Livro de Juliana Brizola e Rejane Guerra fala sobre a infância de Brizola

 

Por Ana Cláudia Guimarães

Vinte e cinco anos depois, uma entrevista inédita de Leonel Brizola (1922-2004), descoberta pela neta do Caudilho, a deputada Juliana Brizola, vai virar livro. “Leonel Brizola depoimento inédito: juventudo e lutas”, escrito pela deputada Juliana Brizola (PDT-RS) e pela jornalista Rejane Guerra sairá pela Letra Capital, no dia 22 de janeiro de 2022. Na data, o político faria cem anos.

No livro, que mantém a oratória única de Brizola, com as suas finas ironias, mostrará fatos marcantes contados pelo próprio político, como a infância muito pobre. Ele conta, por exemplo, que quando era criança, costumava ir para a porta de uma escola para observar os estudantes com uniforme, bem agasalhados, merendando no recreio. O político lembrava que não tinha sapato e que os pedacinhos de gelo, no inverno, cortavam o seu pé. Foram muitas dificuldades até passar para Engenharia na UFRGS.

“Ele entrou em um colégio chamado Julio de Castilhos, muito reconhecido no Rio Grande do Sul, e percebeu que existiam dois grupos de alunos: os comunistas, que recebiam jornais da URSS e tudo sabiam,  e os “punhos de renda”, que eram filhos dos ricos, que exercitavam brilhante oratória. Brizola não se sentia a vontade com nenhum dos dois grupos. Porém, ao ver uma passeata de apoio a Getúlio Vargas, onde cartazes defendiam o direito ao trabalho, se identificou na hora e concluiu alí que era um trabalhador. Como ele, o seu grupo formado por um cabo, dois soldados e um funcionário da Varig trabalhava o dia inteiro e estudava à noite. . Seus colegas eram aqueles que trabalhavam de dia e estudavam à noite. Ele entrou naquela passeata e nunca mais saiu. Brizola dizia que não. era nem comunista, nem punhos de renda. Era trabalhador”, conta Rejane Guerra.

(fonte: Coluna do Anselmo, O Globo)