Henrique Matthiesen escreve sobre a crise: ‘Jair Messias Bolsonaro e Sérgio Moro, tudo farinha do mesmo saco’

“Esta briga de iguais revela disputa de vaidades e poder com o uso do Estado para proteger crimes e a manipulação  – de setores desiludidos com a política”

 

A briga do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, com o presidente Jair Bolsonaro, traz a público o que muitos já sabiam e outros imaginavam, ou seja, uma briga de vaidades, de chantagens, de crimes, de gangsteres.

A disputa de poder entre eles mostra que a dita “nova política”, hipocritamente discursada, é apenas retóricas vazias e desonestas que visam manipular parte do eleitor brasileiro desiludido.

Havia sim uma disputa de poder entre Moro e Bolsonaro, a qual as chantagens e a manipulação da Polícia Federal para uso político, tanto de um como outro era evidente. Prevaricações, interferências políticas em investigações e abuso de poder foram apenas alguns dos crimes praticados por ambos.

Moro, aliás, continua na sua encenação de homem casto e de moral ilibada, como se não fosse ele, o manipulador e executor dos graves crimes cometidos pela operação política da Lava Jato.

Vaidoso, inescrupuloso e politiqueiro que se prestou aos mais vis serviços não republicanos; age na ânsia do poder, e na busca dos holofotes midiáticos. Um homem diminuto, uma síntese da hipocrisia, e da mediocridade pátria.

Precisa, urgentemente, encarar e responder por seus crimes perante a lei e a sociedade brasileira. A fantasia mentirosa a qual usa é amparada por parte de nossa classe dominante e  classe média como meras reprodutoras das fake news produzidas pelos monopólios midiáticos. São cúmplices confessas das delinquências do senhor Sergio Moro.

Já o presidente Jair Bolsonaro não decepcionou quem o conhece há tempos. Um apóstolo da ignorância, um político do baixo clero, um corrupto contumaz, e um adorador do autoritarismo e de figuras nefastas de nossa história.

Ressalta-se, porém, que Jair Bolsonaro alçado à presidência da República, ainda tem parte significativa de apoio popular, como também faz parte de um movimento internacional da extrema-direita.

Sua subordinação aos mais espúrios interesses internacionais de entrega de nosso patrimônio e de alinhamento automático a Trump, o dá certa proteção; evidentemente que Moro também é domesticamente catequisado e ideologicamente colonizado para tal presteza.

Entretanto, essa briga de iguais, apenas revela a disputa de vaidades e de poder com a utilização do Estado para proteger seus crimes, e a manipulação despudorada de setores sociais desiludidos com a política.

Isso tudo já seria de uma gravidade imensa, se não tivéssemos a maior crise sanitária do século XXI – em plena ascensão no Brasil – onde o estrangulamento de nosso sistema de saúde se agrava a cada dia, onde as valas comuns de cadáveres pátrios são depositados, diariamente, sem as famílias ao menos poderem se despedir.

Junta-se a isso a mais perversa crise econômica de nossa história: o desemprego em massa, as falências incontáveis, e a miséria a fome atingindo fortemente nosso povo.

Este é o retrato de um país entregue aos gangsteres, aos delinquentes do Estado, aos genocidas que responderão perante o mundo seus mais atrozes crimes.

Não há honra, nem biografias e nem altruísmo entre ambos. São farinha do mesmo saco, cúmplices confessos de crimes, igualmente hipócritas, vaidosos e são corruptos; e estão com as digitais sujas de sangue do povo brasileiro entregue à própria sorte em meio à esta crise epidêmica.

 

(*) Henrique Matthiesen é diretor do Centro de Memória do PDT.