Lupi pede à bancada do PDT no Congresso Nacional que vote pelo Fundeb e a valorização dos professores

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, alertou os deputados do partido para a importância da votação programada para esta terça-feira, 21 de julho, sobre o FUNDEB. Segundo Lupi, a manutenção do fundo é fundamental para  a educação.

“É importante que a gente se organize para cobrar de todos os parlamentares compromisso com a educação”, frisou, chamando a atenção para a necessidade de valorizar a carreira do magistério “que ajuda a educar nossos filhos”.  Lupi destacou também que como diziam Brizola e Darcy Ribeiro, “a educação liberta”. Veja a íntegra do vídeo de Lupi dirigido à militância do PDT  e aos deputados do partido no Congresso Nacional.

Veja a íntegra do vídeo de Lupi:

“Nós do PDT queremos no mínimo 70% do investimento do Fundeb nos profissionais de educação. O compromisso do nosso coração e da nossa história é a educação” #AprovaFundeb #PDTPeloFundeb #PDTpartidodaEducação

Publicado por Carlos Lupi em Segunda-feira, 20 de julho de 2020

 

Segundo o jornalista César Fonseca, de Brasília, o golpe neoliberal contra a educação básica fracassou. Em texto publicado no blog “Independência Sul Americana”,  a educação saiu ganhando. Leiam o artigo assinado por César Fonseca:

“Vitória da educação

O objetivo central do presidente Bolsonaro, do ministro Paulo Guedes e de seus ideólogos de direita ultrarradical em sua tentativa de esvaziar o Fundeb foi privatizar o ensino básico, de um lado, e desideologizar o MEC, de outro. Afinal, consideram que o Fundeb é instrumento dos comunistas que o utilizam para sustentar o que denominam de marxismo cultural. Afastar os comunistas abriria espaço para o avanço dos ideólogos terraplanistas, fundamentalistas, pentecostalistas, cuja cabeça é feita pelo guru dos Bolsonaro, dos militares e dos evangélicos, o filósofo Olavo de Carvalho.

Aliado de Steve Bannon, marqueteiro eleitoral do presidente Trump, Olavo de Carvalho opera a partir dos Estados Unidos e objetiva, essencialmente, fortalecer a ultradireita brasileira e sua aliança com Trump. Pragmaticamente, prega contra a China, maior adversária dos EUA na disputa do mercado brasileiro para o 5G, vanguarda tecnológica na indústria digital. O controle do MEC pela ultradireita bolsonarista seria estratégico para atender os interesses que envolvem em um mesmo objetivo Olavo Carvalho, Steve Bannon e Donald Trump. Vale dizer, avanço da privatização do ensino e combate à influência ideológica e geopolítica comunista chinesa.

Derrota do fundamentalismo

O governo sai perdendo na disputa com o Congresso em relação ao Fundeb. Ele queria levar 5% do total do Fundo, mas levará, apenas, 3%, dos 10% adicionais que colocou para completar a participação da União em 20%. Sem 3% do Fundo que vai para formação da chamada Renda Brasil, substituto do Bolsa Família, o Fundeb ficará com 18% a mais, distribuídos, escalonadamente, entre 2021 e 2026. O orçamento do Fundeb, que pularia dos atuais R$ 30 bi para R$ 60 bi, ficará em R$ 57 bilhões e poucos, recursos que serão permanentes, constitucionalmente, distribuídos, para garantir valorização do ensino básico brasileiro.

Outra derrota do governo foi sua tentativa de congelar o Fundeb em 2021, iniciando a distribuição, apenas, em 2022. Se isso acontecesse, haveria desestruturação de todo sistema educacional básico. O ministro ultraneoliberal Paulo Guedes articulou essa possibilidade, para avançar com privatização da Educação. Os neoliberais, como se sabe, querem terceirizar o ensino público. O governo compraria vagas no setor privado e desmobilizaria a infraestrutura educacional pública, em nome do ajuste fiscal, do esvaziamento do Estado na vida nacional etc.

Resistência democrática

Os trabalhadores resistiram a essa investida, pressionaram os parlamentares e conseguiram reverter o que seria grande vitória conservadora de Guedes, como sua tentativa de privatizar Previdência Social. Acabaria a aposentadoria pública e entraria o sistema de capitalização. Cada trabalhador que cuidasse da sua previdência, conforme o modelo chileno, defendido por Guedes, que ajudou implementá-lo durante ditadura Pinochet. Assim, como a capitalização produziria lucros incalculáveis para os bancos, maiores candidatos a venderem planos de saúde privados, da mesma forma, a privatização do ensino básico atrairia ao país grandes grupos financeiros ligados à Educação.

Guedes deu com os burros nágua e deixou Bolsonaro de saia justa. O Centrão, grupo majoritário com o qual o presidente negocia maioria parlamentar no Legislativo, recuou, temeroso de derrota eleitoral, se ocorresse, agora, véspera de eleição municipal, o esvaziamento do MEC.

Batalha continua

Essa derrota bolsonarista, não impedirá, no entanto, a briga ideológica em torno do comando da Educação. Não é propósito do governo fortalecer Fundeb, porque estará, implicitamente, fortalecendo seu inimigo ideológico, o “Marxismo cultural”. Exterminar o Fundeb é o ideal para os que almejam implantar a nova escola brasileira cuja base não seria a ciência, mas o fundamentalismo ideológico, como defende Olavo de Carvalho. Adepto do terraplanismo, crente da inexistência do coronavírus, Carvalho considera Fundeb instrumento dos comunistas. Como o principal inimigo do governo militarizado e ideologicamente fundamentalista terraplanista são os comunistas, extingui-los representa extinguir o Fundeb, instrumento do marxismo cultural”.