Lupi explica a pré-candidatos do PDT importância da luta ideológica, além da eleitoral

Ao encerrar a aula inaugural do curso de formação política para os pré-candidatos do PDT que disputarão a eleição municipal de 2020 – dada pelo ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes – o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, alertou que qualquer candidato que defenda linha ideológica que não seja a do PDT na campanha eleitoral perderá a legenda e não poderá ser candidato. “Não dá para a gente ter candidato do PDT defendendo pena de morte, diminuição da maioridade penal, discriminação racial, discriminação religiosa, discriminação sexual. Nós não podemos aceitar isto!”.

 

– “O objetivo deste curso é preparar quadros; porque nós precisamos estar preparados não só para a luta eleitoral, como também para a luta ideológica”, frisou Lupi.

 

Everton Gomes, vice-presidente da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, no Estado, e o principal organizador do curso – composto por 22 aulas presenciais e a distância; sendo 12 delas até o final de 2019 e as restantes no início do ano que vem – afirmou por sua vez, antes de a aula de Ciro, que o objetivo do curso é “preparar os candidatos para construir mandatos mais eficientes em termos de gestão pública e, também, repassar conhecimentos sobre a História do PDT; porque é fundamental que os candidatos do PDT saibam de onde viemos”.

 

– Ao longo do programa apresentaremos a História do Trabalhismo, que faz parte da História brasileira porque não se pode pensar em políticas públicas eficientes sem conhecer o Trabalhismo: a corrente política que mais contribuições deu para nosso povo através de gestões extremamente inovadoras – garantiu Everton.

 

Everton lembrou também que todos os pré-candidatos do Partido (da capital e do interior), precisam se inscrever na página do PDT estadual (www.pdt-rj.org.br), no campo apropriado, e acompanhar as novidades relacionadas às aulas e ao curso de formação política: que “trará temas atualíssimos sobre a economia do Rio de Janeiro: onde pretendemos discutir, também, ferramentas de gestão pública fundamentais para a realização de uma boa administração”.

 

Segundo Everton, ao final do curso será emitido um certificado de frequência, importante para saber do aproveitamento dos pré-candidatos. “Os que por acaso não conseguirem se eleger (isto pode acontecer), tenham a certeza de que pelo fato de terem feito este curso serão quadros mais preparados para a luta política”, observou.

 

Lupi observou também que cursos de formação política como este serão realizados em todo o país; sendo que o de São Paulo já está em andamento. “Temos o dever de deixar o Partido melhor do que o que recebemos; e nosso desafio maior é que o PDT tenha quadros melhores do que nós somos atualmente”, destacou.

 

– Precisamos muito do preparo de vocês, porque cada vez a política vai exigir mais formação, mais ideologia, mais argumentos de todos nós. Vivemos um momento difícil da política em que o ódio, o racismo e o retrocesso imperam. Isto, para nós, é um grito de alerta. Não podemos usar as armas de nossos adversários: se eles usam o ódio, temos que usar o amor; se eles recorrem à mentira, temos que usar a verdade. Temos que fazer o que Getúlio e outros grandes trabalhistas nos ensinaram para estar à altura deles. Quero também agradecer a dedicação do companheiro Ciro à nossa causa. Ciro, com o seu preparo, vai nos ajudar muito a chegar na luz que existe no final deste túnel que estamos atravessando, finalizou Lupi, antes de convocar para dar uma palavra, a deputada Martha Rocha.

 

Martha Rocha, por sua vez, falou sobre o legado do Trabalhismo para o povo brasileiro e elogiou também reunião realizada, pouco antes, no Jacarezinho, “que deveria ter terminado ao meio-dia, mas se estendeu até duas e meia da tarde, porque o público que lotou a quadra da escola de samba Unidos do Jacarezinho se estendeu, e muito, nas perguntas ao Ciro”.

 

– Foi bonito ver no Jacarezinho aquele espaço lotado de pessoas interessadas em entender o que está acontecendo com o Brasil; que não paravam de fazer perguntas ao Ciro, que tem este jeito de dizer as coisas que faz qualquer um entender o que está acontecendo com o nosso Brasil, explicou.

 

Martha fez questão de lembrar duas perguntas que foram feitas ao Ciro, lá no Jacarezinho: uma delas sobre a intolerância religiosa que vemos hoje no Rio de Janeiro.

 

“Quero lembrar que o governador Brizola, em seu segundo mandato, criou aqui no Rio de Janeiro a delegacia de crimes raciais (extinta pelo atual governador em uma canetada), quando ela também acumulava casos de intolerância religiosa, cada vez mais”. Uma delegacia especializada que teve o seu valor reconhecido inclusive há pouco – quando o Rio esteve sob intervenção federal, por conta da Lei de Garantia da Ordem (GLO), determinada pelo governo federal. Martha exaltou o fato de Brizola ter percebido esta questão lá atrás, na sua gestão.

 

Outro ponto que ela fez questão de destacar foi que, no final da gestão do primeiro governo Brizola, o Rio de Janeiro registrou a maior fraude eleitoral que ela já teve conhecimento: um dos candidatos, durante a disputa, prometeu acabar com a violência em seis meses; mas o que ele acabou de fato – na canetada e logo no início de sua gestão – foi com o programa das escolas de horário integral implantadas por Brizola e Darcy Ribeiro.

 

– “Destruiu-se o projeto generoso dos Cieps com uma canetada; e a gente não pode esquecer isto”, afirmou Martha. Disse ainda que o compromisso fundamental dos candidatos do PDT, nas eleições de 2020, tem que ser com o povo dos nossos municípios, nosso Estado, nosso País.

A aula inaugural  de Ciro durou cerca de 40 minutos e o debate que se seguiu, mais de hora e meia. Logo na abertura, Ciro se apresentou aos pré-candidatos do partido explicando se considerava pessoa experiente na política porque se elegeu deputado com 26 anos de idade, depois tornou-se prefeito e logo após, governador do Ceará aos 32 anos. Saiu do governo com excelente avaliação e logo após tornou-se ministro da Economia, no governo Itamar Franco.

Ciro falou sobre as condições do Brasil de hoje, com 41 milhões de brasileiros trabalhando na informalidade, 14 milhões de desempregados, 63 milhões com nome no SPC e na necessidade de dar rumo ao Brasil, onde são cometidos 57 mil homicídios anualmente – que considera um absurdo. Lembrou também que 66 mil mulheres, anualmente, são estupradas no país e que é preciso mudar essa realidade.

A crise, responsável pelo fechamento de 220 mil pontos de comércio e de 23 mil indústrias no país, nos últimos três anos, também deve ser motivo de preocupação de todos, segundo Ciro, diante da necessidade de mudar esta realidade.  Falando sobre as últimas medidas tomadas pelo governo, Ciro também condenou a proibição de livros e filmes.