Lupi: “Este pode ser o Dia D para a gente”.

Durante a abertura da reunião ordinária mensal do Diretório Estadual do Rio de Janeiro, ontem, 10 de junho, no Auditório da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, fez um relato sobre as deliberações da Comissão Executiva Estadual, reunida neste mesmo dia, que teve as próximas eleições municipais como tema central.

Como ele já explicara aos membros do diretório, na reunião de maio, a executiva estadual – assessorada por um grupo de trabalho criado para elaborar o plano de governo – já está fazendo reuniões sistemáticas com Martha Rocha, escolhida pré-candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Depois de as diretrizes básicas serem definidas, disse Lupi, “vamos levar isto para ao Partido; e deste para a comunidade. Nós vamos começar a fazer encontros setoriais, regionais; vamos visitar hospitais, postos de saúde e escolas municipais”.

Além disto, prossegue, “vamos às comunidades para conhecer suas prioridades específicas – para desenhar um programa de governo cada vez mais próximo da realidade de cada município”.

A Executiva decidiu que o Partido vai fazer – como de outras vezes, mas desta vez de maneira mais orgânica – cursos de capacitação e qualificação para os candidatos pedetistas para as prefeitura e câmaras fluminenses, com destaque para a história do PDT; os nossos fundamentos; papel do vereador; e realidades locais de cada cidade.

Para que um pré-candidato tenha seu nome incluído na nominata do PDT precisa ter o certificado de aprovação destes cursos. Esta exigência, segundo Lupi, não pode ser entendida como um demérito; mas sim uma forma, isonômica, de dar a densidade de nossa história, de nosso pensamento político para cada companheiro que está chegando; assim como àqueles filiados há mais tempo, pois, “às vezes o companheiro antigo já sabe, mas nunca sabe tanto que não precise aprender alguma coisa”.

Ao falar sobre pré-candidaturas de prefeito já definidas, ou em estágio avançado de discussão, citou o presidente estadual em exercício, José Bonifácio, em Cabo Frio, “como uma prioridade total e absoluta do Partido, porque ninguém mais que ele representa com dignidade a nossa Instituição”.

Retrato nacional

Em sua explanação sobre “retrato nacional”, como ele definiu esta sucessão de denúncias contra Sérgio Moro e os procuradores que atuam na Lava Jato, o presidente Lupi aconselhou, reiteradamente, que todos entrassem firmes no acompanhamento, na leitura sobre este caso, porque “é muito grave; é muito forte; e a informação que a gente tem é que vem muita coisa por aí”.

– “Isto pode mudar completamente a realidade do processo político brasileiro; inclusive paralisando a reforma da Previdência. Então, tudo a gente tem que analisar com muita tranquilidade”.

A gravidade do momento político brasileiro pode ser exemplificada por algumas atitudes já tomadas, neste curto espaço de tempo desde o primeiro vazamento, e as reuniões deliberativas que já estão agendadas, em Brasília: a OAB, por unanimidade, pede que Moro e Dallagnol se afastem se seus cargos; PDT e partidos de oposição vão se reunir com organismos federais, como Conselho de Magistratura, Conselho Nacional de Justiça e Ministério Público para pedir providências para estes atos.

Lupi informou, ainda, que as bancadas do PDT no Congresso estão coletando assinaturas para a CPI mista sobre estes vazamentos: “Queremos saber tudo disto daí – de onde é; quem é; hora, dia”.

– “Moro era o escolhido do Sistemão como candidato à próxima eleição para a Presidência: o paradigma da honestidade; o justiceiro; o homem que prendeu Lula; o homem que acabou com a corrupção. E agora começa a cair a ficha de que ele rasgou a Constituição; de que um juiz combinou com um procurador público o resultado do julgamento. Até agora eles eram atiradeira, agora vão ser vitrine”.

Ao encerrar sua explanação, convocou todos os pedetistas a aderir à greve geral contra a reforma da Previdência, na próxima sexta-feira, dia 14:

– Todos nós temos que reforçar isto: é mais um motivo para estar na rua e fazer uma paralisação geral. Nem venham no Partido, porque estará fechado. Acho que todo mundo deve fechar as portas neste dia 14: dar uma parada para mostrar o nosso protesto contra o governo; e contra o que está sendo vazado. Este pode ser o Dia D para a gente”.