Irmão de Brizola, Jesus de Moura relembra trajetória do herói da pátria

Elo direto gerou passagens marcantes, principalmente na Campanha da Legalidade, em 1961

*Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ

Com lembranças emocionantes, o economista Jesus de Moura Estery, 88 anos, relatou o dia a dia ao lado do irmão Leonel Brizola, fundador e presidente de honra do PDT. As passagens com o herói da pátria foram detalhadas em entrevista para o podcast “Prosas”, do Centro de Memória Trabalhista (CMT), que foi publicada neste sábado (4), nas redes sociais.

Mobilizador da Campanha da Legalidade, em 1961, Leonel Brizola ganhou projeção nacional por impedir o golpe de Estado articulado pelas Forças Armadas no Brasil. Dos porões do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, Jesus de Moura acompanhou o enfrentamento armado que garantiu a posse de João Goulart como presidente da República.

“A gente viveu momentos muito intensos, fortes e preocupantes. […] A hora que vinham os tanques da Zona Sul, com as correias que batiam nos paralelepípedos, repercutiam. Foram dois comboios do quartel da chamada ‘Serraria’ que, segundo informações, iriam bombardear o Palácio e tomar conta”, comentou, além dos “aviões carregados” que sobrevoavam rotineiramente a área tomada por barricadas tomadas pela resistência civil-militar.

“O que é mais importante não foi o que aconteceu somente dentro do Palácio, mas na opinião pública. Primeiramente entre a gaúcha, que depois se estendeu para todo o país”, acrescentou, em referência à cadeia de rádios estruturada para disseminar as mensagens.

Exemplo

Mais novo que o ex-governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, Jesus cita o orgulho de ter elo direto, por parte de mãe, com um herói da pátria brasileira, condecoração oficializada pelo Congresso Nacional, em 2015, e construída desde a infância em Carazinho, município do interior do Rio Grande do Sul.

“É extremamente gratificante porque ele fez parte, de forma muito significativa, muito importante, da história do Brasil. Eu, pela convivência, parentesco, me sinto muito honrado”, afirmou, ao mencionar o processo de mudança de nome fomentado, ainda jovem, pelo pedetista.

Reconhecido como um “líder nato”, o economista contou ainda o progresso do trabalhista na carreira política, potencializado pela influência do então presidente da República, Getúlio Vargas, na Revolução de 30, bem como pelo sucesso acumulado a partir do movimento estudantil, na capital gaúcha.

“Leonel foi muito nacionalista e identificado com as pessoas que mais necessitavam. Ele era autêntico, pois o que ele dizia era o que ele sentia”, avaliou.