Lupi: PDT vai apoiar todos os atos a favor do impeachment

Posição foi  anunciada por Lupi em reunião conjunta com lideranças nacionais de oito partidos

*Por Bruno Ribeiro/FSP/OM

O PDT apoia e vai participar, nacionalmente,  de todos os atos a favor da Democracia e pelo impeachment de Bolsonaro, incluise o que está programado para o próximo domingo, 12 de setembro, organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL),  anunciou nesta quarta-feira (8) o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, na reunião virtual que particpou juntamente com os presidentes nacionais do PSB, do Cidadania, da Rede, do PT, do PSol, do PCdoB, PV e do  Solidariedade – partidos da centro-esquerda.

“É uma reação do campo democrático à escalada golpista de Jair Bolsonaro: decidimos apoiar toda e qualquer manifestação democrática pelo impeachment, a começar por esta do próximo domingo, independente de quem a convoque”, afirmou Lupi. A mobilização conjunta e imediata dos partidos vai se contrapor aos atos antidemocráticos incentivados por Bolsonaro, como as manifestações realizadas no 7 de Setembro em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, desvirtuando as celebrações do Dia da Pátria.

Como desdobramento, os partidos pretendem organizar atos contra Bolsonaro ao longo dos próximos meses não só nas ruas, mas também nas redes sociais e no Congresso Nacional. “É uma união em prol da defesa da Constituição, pois não aceitaremos atentados contra a Democracia. A disputa eleitoral de 2022 fica para depois. Primeiro, a proteção urgente da nossa nação e dos fundamentais direitos do povo brasileiro”, explicou o pedetista.

Sobre novas adesões, Lupi salientou que mantém o diálogo permanente com MDB, PSD, DEM e PSDB para avançar com o pedido de impeachment na Câmara dos Deputados, local programado para um encontro presencial na próxima semana.

FOLHA DE SÃO PAULO

Segundo análise do jornal “Folha de São Paulo” de hoje, ainda não há votos suficientes para aprovar o impeachment de Bolsonaro. Só haverá votos suficientes caso um grande partido do centrão  aderir a ideia e engrossar a pressão pelo impeachment de Jair Bolsonaro que só será possível se 342 deputados dos 513 detentores de mandatos na Câmara Federal autorizarem  a abertura do processo.

Depois dos atos antdidemocráticos  de 7 de Setembro e seus desdobramentos,  siglas como o PSD e o PSDB anunciaram a intenção de debater a adesão ao movimento pró-impeachment, mas concretamente ainda faltam votos. As legendas independentes na Câmara têm 187 deputados. A oposição tem 132, o que dá um total de 319 parlamentares. Soma-se a esse grupo cerca de 20 parlamentares do PSL que ficaram alinhados ao presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), no racha que levou à saída de Bolsonaro do partido. Ou seja, mesmo que não houvesse nenhuma dissidência nesse grupo, faltariam ainda três votos para se chegar aos 342 necessários (dois terços da Câmara). Essa é a contabilidade formal. Na prática, segundo a Folha de São Paulo,  há ainda substancial apoio a Bolsonaro nas siglas de centro-direita hoje independentes, como PSD e MDB.

Além disso, o Podemos (10 deputados) anunciou nesta quarta-feira (8) ser contra o impeachment. Com isso, seria necessária uma dissidência representativa no centrão pró-impeachment ou a adesão formal de uma das principais siglas. O PP (41 deputados) e o PL (42), os maiores, estão nos ministérios da articulação política de Bolsonaro. O Republicanos (31), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, também mantém apoio a Bolsonaro, além de ter um nome no Ministério da Cidadania.

Nesta quarta, o presidente do Republicanos, o deputado Marcos Pereira (SP), divulgou um vídeo em que afirma, sem citar Bolsonaro, que alguns “gastam tempo e energia promovendo disputas e discórdias”.

Reunida nesta quarta, a bancada do PSDB na Câmara afirmou ter decidido, por unanimidade, virar oposição ao governo Bolsonaro. Disse ainda ter iniciado uma “discussão sobre a prática de crimes de responsabilidade pelo presidente da República” e “o caminho mais eficiente para evitar o agravamento dessa crise na vida das pessoas”.

Não é necessário haver os 342 votos para que algum dos cerca de 130 pedidos de impeachment tenha sequência na Câmara. Para que isso ocorra, basta uma decisão monocrática do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Mas ele é aliado de Bolsonaro e, em pronunciamento nesta quarta, não citou a palavra impeachment nem deu indicação de que pretenda tomar alguma decisão nesse sentido.

Os dois terços da Câmara são necessários na votação em plenário, após análise de uma comissão especial. Caso haja esse resultado, o Senado é autorizado a abrir o processo, momento em que o presidente da República é afastado do cargo. Ministros de Bolsonaro disseram à Folha não verem chance  chance de um pedido de impeachment prosperar.

Parlamentares avaliam que a única chance de o afastamento de Bolsonaro ganhar corpo será se as siglas de centro-direita e parte do mercado financeiro decidirem efetivamente pregar o impeachment e passarem a pressionar Lira. Já alguns petistas avaliam que o ideal é não haver impeachment e sangrar Bolsonaro até outubro do ano que vem.  Oficialmente, porém, o partido não deixará de encampar um pedido de afastamento.