Leonel Brizola ganhará estátua, em tamanho natural, na sede nacional do PDT em Brasília

(Por Raquel Morais / A Tribuna)

Leonel Brizola, que em janeiro de 2022 completaria 100 anos, vai ganhar uma estátua de bronze em comemoração à data. A escultura, que será em tamanho natural, está sendo feita pelo artista plástico niteroiense Rodrigo Pedrosa, a pedido do presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Carlos Lupi. O monumento será fixado na sede nacional da legenda em Brasília e está em processo de modelagem. A previsão é que seja inaugurada no dia 22 de janeiro do ano que vem, data de centenário do líder trabalhista e fundador do partido.

Rodrigo Pedrosa

A estátua está sendo feita de corpo inteiro com 1,75m de altura, em bronze e pesará aproximadamente 150 quilos. As referências para a modelagem da obra são fotos de Brizola em diversos ângulos. A escolha do meu nome para fazer o monumento me parece que foi técnica, além da forte e histórica ligação da cidade com o PDT. Com isso resolveram escolher um artista de Niterói. A pose que ele ficará será uma pose típica dele com camisa social e paletó no braço. Iniciei a modelagem há 15 dias e estou fazendo a cabeça neste momento”, explicou Rodrigo Pedrosa.

O centenário de Brizola será motivo de comemoração no partido, berço do político que sempre foi exemplo de coerência, segundo Lupi.

“Essa minha ideia foi para celebrar Brizola, que se estivesse vivo, completaria 100 anos. Colocaremos sua imagem na sede do partido e faremos uma convenção nacional, com representantes do PDT de todo Brasil. A estátua terá tamanho real e foi baseada em uma miniatura que fizemos logo que ele morreu”, explicou.

A escolha do artista niteroiense para dar forma as fotografias e à miniatura se deu pelo histórico de obras que Rodrigo Pedrosa já modelou.

“Ele tem várias obras de esculturas e bustos em vários locais, muito apreciadas e elogiadas, O prazo é até setembro ou outubro, quando esperamos que estátua esteja pronta e a família de Brizola está muito feliz com esta homenagem”, completou o presidente do PDT. E a família realmente está muito lisonjeada pela homenagem. Brizola Neto, que comanda a Coordenadoria de Trabalho e Renda da Prefeitura de Niterói, sentiu ainda mais orgulho do avô.

“Eu acho que essa foi uma grande iniciativa de reconhecimento do líder, que é a razão de existência do próprio partido, que foi Brizola. Acho muito bacana essa homenagem. O PDT tem orgulho dos seus líderes do passado e é um reconhecimento muito importante. Foi Brizola quem refundou o trabalhismo e reorganizou o trabalhismo na redemocratização através da fundação do partido. Esse reconhecimento é correto e justo, e a família toda está muito feliz. Continuamos firmes e coerentes com os ideais que Brizola defendeu, e por isso tudo a estátua tem um simbolismo”, ponderou.

Biografia

Leonel de Moura Brizola (nascido Leonel Itagiba de Moura Brizola) era filho de camponeses e nasceu em Carazinho, no Noroeste gaúcho, no dia 22 de janeiro de 1922. Viveu seus primeiros anos no interior do estado, mudando-se para Porto Alegre em 1936. Lá, deu prosseguimento aos seus estudos e trabalhou como engraxate, graxeiro, ascensorista e servidor público. Ingressou no curso de engenharia civil na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1945, graduando-se em 1949. Enquanto ainda estudava na UFRGS, ingressou na política, ficando responsável por organizar a ala jovem do Partido Trabalhista Brasileiro. Em um evento político, conheceu Neusa Goulart, irmã do também político João Goulart, com a qual se casou em 1950 e teve três filhos.

Em 1947, Brizola foi eleito deputado estadual pelo PTB. Tornou-se um político em ascensão no estado: em 1954, foi eleito deputado federal, com uma votação recorde; dois anos depois, elegeu-se prefeito de Porto Alegre; e, em 1958, governador do Rio Grande do Sul. Como governador, tornou-se proeminente por suas políticas sociais e por promover a Campanha da Legalidade, em defesa da democracia e da posse de Goulart como presidente. Em 1962, transferiu seu domicílio eleitoral para a Guanabara, estado pelo qual elegeu-se deputado federal. Durante o governo de Goulart, este e Brizola mantiveram uma relação tumultuada, mas uniram-se novamente antes do golpe militar de 1964. Depois que suas propostas de resistência não foram bem-sucedidas, Brizola exilou-se no Uruguai.

Voltou ao Brasil em 1979, depois de um exílio de quinze anos no Uruguai, nos Estados Unidos e em Portugal. No mesmo ano, fundou e presidiu o Partido Democrático Trabalhista. Em 1982, foi eleito governador do Rio de Janeiro, iniciando um programa de construção dos Centros Integrados de Educação Pública (Ciep), que ficaram conhecidos e são chamados até hoje de ‘Brizolões’.

Na eleição presidencial de 1989, por pouco não foi para o segundo turno. Um ano depois, voltou a governar o Rio de Janeiro, sendo eleito no primeiro turno.  Faleceu, em 2004, vítima de um infarto agudo do miocárdio.