Martha Alencar: ‘Há 36 anos Brizola inaugurava o Sambódromo apesar da campanha contra da Globo’

Por que a Globo não incluiu o antológico desfile da Mangueira campeã de 1984 na seleção de desfiles históricos, a grande atração da emissora neste sábado e domingo de Carnaval ?

Porque na grande guerra entre o Oligopólio da Comunicação e Brizola, o Sambódromo foi a primeira batalha em que o gigante Globo perdeu. Depois de tentar desacreditar o projeto e  enquadrar o desfile em seu estilo e sua grade, a Globo perdeu o direito de exibição do desfile, transmitido pela Manchete com exclusividade. Levou uma surra no Ibope e até hoje as imagens do desfile têm a marca da Manchete.

Essa guerra é antiga, e o Sambódromo foi uma batalha moralmente vencida. Até hoje, por mais que a Globo tenha tentado impedir, Darcy e Brizola são lembrados e amados, a cada carnaval. A Martha Alencar, grande jornalista, cineasta e produtora, em 2014 postou um dos lances dessa longa batalha entre a Globo e Brizola.

Brizola e Darcy, na Apoteose, acompanhando o 1° desfile

“O Facebook trouxe o flagrante quase bucólico: o cenário do sambódromo em mais um dos seus 110 dias de construção.

Tão afável, tão gentil com a imprensa, a Coordenadora de Comunicação estava se armando com unhas e dentes para a inauguração e a implantação da Passarela do Samba, uma verdadeira operação de guerra comandada por Darcy e Brizola.

Deu no Globo! Deu no JB!  Deu no Swan! Extra! Extra!  Não vai ficar pronta! As arquibancadas vão desabar! As credenciais vão ser falsificadas ! Vai ser um prejuízo, quem vai pagar? O samba vai atravessar!

A cada golpe, um contragolpe.

O Globo publica a foto da arquibancada com uma rachadura? Foi montado um espetacular teste de resistência das arquibancadas e convocado a imprensa.

A Globo não vai transmitir? Tem a Manchete.

Vai ter derrame de ingressos falsificados? Chama–se uma auditoria internacional para a impressão e emissão de ingressos.

Às vésperas do desfile a Martha Alencar e sua equipe ocuparam as trincheiras como se estivessem no delta do Mekong. Secretários de Estado chegaram a carregar caixas de papelão com material de limpeza para distribuir às equipes. Afinal, banheiros sujos rendem manchetes….

Martha Alencar que era uma espécie de ministro do “vai dar merda” fez a maior quilometragem da sua vida, virando redondo dois dias seguidos, resgatando em qualquer ponto da passarela algum jornalista, fotógrafo ou repórter, ou estagiário, ou cabo-man que se queixasse de alguma obstrução ao livre-trânsito. Já pensou a manchete ????  Vai dar merda,  manda a Martha correr lá!

Na grande noite de encerramento o nosso saudoso Brizola sabia que havia vencido a guerra. Depois da Globo tentar dar ordem à invasão de câmeras e jornalistas que se equilibravam no alto do arco da Praça da Apoteose para registrar a imagem de Darcy Ribeiro e Brizola sorridentes e bêbados de felicidade, a Martha Alencar largou tudo com a sensação de dever cumprido e finalmente acompanhar o desfile da sua Mangueira fazendo a histórica volta pelo arco da Apoteose para encantar a avenida.

O samba não atravessou, a arquibancada não caiu, enfim, não deu merda. Hoje a Mangueira vai passar e nem se sabe quantos coroas no meio da multidão vão lembrar de Darcy Ribeiro e Brizola.

Trinta anos se passaram, e o que ficou na memória foi a fé inabalável que os brizolista tinham naquele projeto do Governador Leonel de Moura Brizola, para o Rio e para o Brasil. E as Arquibancadas do Sambódromo, até hoje nunca caíram.

BRIZOLA VIVE!