Lígia Doutel de Andrade: representação da significância da mulher no país

Como parlamentar, foi cassada por enfrentar a ditadura militar e defender o povo e a democracia

*Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ

Por conta do Dia Internacional da Mulher, militantes do PDT lembraram na pessoa da deputada Lygia Doutel de Andrade a casssação de seu mandato e a homenagem que recebeu, em 2012, exatamente nesta data,  que marcou a sua reintegração ao Congresso. O ato lembrou “a participação ativa, militante e decisiva das mulheres na luta contra o regime de exceção e na construção de uma sociedade livre e verdadeiramente democrática.”

Com palavras repletas de emoção, Lígia Doutel de Andrade simbolizou a capacidade e o ímpeto da mulher brasileira ao ser reempossada, após 44 anos, como deputada federal durante cerimônia no Congresso Nacional, em 6 de dezembro de 2012. No final de 1968, a trabalhista foi cassada e banida da política – por dez anos – pelo Ato Institucional nº 5.

“Muitas pagaram com a própria vida a fidelidade aos seus ideais. Outras tantas foram vítimas de violenta repressão e outras mais sofreram a morte ou o desaparecimento de filhos, maridos, companheiros, pais e irmãos”, explicou, ao classificar a cerimônia como um “ato de reparação política, moral e histórica. É um ato de justiça”.

“Mesmo assim, não renunciaram às suas convicções e prosseguiram dando contribuição valiosa à causa da democracia e da liberdade”, completou a então filiada ao MDB.

Ao recordar a opressão e o “obscurantismo” que avançaram a partir de 1964, a esposa do líder trabalhista, Doutel de Andrade, e integrante do Movimento Feminino pela Anistia, enalteceu a resistência cidadã em um dos períodos mais sombrios da República.

“Causando grandes sofrimentos ao povo brasileiro e a humilhação internacional para o País, (militares) não conseguiram sufocar nossa consciência cívica. Bem ao contrário. E esta solenidade é um exemplo do que afirmo. Pedagogicamente, está a sinalizar que o povo brasileiro, no seu processo de amadurecimento político e social, repudia, e continuará repudiando, sempre, com mais veemência e convicção, a violência política e social, a injustiça e o desrespeito aos direitos humanos”, garantiu.

Pelo incessante compromisso cívico, a historiadora catarinense – atualmente, com 87 anos – ratificou, no plenário da Câmara, a continuidade da busca pelo aprimoramento e consolidação do processo democrático.

“Uma democracia que não seja apenas formal e linear, mas substantiva, transparente, honrada, fundada na igualdade, na justiça e na liberdade para todos, indistintamente, sem discriminação, sem exclusão e capaz de proporcionar felicidade ao povo brasileiro”, concluiu.