Lava Jato só pune empresa brasileira

Por Beto Almeida 

Informações extraídas do processo judicial contra o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-diretor da Petrobrás, Nelson Ceveró, trazem informações que revelam como a Operação Lava-Jato beneficiou empresas estrangeiras, também envolvidas na prática de propina,  ao passo em que punia as empresas nacionais que, copiando a prática generalizada no mundo capitalista,  pagou propinas para vencer licitações junto a empresas como a Petrobras.

A multinacional Mitsui –  que já foi pega no Japão subornando o governo –  e a sul-coreana Samsumg, foram arroladas no processo contra os dois brasileiros como pagadores de propina nos contratos para o aluguel de sondas para a Petrobras  de prospecção de petróleo. Porém, muito diferente do que ocorre com estas empresas multinacionais, que seguem atuando livremente no mercado nacional, inclusive com a Mitsui transformando-se em nova proprietária da Gaspetro, face sua privatização, as empresas brasileiras estão sendo cerceadas e impedidas de participação em novos contratos com a Petrobras, o que favorece, obviamente, a desnacionalização da economia. Tudo isto, sob o controle da Lava-Jato.

Pior, enquanto a orientação da Lava-Jato conduz à demissão massiva dos trabalhadores, com o afastamento das empresas destas obras, nada ocorre com as empresas multinacionais identificadas na mesma conduta corrupta, que, aliás, é da natureza própria do capitalismo. Aqui, os punidos são os trabalhadores e a economia nacional, alastrando-se um desemprego crônico. Na Líbia, as empresas brasileiras de engenharia que construíram a infra-estrutura local, foram expulsas pelos mísseis da Otan. Aqui, as empresas de engenharia nacional são atingidas, sem mísseis, pela Operação Lava-Jato, que tem no comando, os mesmos controladores dos mísseis que demoliram a Líbia e que estão nos impondo o Golpe de Estado, a privatização e a re-colonização do Brasil. Só com unidade popular haverá capacidade para reagir a uma ação geo-política imperial desta envergadura contra nosso povo.