Lupi, Aldo Rebelo e André Figueiredo: “O petróleo é nosso e a Petrobrás também”

Seminário do PDT e da Fundação abordou processo contínuo de desinvestimento do governo Bolsonaro

Retomar a origem nacionalista e o patrimônio da maior empresa do Brasil. Esta perspectiva estratégica marcou a abertura do seminário virtual “Legados Trabalhistas” sobre a Petrobrás, nesta segunda-feira (3). O evento organizado pelo PDT e a Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) recebeu representantes do Congresso Nacional e do setor petrolífero.

Com mediação do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e coordenação do Centro de Memória Trabalhista (CMT), o primeiro painel – de um total de três até quarta-feira (5) – aprofundou a análise sobre a relevância histórica da companhia, que foi determinante para o progresso soberano iniciado na gestão do presidente da República, Getúlio Vargas, em 1953.

Convidados, o ex-ministro das Comunicações e deputado federal André Figueiredo (PDT-CE), o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo e o presidente do PCdoB na Bahia, economista Davidson Magalhães, foram unânimes na crítica ao processo de dilapidação do patrimônio estatal. Para eles, o interesse do povo brasileiro está sendo dilapidado, nos últimos anos, para favorecer a lucratividade dos acionistas minoritários e os interesses internacionais.

“O petróleo é nosso e a Petrobrás também”, disse Lupi, ao condenar os planos de desinvestimentos iniciados no governo Temer, potencializados na gestão Bolsonaro e sustentados no ataque à imagem da corporação.

Para ele, é um processo sistemático de liquidação com ênfase nos poços, refinarias e redes de distribuição. Com isso, o Brasil, que era autossuficiente, passou a exportar óleo bruto para adquirir produtos refinados até dos Estados Unidos.

“A parte lucrativa fica com os americanos. Não tem antiamericanismo, mas a defesa da nação. Nós temos a obrigação de defender nossos interesses”, garantiu, em respeito ao legado trabalhista: “A história do nosso povo, de conquista, começa lá com Getúlio, que assinou o decreto de criação da Petrobrás, em 1953”.

Representatividade

Para o parlamentar pedetista, a empresa é um símbolo do povo brasileiro e de um projeto de nação, onde as reservas acumuladas colocaram o Brasil em um patamar diferenciado no cenário internacional.

“A Petrobrás é um ícone de um projeto de nacional-desenvolvimentismo que o trabalhismo sempre apregoou. Getúlio, em 53, queria fazer o alicerce para uma política de petróleo e gás, proporcionando ao país crescimentos valorosos, inclusive com o pré-sal”, relatou.

Como parâmetro da relevância, o deputado mencionou ainda a mobilização feita pelo PDT para direcionar parte da lucratividade da exploração da nova camada em águas profundas para políticas públicas essenciais.

“Lembro bem que, em 2013, por ocasião da votação dos royalties do pré-sal para saúde [25%] e educação [75%], conseguimos sensibilizar e fazer com que as riquezas advindas de algo que é finito, que é o petróleo, pudesse gerar conhecimento, que é infinito”, pontuou, citando o enfrentamento aos retrocessos bolsonaristas.

Em consonância, Aldo Rebelo comentou que a sua memória foi marcada pelo simbolismo traduzido em conquistas relevantes ao longo das décadas, principalmente na área de produção e refino.

“Eu associo a Petrobrás à essa ideia de grandeza, de realização, de êxito de um Brasil que era construído com confiança e com otimismo no período do presidente Getúlio Vargas”, disse, ao completar: “No curso primário, já aprendia a respeitar e admirar a Petrobras, inclusive pelos seus feitos, que eram comuns.”

Sobre a venda da refinaria Landulpho Alves, de Mataripe (BA), que ocorreu em 2019, o ex-deputado federal combate a entrega, por Bolsonaro, de um dos mais valiosos patrimônios públicos do setor e a consequente fragilização da economia do país.

“No momento em que o Brasil se torna um dos grandes protagonistas mundiais na área de energia, com a descoberta do pré-sal, você vai se desfazer exatamente da parte mais interessante e mais comercial da cadeia de petróleo, que são as refinarias, detentoras do próprio mercado”, julgou, ao mencionar a calamidade gerada pela oferta de ações da estatal na bolsa de valores.

Ao também vincular a empresa ao desenvolvimento nacional, Davidson Magalhães mencionou a manutenção do potencial, mesmo diante do processo mundial de mudança das matrizes energéticas.

“O petróleo continua dominando a economia mundial e é a base da indústria química. Não tem um projeto de desenvolvimento nacional sem ter como centro a questão da energia e a Petrobrás, pela importância que tem”, pondera.

Acompanhe a íntegra do painel aqui.

Sequência

Pré-candidato a presidente da República pelo PDT, Ciro Gomes analisará a contribuição da Petrobrás no avanço do país ao longo do segundo painel, que ocorrerá nessa terça-feira (4), às 19h. O deputado federal Mário Heringer (PDT-MG) será o mediador no evento que também receberá a geóloga Patricia Laier e o engenheiro Felipe Coutinho, ambos da direção da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET.

Na quinta-feira (5), o terceiro painel avaliará a “guerra híbrida” interligada com a Petrobrás. O encerramento contará com contribuições do secretário-geral nacional do PDT e presidente da FLB-AP, Manoel Dias, como mediador, e o ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, Celso Amorim, e o presidente da AEPET, Pedro Pinho, e o jornalista Beto Almeida, como palestrantes.

(Por Bruno Ribeiro/OM)