“Trabalhismo é a saída” fecha com a defesa de nossa soberania

Heloísa Helena e Eduardo Moreira participaram do painel de encerramento do evento virtual

*Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ

A Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) do Rio de Janeiro promoveu o encerramento, nesta segunda-feira (14), do seminário “O Trabalhismo é a saída: respostas para a crise brasileira”. Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi mediou o último painel virtual sobre o “combate ao bolsonarismo e a defesa da soberania nacional” com a ex-senadora Heloísa Helena (Rede) e o economista Eduardo Moreira.

“Diálogo e mobilização das forças democráticas para enfrentar Bolsonaro, que eu chamo de profeta da ignorância”, defendeu Lupi, ao condenar propostas de reformas discutidas no Congresso Nacional, incluindo a eleitoral, que analisa a implementação do “distritão”.

Vinculando o colapso do país ao modelo econômico vigente, o pedetista repudiou o incentivo às práticas excludentes da gestão Bolsonaro. Para ele, o governo deveria ter, como prioridade, o desenvolvimento socialmente responsável.

“O câncer do capitalismo está matando a sociedade moderna. A pandemia está mostrando isso. O que está em crise é o sistema selvagem”, avaliou.

“Quando o dinheiro do Estado vai para o mercado, é investimento, mas quando é destinado ao povo, classificam como gasto. […] O que é feito para dar lucro é empresa. O Estado tem que cuidar do bem-estar da sociedade e distribuir saúde e renda”, completou.

Heloísa Helena (Rede), que também é porta-voz Nacional da Rede, indicou que a “exploração predatória” favorece o consumo e o lucro, mas as “migalhas são compartilhadas pela maior parte da população”.

“Ao longo da humanidade, as epidemias representam um feixe de luz. Em todos esses momentos, conseguimos identificar como a riqueza é construída e a profunda exploração humana. A vida como ela é”, disse.

“É este Brasil. Com o solo preparado dessa forma, germinou o Bolsonaro, que se comporta como soldado sem honra, que deixa feridos para trás. Se elegeu falando em pátria, mas é um vendilhão, um entreguista do que é estratégico”, criticou.

Para corroborar, Eduardo Moreira chamou a atenção para os bilionários que se formaram no atual período de estagnação econômica, enquanto a miséria atinge recordes sucessivos.

“No Brasil, a gente tem um Haiti maior que a Alemanha. Não existe mudança estética que resolva isso. Não é só taxar as grandes fortunas, é muito mais. É mudar a lógica”, afirmou.

“Se a mudança não for estrutural, com redistribuição de renda, não terá impacto na democracia que a gente vive. No Brasil, cada CPF não vale um voto, mas cada real”, salientou, ao concluir: “Não vamos nos apaixonar pela luta, mas pela causa. A luta não pode ser um fim, se não for inevitável, como o atual momento.”