Niterói e Rio se aliam por emergência climática

Municípios fluminenses passam a integrar a Aliança de Megacidades para a Água e o Clima, da Unesco

Numa ação inédita, as cidades fluminenses de Niterói e Rio de Janeiro firmaram, nesta quarta-feira (20), acordo de cooperação para defenderem agenda única de combate à emergência climática, com foco na gestão de recursos hídricos. O plano é formar uma “megacidade” para representação do setor público na Aliança de Megacidades para a Água e o Clima, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O termo foi assinado pelos prefeitos de Niterói, Axel Grael (PDT), e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, no Museu do Amanhã, no Centro da capital. Os secretários municipais de Meio Ambiente do Rio, Eduardo Cavaliere, e do Clima de Niterói, Luciano Paez, são os representantes das duas prefeituras. Além de Rio-Niterói, São Paulo é a outra megacidade brasileira.

O prefeito pedetista, Axel Grael, ressaltou que a questão do clima é, possivelmente, a mais urgente na pauta da sustentabilidade atualmente. A primeira ação unificada será na II Conferência Internacional sobre Água, Megacidades e Mudança Global, de 11 a 14 de janeiro de 2022, em Paris.

“Niterói e Rio são as duas sentinelas da Baía de Guanabara, temos muito em comum na geografia, no cotidiano das pessoas. Por isso, faz todo sentido trabalharmos juntos para prepararmos as nossas cidades para conviver com os problemas que virão. Também teremos o papel importante de chamarmos atenção para que outras cidades e partes do país caminhem junto conosco neste esforço”, disse Axel, em referência ao objetivo municipal de neutralizar as emissões de carbono até 2050.

Abrigando 61% da população da Região Metropolitana do Rio e integrantes da bacia hidrográfica da Baía de Guanabara (com quase 40% da população deste território), Rio e Niterói estarão juntas em ações e planos relacionados à pesquisa, soluções técnicas, educação ambiental, informação e políticas públicas relacionadas à gestão hídrica e mudanças climáticas.

“Esse é um momento especial porque consolida uma parceria que está virando um bom hábito. São duas cidades com geografia muito parecidas e estão nas duas pontas da Baía de Guanabara. Niterói endereçou de forma muito adiantada a questão do saneamento básico, é uma ilha em uma Região Metropolitana muito complexa. A agenda ambiental hoje é uma agenda social, porque aqueles que mais sofrem são os mais pobres e vulneráveis”, lembrou o prefeito Eduardo Paes.

Protagonista, Niterói tem a primeira secretaria dedicada exclusivamente às questões climáticas, além de desenvolver projetos voltados para educação ambiental, preservação de parques e florestas, recuperação da Lagoa de Piratininga, iniciativas de reflorestamento, controle da emissão de gases do efeito estufa, saneamento, entre outros.

O secretário municipal do Clima de Niterói, Luciano Paez, afirmou que a cidade está construindo um ato simbólico de força dentro da agenda climática:

“Vamos desenvolver um trabalho para que as próximas gerações reconheçam a sensibilidade que as duas cidades farão em gestão integrada”, garantiu Paez.

Niterói e Rio têm planos com metas ambiciosas para enfrentamento das mudanças do clima. A capital anunciou, em março de 2022, o Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática (PDS), que estabelece metas para 2030 e 2050.

No PDS, são ao todo 134 metas estabelecidas para serem atingidas até 2030, desdobradas em 978 ações, além de medidas que se esperam atingir até 2050. Um dos objetivos é alcançar, até 2030, a redução de 20% das emissões de gases de efeito estufa em relação às emissões de 2017.

FONTE: Prefeitura de Niterói