Greve dos petroleiros entra em seu 14° dia, mas Petrobrás continua apostando no confronto com a categoria

Em pleno Carnaval, semana que vem, pode faltar combustível nos postos de gasolina em todo o  país porque a atual direção da Petrobrás, em vez de negociar com os petroleiros em greve há 14 dias, decidiu apostar no confronto  e responsabilizá-los pelo desabastecimento. A denúncia é do comando de greve dos petroleiros e foi feita ontem (13/2) na concentração, na Candelária, da passeata que fizeram ontem até a Cinelândia, no Centro do Rio.

Segundo os petroleiros, que anteontem fizeram uma manifestação na porta da sede da Rede Globo de Televisão, no Jardim Botânico, exigindo que a emissora  faça jornalismo e comece a noticiar a greve, o movimento continua se ampliando em todo o país apesar do silêncio absoluto da grande mídia – Globo inclusive – sobre as reivindicações e o movimento grevista dos petroleiros.

De acordo com o comando, a greve  continua se fortalecendo e a paralisação já atinge 113 bases do Sistema Petrobras em 13 estados. Na quarta-feira 12, ele atingia 108 unidades. De acordo com a organização da greve, Federação Única dos Petroleiros (FUP) e Frente Nacional dos Petroleiros (FNP), já estão participando do movimento 53 plataformas, 23 terminais, 11 refinarias, sete campos terrestres, sete  termelétricas, três Unidades de Tratamento de Gás (UTGs), uma usina de biocombustível, a fábrica de fertilizantes do Paraná – onde a empresa demitiu de uma só vez mil trabalhadores; uma  fábrica de lubrificantes, uma  usina de processamento de xisto, duas unidades industriais e três bases administrativas.

Os petroleiros cobram a suspensão imediata da demissão de mil trabalhadores na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), previstas para começar hoje, sexta-feira 14/2; e também exigem o cumprimento de outros pontos do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que, segundo os trabalhadores, a atual diretoria da Petrobrás tem se recusado a cumprir ou a negociar. Eles também estão em greve contra  a política da empresa de retalhar a Petrobrás e vende-las aos pedaços –  que começou a ser implementada na gestão Bendine, ainda no governo de Dilma Rousseff, através do chamado “Plano de Desenvestimento” da Petrobrás.

O plano é a justificativa para a atual gestão da empresa vender plantas industriais, campos de petróleo, a BR Distribuidora – maior rede de postos de abastecimento de derivados do país – por preço irrisório, a  fábrica de fertilizantes do Paraná (FAFEN-PR);  da rede de gasodutos da Petrobrás – monopólio natural – que atende a região Sudeste e Nordeste do país;  além de campos de petróleo do pré-sal, riquíssimos; além de  refinarias estratégicas para o desenvolvimento nacional e o controle do preço dos combustíveis que, segundo os petroleiros, foram “criminosamente’ internacionalizados  para beneficiar os concorrentes da Petrobrás.

Ontem, na concentração da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, pelo carro de som, os petroleiros acusaram os atuais gestores da estatal  de radicalizarem contra a greve para  provocar desabastecimento no país e responsabilizar os petroleiros, criminalizando o movimento.

“O objetivo do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, é colocar a população contra nós, trabalhadores, culpando os grevistas por um possível desabastecimento que venha a ocorrer. Se isso acontece, a culpa é da intransigência dos gestores. Por isso, alertamos a população para que fique atenta. A direção da Petrobras poderá provocar de forma premeditada desabastecimentos em algumas regiões do país”, afirmou a Federação Única dos Petroleiros em nota oficial, lida na manifestação.  De acordo com a nota, além de criminalizar a greve perante o judiciário, a direção da Petrobrás tem bloqueado o acesso dos petroleiros às unidades, impedindo a categoria de cumprir a liminar que a própria empresa obteve junto ao Tribunal Superior do Trabalho que determina que 90% da categoria continue nos seus postos de trabalho, para não haver desabastecimento.

Os líderes da greve denunciaram também que as  retaliações da empresa contra os petroleiros incluem agora também descontos nos contracheques, o que só aumenta a indignação da categoria, que segue aderindo espontaneamente à greve, de Norte a Sul do país. O PDT também apoia a greve.

A direção da Petrobrás também continua se negando a negociar com a comissão de petroleiros que ocupa desde sábado da semana passada uma sala do setor de RH da empresa, na sede da empresa, na Avenida Chile, no Centro do Rio de Janeiro.

Em vez de negociar,  afirmam os grevistas, a direção da Petrobrás tem preferido o confronto, mesmo sendo derrotada nas sucessivas tentativas de expulsar os cinco dirigentes sindicais que seguem há 14 dias ocupando uma sala de reunião no quarto andar do edifício sede da estatal, no Rio (Edise). A Petrobrás já amarga quatro decisões judiciais contrárias à expulsão da Comissão Permanente de Negociação da FUP/FNP – a mais recente o parecer do procurador regional do Trabalho da 1ª Região, Márcio Octávio Vianna Marques, que indeferiu o mandado de segurança impetrado pela empresa e autorizou a permanência dos sindicalistas no Edise.

Em outra frente, um  grupo com mais de 20 petroleiros de vários estados segue em Brasília desde o início da semana, reunindo-se com parlamentares e representantes do Ministério Público e da Justiça do Trabalho, na tentativa de que façam interlocução com a direção da Petrobrás para que negocie com os petroleiros que também vem conquistando cada vez mais apoio entre trabalhadores de outros setores.  (O.M)

 

 

Com noticiário da FUP/FNP.