Lupi discute com lideranças de outros partidos o ‘impeachment’

Após novas ameaças à Democracia, Lupi estimula reunião de partidos sobre impeachment

*Por Bruno Ribeiro

Em reação às ameaças públicas feitas por Jair Bolsonaro  nos atos antidemocráticos desta terça, no feriado de 7 de Setembro, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, decidiu estimular o avanço da proposta de impeachment do presidente a partir da união de partidos políticos, incluindo os do “centro democrático”. Segundo proposta já discutida e aprovada pelos representantes nacionais dos partidos, revelou Lupi,  foi marcada reunião virtual  para  esta quarta-feira (8), a partir das 19h, com os presidentes nacionais das siglas.

“Agora é hora de unificar os democratas pelo impeachment de Bolsonaro. Não tem mais conversa fiada. Ele está jogando pela ruptura da democracia, nós temos que jogar a democracia sobre ele”, afirmou o presidente nacional do PDT em entrevista ao jornal “O Globo”.

“É um chamado aos democratas, a todos os que querem a Democracia. Dividir os que defendem a Democracia e os que não a defendem. Temos que deixar 2022 para 2022”, complementou Lupi, falando à rádio “Jovem Pan”.

O encontro suprapartidário discutirá, principalmente, a possível mobilização das bancadas em prol do processo de afastamento e deposição do ocupante do Palácio do Planalto. Entre os convidados já confirmados estão os presidentes do Cidadania, Roberto Freire; do PSB, Carlos Siqueira; do PSD, Gilberto Kassab; do DEM, ACM Neto; do MDB, Baleia Rossi; do PT, Gleisi Hoffmann; do PV, José Luiz Penna; do PCdoB, Luciana Santos, do PSOL, Juliano Medeiros, e do Solidariedade, Paulinho da Força.

“A reunião será com todo o centro democrático para discutir apoio ao impeachment. O presidente atentou contra a Democracia, então a resposta da Democracia é o impeachment”, argumentou Lupi, falando à CNN.

“Na minha avaliação, o impeachment se fortalece muito porque até entre deputados que não são simpatizantes se sentem ameaçados”, acrescentou, na ‘Jovem Pan’.

Cenário

Sobre o fomento bolsonarista às tentativas de ruptura, que incluem o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional, bem como ameaça ao sistema eleitoral, poderes constituídos do Estado Democrático de Direito, Lupi indicou que é uma tentativa de manter inquietos os representantes da extrema-direita.

“É uma estratégia para tentar segurar sua base direitosa e raivosa em um momento de inflação descontrolada, crise de energia e desemprego recorde. [Ele está] Com a intenção de fugir desta realidade e garantir a seu público mais fiel. Tudo passará por falta de verdades e competência do seu governo — disse, ao O Globo.

“Começa assim: inflama o seguidor, mira em um ministro, depois se volta contra o Congresso e o golpe se perpetua. Ou a gente acorda e bota o impeachment para andar ou será tarde demais”, concluiu, na Jovem Pan.