Léo de Almeida Neves, secretário geral do PTB e amigo de João Goulart, 1° deputado federal do PDT no Paraná, morre em São Paulo aos 88 anos

 Léo de Almeida Neves morreu esta segunda-feira (2) em São Paulo onde estava hospitalizado

O trabalhista Léo de Almeida Neves, autor entre outros livros de “Destino do Brasil – Potência Mundial – a Era Vargas continua”,  nasceu em Ponta Grossa, no interior paranaense em 22 de março de 1932.  Ainda jovem formou-se em Economia pela Faculdade de Ciências Econômicas do Paraná (1953) e em Direito, depois, pela Universidade Federal do Paraná (1954). Exerceu o jornalismo no ‘Diário do Paraná’ e publicou artigos em vários jornais, entre eles o ‘Jornal do Estado’, atual ‘Bem Paraná’, na imprensa regional – e vários outros em jornais do país inteiro.

Getulista, desde muito cedo filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do qual foi vice-presidente executivo nacional e secretário. Em 1958, Léo de Almeida Neves  foi eleito deputado estadual pelo PTB e sempre esteve muito próximo do líder trabalhista Souza Naves, eleito senador pelo Paraná em 1958, que morreu no ano seguinte. No governo João Goulart, além de importante liderança do PTB nacional,  presidiu a Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil.

Em 1966, já no MDB,foi eleito deputado federal e de oposição à ditadura. Mas em 1969, contudo, teve o mandato cassado pelo regime militar por força do Ato Institucional número 5 (AI-5), com o golpe dentro do golpe, com a ascensão da extrema-direita no controle do país e recrudescimento das cassações políticas – marca da ditadura desde os seus primeiros dias.

Com a anistia, e depois de exercer vários cargos dentro de suas profissões, de volta à política, em 1985  Léo de Almeida Neves foi o primeiro deputado federal a ser eleito pelo PDT do Paraná. Entre 1995 e 2003, foi suplente de Roberto Requião no Senado. Já no governo de José Richa foi presidente do antigo Banco do Estado do Paraná (Banestado).  No governo José Sarney, foi diretor de produção do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC) e ao longo de toda a sua vida, na iniciativa privada, trabalhou em muitas empresas, como no grupo  Horácio Coimba – a Café Cacique, de Londrina.

Fazia parte da Academia Paranaense de Letras e escreveu vários livros, entre eles ‘Destino do Brasil: Potência Mundial, A Era Vargas Continua’; ‘Vivência de Fatos Históricos’; ‘Segredos da Ditadura de 1964’ e ‘Privatizações de FHC. A Era Vargas Continua’.

NOTA DE PESAR

Uma nota de pesar pela morte de Léo de Almeida Neves foi difundida, assinada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi; pelo o presidente estadual do PDT do Paraná, , André Menegotto; pelo presidente do PDT de Curitiba, Gustavo Fruet; e pelo líder do PDT na Assembleia Legislativa, Goura Nataraj, também candidato do PDT a prefeito de Curitiba.

Nela, informam: “O ex-deputado Léo de Almeida Neves faleceu nesta segunda-feira (2/11) em São Paulo, aos 88 anos. Cadeira 26 da Academia Paranaense de Letras, Léo era economista, advogado, jornalista e escritor. Segundo informações divulgadas pela família no início da noite, haverá velório reservado na capital paulista na terça, após devendo o corpo ser cremado como era desejo dele.

Natural de Ponta Grossa, Léo de Almeida Neves exerceu importante influência política na história paranaense e nacional, desde seus estreitos laços de amizade e companheirismo com ex-senador Abilon de Souza Naves e o ex-presidente João Goulart, nos anos 1950 e 60, no velho PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), ocupando uma de suas vice-presidências. Deputado Federal mais votado do Paraná pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) em 1966, foi cassado pelo regime militar e presidiu o Banestado após ter seus direitos políticos restaurados no início dos 1980.

Em 1983 voltou à Câmara dos Deputados já filiado ao PDT (Partido Democrático Trabalhista), legenda que presidiu em Curitiba após ser um dos principais articuladores da filiação do deputado Gustavo Fruet em 2011. Autor de vários livros publicados, entre os quais se destacam “Vivência de Fatos Históricos” e “Privatizações de FHC: A Era Vargas Continua”, Léo escreveu sua última obra intitulada “Entreolhares” nos seus últimos momentos de vida, sendo hospitalizado antes de sua impressão.

A morte de Léo de Almeida Neves abre grande lacuna na política paranaense, entristecendo sobretudo os pedetistas que conviveram com ele partilhando suas ações e pensamentos finais, razão pela qual o PDT de Curitiba, do Paraná e nacional declaram-se em luto externando condolências à família”.

(Com informações do Bem Paraná).

 

Veja depoimento de Léo para a JS-PDT em 2013