Manoel Dias escreve: “Getúlio Vargas, a grande liderança”

 *Por Manoel Dias

As inúmeras análises, críticas e conjecturas, que ao longo dos anos, fizeram a Getúlio Vargas seguem o paradoxo insofismável das paixões de uma figura que dividiu as narrativas que mudaram os paradigmas do Brasil.

Neste contexto observamos que à luz da História dificilmente conseguimos olhar para Getúlio com a tranquilidade que a análise merece. O despertar dos ardores e a sua visão diferenciada continuam, até hoje, a influenciar a política e os rumos da nação.

Com início na década de 1930, Vargas, o construtor do Estado brasileiro com seu tripé ideológico e suas raízes profundas: soberania nacional, direitos sociais e desenvolvimento econômico, hoje, provocam um despertar de ódio da nossa classe dominante com mentalidade colonizada, e a tentativa de desmonte das conquistas  aos longos destes 90 anos.

Desde seu suicídio em 1954 – ato extremo e único na História mundial – como manifestação de  desprendimento e de amor à Pátria, somado às denúncias e manobras das aves de rapina que não admitiam e não admitem nossa autonomia enquanto povo e enquanto nação, Getúlio Vargas continua no centro das disputas políticas, seja no seu legado com o avanço na conquista dos direitos sociais, na industrialização e no desenvolvimento nacional projetados e implantados por Getúlio ou nos resquícios restantes de nossa soberania. Todos eles têm a marca indelével da Era Vargas.

Em meio as paixões e clichês há uma constatação inconteste sobre Vargas que os mais raivosos adversários,  mais infecundos analistas concordam: sua liderança nata é aquela que marca, arrasta e perpetua.

67 anos após sua morte, nenhum Chefe de Estado, superou ou se aproximou desta liderança e deste magnetismo que ainda hoje, permeia o Varguismo. Crescente ao longo do tempo não há como não ponderarmos que a cada período histórico, Getúlio se torna maior, mais atual e mais necessário.

Ao analisarmos o último período histórico, desde a nossa redemocratização, onde o combate a Era Vargas pautou e pauta a política brasileira, seja para o bem ou para o mal, fato é que Vargas sempre esteve presente nos principais debates nacionais.

Desde Vargas nenhum outro presidente conseguiu dividir a História e se aproximou do gigantismo de sua obra de desenvolvimento nacional e direitos sociais deixados. Nenhum deles possuiu a autoridade que Vargas tinha.

Autoridade moral, este talvez seja um dos legados mais condignos à figura de Vargas: a autoridade inconteste, indubitável e indiscutível  que emanava e que fizera dele uma liderança conduzidora e mobilizadora em defesa da construção de uma nacionalidade e de uma era profundamente revolucionária e emancipadora para nosso povo. Quiçá, hoje, seja este um dos principais males de nossa política: a ausência de autoridade moral e, consequentemente, de lideranças que unifiquem, que arrastem e que projetem novas eras de progresso e de desenvolvimento.

Afinal, liderança como Vargas ainda não conhecemos.

*Manoel Dias é secretário-geral nacional do PDT e presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP).