Há 110 anos, em 15 de dezembro, nascia Oscar Niemeyer

Há 110 anos, em 15 de dezembro, nascia Oscar Niemeyer: aquele que seria o mais importante arquiteto brasileiro, com mais de 600 projetos em todo o mundo; e um dos maiores representantes da arquitetura moderna.

A partir de 1983, quando Leonel Brizola e seu vice, Darcy Ribeiro, governaram o Estado do Rio de Janeiro, Niemeyer assinou as obras mais importantes, sob o ponto de vista cultural, em uma curta gestão: a Passarela do Samba e as escolas de tempo integral, que, carinhosamente, o povo batizou de Brizolões.

No dia em que se comemora o aniversário deste grande mestre da arquitetura, nada mais justo que nossos leitores conheçam sua fonte de inspiração para criar este monumento à educação, que é o Ciep.

Para tanto, transcrevemos a carta-aberta de Oscar Niemeyer, publicada pelo governador Brizola, no Tijolaço de 26 de setembro de 1985, durante a campanha eleitoral para a Prefeitura do Rio de Janeiro, vencida pelo PDT.

Começarei dizendo se tratar de um projeto revolucionário, sob o ponto de vista educacional. Escolas que não visam apenas – como as antigas – a instruir seus alunos, mas, sim, a dar um apoio efetivo a todas as crianças do bairro.

E isto explica serem, no térreo, para elas aberto nos sábados e domingos: ginásio, gabinete médico, dentário, biblioteca etc. Daí a dificuldade de se utilizar as velhas escolas – vão sendo remodeladas – pois não foram projetadas para este programa.

Por outro lado, os Cieps não representam custo vultoso, nem são faraônicos, para usar um termo do agrado da mediocridade inevitável. Obedecem a um programa e não existe mágica em matéria de construção. Pré-fabricados, eles constituem uma economia de 30% em relação às construções de tipo comum e mais econômico ainda se tornaram por serem de construção rápida, quatro meses, o que é fácil verificar tendo em conta o aumento crescente de materiais, da mão de obra etc.

Adaptam-se a qualquer lugar, junto às favelas inclusive, o que, sem dúvida, é importante, permitindo que os filhos dos favelados sintam que o mesmo conforto lhes é oferecido, sem a discriminação odiosa que mais tarde, e por enquanto, a vida lhes vai impor. E são simples, lógicos, destacando-se pela sua forma diferente nos setores mais diversos da cidade, revelando, assim a grandeza do programa adotado pelo Governador Leonel Brizola que, por isto mesmo, parece não agradar a muita gente.

Mas não são apenas estes aspectos, fáceis de explicar, que me levaram a este pequeno texto.

Revolta-me, principalmente, a desenvoltura com que alguns comentam o programa educativo dos Cieps, sem levar em conta a presença de Darcy Ribeiro – sua autoridade internacional no campo da educação, convidado constantemente para organizar o ensino em países do novo e do velho mundo.

E esta revolta cresce quando sinto que a maioria desses críticos nada entende dos problemas educacionais, limitando-se a opiniões já superadas, fáceis de contestar e definir.

Agora, a campanha contra os Cieps se multiplica quando alguns candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro, ligando-se às correntes mais reacionárias do país, dela passam a participar como se nada tivesse a dizer ao povo sobre os seus próprios programas de governo.

A tudo isso, o carioca assiste; mas, em cada Ciep que surge, uma nova resposta aparece, a contradizer os que insistem em combatê-los.