João Goulart fez história ao inaugurar em 1961 a parceria Brasil-China

Aclamado pelo público, trabalhista discursou no Congresso Nacional do Povo, em Pequim

Marco na política internacional, a visita do então vice-presidente da República, João Goulart (Jango), à China, em 1961, teve seu ápice no encontro no Congresso Nacional do Povo, em Pequim. O evento, no maior Legislativo do mundo, contou com cerca de três mil representantes do Partido Comunista Chinês e enalteceu a primeira visita oficial de um chefe de Estado Ocidental ao país asiático depois do praticamente fechamento total da China para o mundo, após a vitória da Revolução comunista.

Recebido pelo presidente chinês, Liu Shaoqi, e o líder máximo da revolução Chinesa, Mao Tsé-Tung,  Jango, que completaria 102 anos nessa segunda-feira (1), mostrou, a partir de pautas econômicas e sociais, a intenção de estreitar laços diplomáticos com a nação que despontaria como potência no século XX e neste inicio do século XXI, deve ultrapassar os Estados Unidos como a maior economia do mundo. Ao longo dos últimos 60 anos, a visão progressista se confirmou, pois a República da China é, atualmente, o maior parceiro comercial do Brasil.

“Viva a amizade cada vez mais estreita entre a China Popular e os Estados Unidos do Brasil, viva a amizade dos povos asiáticos, africanos e latino-americanos!”, destacou Jango, na ocasião, ao ser aplaudido pelo público.

Transição

De forma simultânea, ocorria a renúncia do presidente brasileiro, Jânio Quadros. O fato político demandou uma mobilização civil e militar, de 14 dias, para garantir a posse de Jango.

A liderança ficou a cargo de Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul na época, que reagiu a tentativa dos três ministros militares de impedirem a posse do vice-presidente eleito, João Belchior Marques Goulart, que ocupava o cargo de vice desde a chapa de JK porque, na época, o vice-presidente era eleito em eleição à parte do presidente.

Jango ganhou a eleição com JK, tomando posse em 55; e foi reeleito vice-presidente na chapa com o Marechal Lott, apoiado pelos trabalhistas, que não se elegeu e perdeu a eleição para Janio Quadros, apoiado pela UDN, que – sete meses depois da posse, renunciou.  O Congresso e os ministros militares aceitaram sua renúncia – mas tentaram impedir a posse de Jango, que só conseguiu assumir – graças a reação ao golpe liderada por Brizola.

Denominada “Campanha da Legalidade”, a ação de Brizola, sustentada pelas armas da Brigada Militar gaúcha, subordinada ao governador e por uma cadeia nacional espontânea que reuniu mais de 120 emissoras de rádio espalhadas por todo o país, entre 25 de agosto de 7 de setembro de 1961, a Legalidade impediu a tentativa de golpe orquestrada pela cúpula das Forças Armadas, em Brasília.

Com a resistência centralizada nos porões do Palácio Piratini – sede do governo gaúcho –, os trabalhistas garantiram o respeito à Constituição e à manutenção da democracia. Jango aceitou a solução parlamentarista negociada por Tancredo Neves, com a qual Brizola não concordava – ele preferia o fechamento do Congresso, prisão dos ministros militares e convocação de uma Assembléia Constituinte; mas foi derrubado do governo pelos mesmos militares de direita, em 1964. Obrigado a viver no exílio, como Brizola, Jango morreu exilado na Argentina; enquanto Brizola só regressou ao Brasil em 1979, após a anistia, depois de passar 15 anos no exílio.

(Por Bruno Ribeiro / OM / PDT-RJ)

Confira, na íntegra, a partir da página do Centro de Memória Trabalhista (CMT): www.facebook.com/watch/?v=268050277146412