleitorais, como não votar, exemplo que ele deu.

Imediatamente após a postagem de Felipe Neto, o nome de Martha Rocha entrou entre os assuntos mais citados do Twitter. Martha, logo em seguida, respondeu a Felipe Neto.

Fontes: Herculano Barreto Filho, do UOL; Ascom da candidata