No RJ, Ciro enfatiza união das forças democráticas pelo impeachment

Com Carlos Lupi e Rodrigo Neves, presidenciável do PDT apoiou mobilização que pressiona Arthur Lira

*Por Bruno Ribeiro/OM

Ciro e Lupi na Cinelândia.

O pré-candidato a presidente da República pelo PDT, Ciro Gomes, enfatizou a a importância das forças democráticas se mobilizarem e pressionarem a Câmara dos Deputados pelo impeachment de Jair Bolsonaro, no ato unificado organizado por cerca de 20 partidos que ocorreu neste sábado (2), no Centro da cidade do Rio de Janeiro. O ato também contou também com a participação do presidente nacional do PDT,  Carlos Lupi, e do pré-candidato do partido ao governo fluminense, Rodrigo Neves, que foi um dos oradores no palanque pluripartidário da Cinelândia – e que também defendeu, com enfase, a necessidade de união da esquerda para conseguir o impeachment de Bolsonaro.

Segundo Ciro, a força dos brasileiros unidos  pelo impeachment é fundamental para o sucesso da empreitada.

“Bolsonaro é um criminoso repetido que atenta contra a democracia e mata centenas de milhares de pessoas”, disse. Ciro também falou sobre os empecilhos para o avanço do impeachment dentro do Congresso Nacional. “Nós da oposição, no Congresso, somos apenas 120 deputados federais e precisamos de 305 votos. Precisamos tirar Arthur Lira da inércia criminosa de sentar em cima dos pedidos de impeachment”.

Ciro também destacou a contribuição e a importância de estarem na Cinelândia não só as lideranças de outros partidos progressistas – como  Cidadania, PCdoB, PSB, Psol, PT, PV, Rede e Solidariedade, de centrais sindicais – como de todos os demais que organizaram o ato, além de centrais sindicais como a  SB, a CTB e a CUT,  mais militantes dos diversos movimentos sociais presentes.  Para Ciro é urgente a união das forças políticas e do povo para afastar do poder o “genocida” que considera responsável pelas quase 600 mil mortes provocadas pela pandemia no Brasil por conta de seu discurso negacionista e anti-científico.

Reiterou que a união é fundamental a partir do alinhamento dos defensores da Constituição; deixando a disputa eleitoral e as diferenças ideológicas para 2022 – consequentemente, no segundo plano. “Fora Bolsonaro! É um grito simples que deve unir a todos os democratas desse país. […] Bolsonaro é um criminoso repetido, atenta contra a democracia, mata centenas de milhares de pessoas e não se comporta com decoro inerente ao seu cargo”, criticou abertamente.

Mas completou “Isto só vai acontecer com luta, com o povo organizado, de forma plural, generosa e deixando nossas diferenças para depois que nós protegermos a democracia e as liberdades de nosso povo”.

Ainda antes de descer do palanque, Ciro reiterou para jornalistas que era preciso deixar as diferenças para depois e focar agora na proteção da democracia. “O povo brasileiro está hoje obrigado a roer osso, a comer resto de carne podre dos açougues, sofre com o pior salário minimo do mundo, o maior desemprego, a maior carestia”, diz.

“Precisamos dar exemplo de que estamos aqui pensando mesmo no povo, pensando mesmo na democracia, e não em projetos menores”.

Pouco antes de subir no palanque, na sua chegada à Cinelândia, acompanhado de Carlos Lupi, Ciro foi hostilizado por militantes do PT que acompanharam a comitiva gritando palavras de ordem hostis.

Assista ao discurso de Ciro na Cinelândia.

Ainda na Cinelândia, palco de históricos comícios do PDT no passado recente, comandados por Brizola e DArcy Ribeiro, Lupi exaltou o legado trabalhista no Rio de Janeiro e pediu o impeachment de Bolsonaro e sua prisão por crimes de responsabilidade acumulados desde 2018.

“Foi aqui na Cinelândia onde Brizola começou a mais importante vitória das oposições, em 1982. Aqui, demos um grito pelo Brasil e vamos gritar de novo em alto e bom som: o lugar de Bolsonaro é na cadeia”, afirmou lupi.  “[Bolsonaro] Usa a Bíblia para enganar o povo. Esse vendilhão da pátria precisa ir para a cadeia. E o povo brasileiro precisa ter força para concretizar isso”.

O ex-prefeito de Niterói (RJ), Rodrigo Neves, pré-candidato do PDT a governador do Rio de Janeiro, ao discursar, falou da importância de garantir a unidade das esquerdas para defender a democracia, a soberania nacional e a justiça social.  “Nós temos uma enorme responsabilidade, que é derrotar o fascismo através da unidade. As grandes mudanças desse país aconteceram nas ruas. É dessa forma que vamos derrotar Bolsonaro”, disse, indicando a crise da pandemia do Covid-19 e o resgate do Estado após sequenciais governados desastrosos.

Praça da Cinelândia

“Bolsonaro representa a combinação de autoritarismo com ataque à democracia e implementação de uma agenda ultraliberal, que retira de direitos dos trabalhadores e deixa sem perspetivas a juventude”.

Em seu facebook, depois do ato, Rodrigo destacou:

“Hoje estive na Cinelândia no ato #ForaBolsonaro. O local foi mais uma vez o palco da luta pela democracia, soberania nacional e pela justiça social. Bolsonaro representa aquilo que há de pior para a construção do mundo pós-pandêmico, com autoritarismo, desrespeito à democracia e a implementação de uma agenda que acaba com as perspectivas da juventude e massacra a população com sua agenda ultraliberal. Ele e seu aliado, Cláudio Castro, representam a morte e a desesperança. O estado do Rio é o que possui a maior letalidade da pandemia no país e com o desemprego em um nível absurdo. Temos uma missão de fazer com que nosso estado seja o da vida e da esperança”, finalizou.

Sucesso: militância de Maricá e sua bandeira

Uma grande bandeira nas cores do PDT, levada por militantes do partido de Maricá, chamou a atenção de todos os presentes por suas gigantescas dimensões.

Os pedetistas se concentraram cedo na boca do Metrô na Estação Uruguaiana, dirigindo-se depois para a Candelária, local da concentração geral do ato, posicionando-se imediatamente no início Avenida Rio Branco, para partir de lá para a Cinelândia – onde um palanque simples foi erguido e os oradores se multiplicaram, inclusive os do PDT. Além do PDT, militantes das legendas que também defendem a candidatura de Ciro se juntaram e fizeram um número expressivos de militantes no ato de protesto.

Durante o evento no Rio, outras lideranças do PDT estiveram presentes como os deputados federais Paulo Ramos e Chico D’Angelo, os presidentes nacionais da Juventude Socialista e do Movimento Trabalhista pela Educação pedetista, William Rodrigues e Maria Amélia; do secretário nacional de Criatividade e Inovação da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP), Leonardo Lupi, e do presidente e vice-presidente do partido na capital, Augusto Ribeiro e Antônio Albuquerque. Na chegada ao local do comício, Ciro foi hostilizado por alguns militantes petistas – o que se repetiu em São Paulo.

Logo depois Ciro e Lupi seguiram para São Paulo para participar, na Avenida Paulista, do ato contra Bolsonaro que também reuniu milhares de manifestantes. Militantes do PT hostilizaram Ciro na hora em que discursava, o que não o intimidou, e no momento em que se retirava do local, acompanhado de sua mulher Gisele e Carlos Lupi, homens caracterizados como militantes do PT, segundo descrição de Lupi, tentaram agredir Ciro, a mulher e Lupi – que foram defendidos por militantes do partido – após rápida escaramuça no local.

Assista ao discurso de Ciro, na Paulista (parte 1)

Assista o discurso de Ciro, na Paulista (parte 2)

Segundo UOL, no momento em que o presidenciável Ciro Gomes (PDT-CE) começou a discursar  na Avenida Paulista  os petistas presentes começaram a vaiar e xingar. Quando o político foi deixar o local, houve tumulto e um manifestante tentou agredi-lo.

“Fingi que não ouvi”, disse ele logo após o discurso, ao deixar a manifestação. Questionado sobre se isso o atrapalhou, disse: “Procure a história do cabo Anselmo”.

Mais tarde, em vídeo, Ciro comentou as hostilidades que sofreu na Cinelândia e na Paulista, no vídeo abaixo: