Em convenção bastante concorrida, o Movimento de Aposentados, Pensionistas e Idosos do Rio de Janeiro (MAPI/RJ) elegeu, nesta quarta-feira (5 de agosto), sua diretoria para o biênio 2015/17, na sede da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, Centro do Rio.
A Comissão Executiva do MAPI ficou assim constituída: Maria José Latgé Kwamme e Olga Amélia S. Telles (presidente e vice-presidente, respectivamente); na secretaria-geral, Luís Carlos da Ponte e Maria da Conceição Barreiros; na tesouraria, Irapuã Carvalho dos Santos e Emerson Ocampo Lopes; na secretaria jurídica, Mara de Fátima Hofans e Jorge Ferrari; na secretaria de comunicação, Apio Gomes e Sady Henrique Chaves Motta; e o vogal Luiz da Silva Oliveira – decano e guardião do estatuto do MAPI, que não permitiu que se antecipasse, em um minuto que fosse, o término da votação, mesmo que o quórum já tivesse sido superado, em muito.
Esta comissão diretora tem, junto com os 36 companheiros eleitos membros dos conselhos (cultural, de ética, fiscal, político e previdenciário), o compromisso de defesa, incansável e sistemática, daqueles cidadãos que dedicaram suas vidas ao progresso brasileiro – em consonância ao Presidente de Honra, Afonso Celso Nogueira Monteiro (eleito junto com Leonel Brizola, dona Neusa Brizola e Cibilis Vianna – in memoriam), impossibilitado de comparecer ao ato, por estar hospitalizado, em Niterói.
A designação de Afonsinho à presidência de honra é parte integrante de uma homenagem a um filiado ao MAPI – símbolo da resistência –, que teve início, de forma espontânea, no encontro, realizado em setembro passado, para festejar o Dia do Idoso, em que se relembrou 50 anos da instauração da ditadura militar.
Neste ato, cada orador, invariavelmente, citava uma passagem de Afonso Celso naquele período; esta sucessão de lembranças teve ápice no discurso-aula de Modesto da Silveira, seu advogado – como o foi de um número incalculável de perseguidos políticos –, que pode ser sintetizado neste texto que produziu, em 2010, para homenagear os 88 anos de Afonsinho:
Afonso Celso Nogueira Monteiro: o ‘Afonsinho’ que conheci.
Tudo que eu sabia do advogado – e depois deputado do antigo Estado do Rio – era sobre seu trabalho patriótico e humanístico. Além de tudo isto, a “Pedra do Afonsinho”.
Em minhas andanças, em defesa de perseguidos políticos, durante a ditadura militar, passei por Rio do Ouro (na divisa de Niterói com São Gonçalo), onde um lavrador, emocionado, apontou-me e disse: “Aquela é a Pedra do Afonsinho!”. Era um bloco de rocha, um pouco acima de uma superfície plana em todo o entorno.
Aquele homem, aqui e ali, interrompia seu relato, tomado pela emoção, ao falar sobre as lutas, sobre as conquistas da reforma agrária: seus belos resultados naquela área, antes improdutiva, abandonada.
– “Dali ele nos informava, nos respondia, nos orientava. O resultado é este: fluminenses, nordestinos, e até filhos de japoneses vivendo com o mesmo sucesso, com a mesma dignidade…”.
De repente, ficou calado, sem voz; mas continuou apenas apontando, com seu dedo indicador, o sucesso das lavouras, dos tratores, das boas casas, suas mulheres e filhos sorridentes.
Passados poucos anos, já em 1971, fui procurado – por sua família e amigos – para ser seu advogado. Afonsinho fora sequestrado, e levado para “lugar incerto e não sabido”, como era tão comum na época. Embora preocupado com os sinais de “subversivo marcado para morrer”, fiquei honrado.
Mais tarde, comprovou-se que a suspeita era justa. Depois de algumas rápidas diligências, ficamos convencidos de que ele estaria em uma das “casas da morte”, em São Paulo. Enquanto tomávamos providências judiciárias e administrativas, no Rio, ficou decidido que, diante daquela emergência, sua mãe iria para São Paulo, bem acompanhada e orientada. Dona Pepenha era a pessoa certa para ajudar a salvar a vida de Afonso: mãe idosa, cativante, inteligente lutando pela sobrevida de seu filho.
Decisão certa: Afonsinho estava lá, sendo torturado.
Como o AI-5 acabara com o habeas corpus (em 13-12-1968) para perseguidos políticos, as providências dos advogados tinham que ser rápidas e criativas: STM, auditorias, OAB, imprensa etc. “Etc…”. Isto é, outros meios eram necessários (às vezes até mais importantes, nessa fase de emergência). Mas nós, advogados de presos políticos, tínhamos experiência; até porque vários de nós também tínhamos passado pelo sequestro político, como Sobral Pinto, Vivaldo Vasconcellos, Heleno Fragoso, Modesto da Silveira, Evaristo de Moraes, George Tavares e Augusto Sussekind, no Rio.
Afonsinho sobreviveu com profundas marcas físicas e emocionais até hoje, aos seus 88 anos honradamente vividos. Elas só desaparecerão quando ele desaparecer.
Quando dona Pepenha, eu e outros companheiros conseguimos libertá-lo, uma das primeiras providências que tomei foi a de levá-lo perante o Conselho da OAB-RJ, como sempre fazia quando meu cliente era advogado. Na sessão da OAB – depois da minha exposição e do relato de Afonsinho –, o grande jurista e ex-ministro Seabra Fagundes (pai), assim se pronunciou, emocionado, após tudo ouvir, e examinar as vastas e profundas marcas de tortura perenizadas no corpo do advogado Afonso Celso Nogueira Monteiro, o nosso amigo Afonsinho:
– “É por isso que o Brasil está se tornando tão tristemente célebre como importador, produtor e exportador do know-how da tortura”.
Mais tarde, iniciado o processo democratizador, coroando sua história de vida, o povo do Rio de Janeiro o elegeu, mais duas vezes, Deputado Estadual pelo PDT.
Terminado seus mandatos, resolveu recolher-se à sua casa, em Niterói, onde filosofa sobre a vida. Mas não para de produzir: continua dando sua contribuição ao aperfeiçoamento do processo democrático, dentro da via humanista que sempre o seduziu.
(a) Modesto da Silveira
Chapa eleita:


Presidentes de Honra:
• Leonel Brizola (In memoriam)
• Neusa Brizola (In memoriam)
• Cibilis Vianna (In memoriam)
• Afonso Celso Nogueira Monteiro
Direção Executiva:
Presidente: Maria José Latgé Kwamme
Vice-presidente: Olga Amélia S. Telles
Secretaria-Geral: Luís Carlos da Ponte – Maria da Conceição Barreiros
Tesouraria: Irapuã Carvalho dos Santos – Emerson Jatobá
Secretaria Jurídica: Mara de Fátima Hofans – Jorge Luiz Ferrari
Secretaria de Comunicação: Apio Gomes – Sady Henrique Chaves Motta
Vogal: Luiz da Silva Oliveira
Conselho de Ética: Elma Cerqueira de La Fuente (Presidente) – Ailton Pessino – Ionne de Carvalho Groff – Luiz Henrique Ferreira – Maria Luiza Oliveira – Suely Moraes
Conselho Fiscal: Célia Rocha Lupi (Presidente) – José Raimundo Tavares – Paulo Marcos Lugão – Paulo Roberto Santos – Wilson Pessino – Zeildo Simões
Conselho Cultural: Luiz Sérgio Caldieri (Presidente) – Gennaro Portugal Ciotolla – Laurinda M. Barbosa – Luiz Gonzaga Basto Jr. – Marilia Guilhermina Pinheiro – Osvaldo Maneschy
Conselho Previdenciário: Franklin de Almeida Palmeira (Presidente) – Francisco Azevedo – Francisco Mendes Soares (Chicão) – Jorge Teixeira – José Antonio Fortuna Nogueira (Barroco) – Luís Eduardo S. Maciel
Conselho Político: Trajano Ricardo M. Ribeiro (Presidente) – Alzira Leite – Antonio H. Albuquerque Filho – Antonio Prudente de Oliveira – Arildo Teles – Carolino Gomes dos Santos – Edir Inácio da Silva – Eduardo Chuahy – Francisco Soares Loureiro – Humberto Mattos de Assumpção – José Augusto Ribeiro – José Raymundo Romeo