Hélio Fontoura elogia perfil nacionalista de Leonel Brizola

Em entrevista, o jornalista relembrou os mais de 40 anos como secretário particular do trabalhista

*Por Bruno Ribeiro

Secretário particular de Leonel Brizola por mais de quatro décadas, o gaúcho Hélio Fontoura, de 93 anos, detalhou a evolução da carreira política e profissional do trabalhista durante entrevista para o podcast “Prosas”, do Centro de Memória Trabalhista (CMT). Como diferencial, o jornalista apontou o perfil inovador e nacionalista do fundador e presidente de honra do PDT.

A implementação do planejamento, durante as passagens pelo governo do Rio Grande do Sul, em 1953, e prefeitura da capital, em 1955, fez de Brizola, segundo ele, um gestor reconhecido não só pela organização, mas também pela eficiência.

“A administração era centralizada e a execução era descentralizada. […] Era um administrador sério e cobrava muito”, explicou Fontoura, ao citar a criação de um gabinete exclusivo para acompanhamento das ações estratégicas da gestão estadual, principalmente no âmbito da educação e da reforma agrária.

Em um dos momentos de maior tensão, Fontoura citou o período da Campanha da Legalidade, em 1961, no Palácio Piratini, sede do governo. Entre a renúncia de Jânio Quadros e o embate para a posse do então vice-presidente João Goulart (Jango), memórias descritas pelo “encarregado da comunicação” com inevitável emoção ao lado do  governador eleito em 1958.

“A luta e entusiasmo dele [Brizola] fazia com que ninguém tivesse medo. […] O povo estava solidário a ele. O anúncio de que a base aérea pudesse bombardear o palácio fez com que o povo não saísse da Praça da Matriz”, disse o jornalista, que é filho de Bolívar Fontoura, um dos organizadores do antigo PTB.

“Na época, não tinha a mínima importância morrer ou não, desde que a gente ficasse de cabeça erguida e lutasse por uma causa justa”, completou.

Primeiro funcionário da Assembleia Legislativa local, o taquígrafo também atuou como parlamentar, pelo PTB, entre 1963 a 1966. Por seu posicionamento político, foi cassado durante o regime militar instaurado após o golpe de 64, que depôs o presidente Jango.

“Eu sou Brizola a vida toda. Valia a pena lutar”, concluiu Fontoura, autor do livro “40 anos ao lado de Brizola” que ainda contempla o primeiro governo brizolista no estado do Rio de Janeiro, em 1982.