MAPI/Associação JOSÉ MARTI: Debate e Palestra sobre Golpe de 1964 tem enorme Sucesso e Repercussão

O dia 12 de abril de 2018 entrou para a história do MAPI (Movimento dos Aposentados, Pensionistas e Idosos do PDT) com a realização do Debate/Palestra sobre o tema “1964 Nunca Mais”, realizado conjuntamente com a Fundação Cultural José Marti, que promove as Caravanas de Visitas a Cuba para promover o intercâmbio e entrelaçamento entre os dois povos que lotou o auditório Carmen Cynira da Fundação Leonel Brizola Alberto Pasqualini. O tema de evidente atualidade despertou acalorados debates não só entre os palestrantes, mas também com apartes ,perguntas e intervenções pertinentes de vários presentes, mas tudo dentro de uma condução serena e firme da mesa dirigida pela presidente do MAPI, Maria José Latgé Kwame.
A palestra foi aberta pelo cineasta e historiador Silvio Tendler, autor dos aclamados documentários sobre os presidentes João Goulart e Juscelino Kubistcheck. Tendler recordou os fatos marcantes do Governo Jango, desde a sua tumultuada posse em 7 de setembro de 1961, após a renuncia do Presidente Jânio Quadros, até sua deposição pelo golpe militar em 1 de abril de 1964. Sylvio relembrou os dias de angustia que o Brasil viveu, não só em Brasilia, mas sobretudo no Rio de Janeiro, que mal havia deixado de ser a capital federal e também Porto Alegre, onde o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, comandou do Palácio Piratini a resistência ao golpe militar dos ministros da Guerra, general Odylo Dennis, da Aeronáutica, brigadeiro Grunn Moss e da Marinha, almirante Sylvio Heck, que tão logo Jânio renunciou vetaram a posse de Jango que estava em viagem oficial à China e tentaram impor um governo fantoche, presidido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili e do Senado, Aureo de Moura Andrade, ambos do PSD de São Paulo. Prosseguiu lembrando da vitória alcançada por Brizola, que acabou obrigando o comandante do Terceiro Exército general Machado Lopes a aderir ao seu movimento de resistência ao golpe, que através da cadeia de rádio denominada Cadeia da Legalidade foi recebendo apoio popular em todo o país, com manifestações nas ruas que acabaram levando os militares golpistas a aceitar cumprir a constituição.
Mesmo com Jango ao chegar ao Brasil, via Buenos Aires, aceitando uma conciliação com as lideranças conservadoras do Congresso, urdidas principalmente por Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, impondo ao país uma mudança no regime de presidencialista para parlamentarista. Tendler ressaltou que mesmo assim, Jango com apoio popular crescente conseguiu avançar em algumas conquistas para os trabalhadores como a criação do Décimo Terceiro Salário, aprovação do Plebiscito em janeiro de 1963, com o povo por esmagadora maioria restabelecendo o presidencialismo, enviou para o Congresso os projetos das Reformas de Base. Mas ao assinar em janeiro de 1964 a lei taxando as remessas de lucros das empresas estrangeiras para o exterior, viu novamente as forças militares atiçadas pelos reacionários do Congresso e pelos governadores udenistas de Minas Gerais< Magalhães Pinto, da Guanabara (Rio), Carlos Lacerda e o corrupto Adhemar de Barros (PSP) de São Paulo, se levantarem e com apoio da grande imprensa impuserem finalmente a ditadura,frustrada em 1961, que ficaria 20 anos no poder.
Em seguida foi a vez do general da Reserva, Bolivar Meirelles, colocar em acalorado debate sua tese de que não se pode esperar das Forças Armadas, como instituições do poder, que elas em seu todo venham a se tornar em instrumento de apoio às conquistas e avanços populares, já que são doutrinadas para garantir justamente o regime das classes dominantes, do grande capital financeiro internacional, daí dizerem que são todos escravos leais de cumprimento do que determina a Constituição. O que pode acontecer ( e felizmente acontece) são surgirem em seus quadros elementos que buscam outros caminhos em defesa de nossas riquezas, de nossa soberania. Foi muito aplaudido.
Em seguida foi a vez de Anita Leocádia Prestes, filha do grande lider revolucionário comunista Luiz Carlos Prestes, falar não só sobre o Golpe de 1964 (não acabou, continua em nova versão, como agora em 2016, quando da deposição da presidenta Dilma Roussef, a prisão e condenação do presidente Lula, para impedí-lo de disputar novamente a presidência). Anita muito aplaudida reafirmou que para ela só com a conquista do socialismo o povo brasileiro alcançará sua independência verdadeira, poderá avançar nas conquistas sociais e trabalhistas.
Já o jornalista Sérgio Caldieri abordou o tema atualíssimo que é o papel da Grande Midia em apoiar o golpe contra Dilma, a perseguição ao presidente Lula, a todos os lideres progressistas. Lembrou os editoriais dos jornalões, como O Globo de Roberto Marinho, o famoso Basta, do Correio da Manhã, em abril de 64, matérias de revistas como O Cruzeiro, das infuluentes emissoras de TV e Rádios dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, a maior parte forjadas para solapar o governo de Jango e impedir as Reformas de Base.
Falaram ainda sobre o atual momento político, os deputados do PDT Chico Dângelo (federal) e Paulo Ramos (estadual). Ambos defenderam que o momento é de defesa intransigente das eleições de 7 de outubro e de cerrar fileiras em torno do programa de nosso partido e de nosso candidato a presidente da república, Ciro Gomes.
Encerrou o debate e o ciclo de palestras com o brilhantismo de sempre o nosso companheiro, advogado Trajano Ribeiro, falando sobre os dias e as articulações que antecederam o fatídico Golpe de 64, desde 1945 até o golpe, com importante fatos históricos.

Texto José Antonio Gerheim e fotos de Saddy Motta.