Martha sobre ‘currais’: “Vejam quem as milícias apoiam”

Entrevistada pelo jornal “O Dia” sobre os currais eleitorais existentes na cidade controlados por organizações criminosas, sejam milicianos ou traficantes, a delegada Martha Rocha, comentou: “Caminhei por vários pontos da cidade, dentro e fora de favelas e comunidades, sem ter sido impedida ou intimidada. Quanto ao teor da reportagem, o maior problema é que essas organizações criminosas criaram tentáculos na política e há décadas vêm elegendo seus representantes. E, infelizmente, essa bancada do crime tem crescido a cada eleição. Também basta ler na própria reportagem exclusiva do jornal ‘O Dia’ de quais partidos são esses representantes eleitos com o apoio de organizações criminosas. Vejam quem eles apoiam”, orienta ela.

“Quando chefiei a Polícia Civil, nós prendemos um vereador aqui do Rio que comandava uma milícia na Zona Oeste, tendo sido ele um dos suspeitos de me ameaçar de morte. Em relação à solução, está justamente nesse enfrentamento rigoroso das atividades criminosas que financiam campanhas. Como parte do poder público, a Prefeitura também tem seu papel constitucional na segurança”, argumentou Martha Rocha.

Eduardo Paes e Marcelo Crivella preferiram não se manifestar sobre o assunto, apesar da tentativa de “O Dia” em entrevista-los.

Benedita da Silva não se negou a falar: “Ninguém pode negar que o poder público, após décadas de ausência nas favelas, perdeu o controle territorial sobre muitas delas para o poder paralelo”, afirmou, destacando:

“Jamais autorizaria negociação com grupos criminosos. Não tive problemas para circular em comunidades, provavelmente pelo fato de o povo se reconhecer em mim, saber que eu vim da favela e nunca me esqueci de meus compromissos com as comunidades. Eu sempre frequentei as favelas, tenho muitos parentes e amigos em muitas delas”, explicou, frisando: “Nem por isso desconheço o problema. Ele existe, é uma ameaça à democracia e considero fundamental que o Estado garanta o direito de ir e vir, sobretudo no dia da eleição para que o voto livre não sofra qualquer restrição”, pontuou a candidata do PT.