“Ideias não morrem, Getúlio vive”, diz Lupi no ato pelos 67 anos

Importância do ex-presidente da República marcou homenagens do PDT fluminense no Centro da capital

Por Bruno Ribeiro

Ao classificar o ex-presidente da República Getúlio Vargas como “o maior estadista da história do Brasil, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, abriu, nesta terça-feira (24), a edição especial da Brizolândia, palco histórico de discursos de Leonel Brizola na praça da Cinelândia, no Centro da cidade do Rio de Janeiro. O encontro reuniu lideranças e militantes, que prestaram homenagens ao símbolo trabalhista pelos 67 anos da sua morte.

“Ideias não morrem e, por isso, Getúlio vive. […] Seu imenso legado há de ser defendido e seu caminho seguido por nós trabalhistas e nacionalistas”, disse, ao citar o comprometimento do partido com as bandeiras populares.

“É a oportunidade de prestar homenagem e revigorar o espírito na luta contra aqueles que insistem em entregar o nosso país e abandonar o nosso povo. Persistiremos, pois o próprio Vargas, em sua carta testamento, nos disse que este povo jamais será novamente escravo de ninguém”, garantiu, ao lado de parlamentares e representantes da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) e dos movimentos pedetistas.

Nas redes sociais, Lupi também ratificou a importância da soberania nacional e dos direitos do cidadão, pontos centrais, atualmente, no Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND), liderado pelo pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PDT, Ciro Gomes.

“Getúlio Vargas foi o primeiro a priorizar os mais pobres e dar início a um projeto nacional que colocaria o Brasil no rumo da modernidade. Lutou por uma nação soberana, conquistou os direitos dos trabalhadores e dividiu a história do Brasil porque era um homem além do seu tempo. Não é à toa que seu legado continua vivo e nos guia até hoje!”, garantiu.

A noite, pela internet, Lupi participou de um debate virtual sobre a vida e a obra de Vargas na companhia de Juliana Brizola, André Figueiredo e do secretário-geral do PDT e presidente da Fundação Brizola – Pasqualini, Manoel Dias. Na abertura do evento Lupi, classificou Vargas como o “verdadeiro patriota” por todo o seu legado em prol da defesa da nação soberana e contra o movimento golpista, retardado até a deposição de João Goulart (Jango), em 1964.

“Getúlio, que deu um tiro no peito em 24 de agosto de 1954, marcou a história do Brasil, da República e da humanidade como o único presidente que deu sua vida para impedir um golpe, às portas do Palácio do Catete, e que as forças mais retrógradas e atrasadas, que hoje tentam dominar o Palácio do Planalto, ficassem no poder”, relatou Lupi, citando marcos getulistas na história, como a Revolução de 30, o rompimento a política do “café com leite” e a carta-testamento.

Ícone do trabalhismo, Vargas acumulou, ao longo das suas duas gestões à frente do governo federal, uma vasta contribuição que transformou a então nação agrícola em uma das principais potências mundiais. Entre os destaques, a criação de estatais, como a Petrobras, Eletrobras e Vale do Rio Doce, bem como a promulgação de decretos que garantiram direitos históricos, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

“Conseguiu construir um projeto de nação, o primeiro projeto nacional de desenvolvimento, na década de 30. O pensamento e a antevisão de Getúlio tinham de prever o que deveria ser essa nação 50 anos depois”, vinculou Lupi.

Importância

Relembrando o elo e devoção que seu avô, Leonel Brizola, tinha por Vargas, principalmente com a ida anual à São Borja (RS) para colocar a rosa vermelha no túmulo, a deputada estadual Juliana Brizola (PDT-RS) fez um paralelo entre as realidades da época e a atual, além de citar que Ciro Gomes, pré-candidato pedetista à presidência da República, representa o “fio da história”.

“É uma ligação com todas as conquistas que foram sólidas para o povo brasileiro. De agrário para um país industrializado. Tudo que foi sólido, como a Petrobras, a Justiça do Trabalho e a Siderúrgica Nacional. Tantas questões que estão até hoje e sustentam o nosso país”, pontuou.

Símbolo da luta nacionalista, Getúlio foi exaltado pelo deputado federal André Figueiredo (PDT-CE) em função do comprometimento, desde que assumiu a presidência, com questões primordiais: trabalho e educação.

“Criou ministérios para suplantar dois grandes gargalos que ainda vinham como herança maldita do Império, com a degradação do trabalho, pois não tinham direitos trabalhistas e escolas para privilegiados”, disse o parlamentar, com críticas ao governo Bolsonaro pelos ataques ao patrimônio público e aos direitos sociais.

“Getúlio era tão querido em todo o Brasil, assim como o Brizola. […] O Trabalhismo tem uma raiz muito forte no Ceará. O legado é algo grandioso e nós temos a missão de perpetuá-lo, porque esse é o verdadeiro caminha da igualdade”, completou, associando o perfil popular e nacionalista de ambos.

Secretário-geral do PDT e presidente da FLB-AP, Manoel Dias mencionou a constante luta de classe e a promoção, por parte de Vargas, de políticas transformadoras em um ambiente dominado pelas oligarquias e interesses econômicos.

“Se você ler a carta-testamento, parece que está lendo um documento atual porque as causas, razões e motivos que ele defendia não mudam. Ele conseguiu preparar o Brasil para um pleno crescimento”, salientou.

“As gerações se enchem de vigor cívico à medida que passam a conhecer a obra de Getúlio. Nesse deserto de ideias, ele serve como guia”, concluiu.

Ouçam a Carta Testamento de Getúlio, lida por Paulo Ottaran, com imagens de época.