Dr. Gilson Cantarino O’Dwyer, ex-secretário, morre aos 71 anos

Gilson Cantarino trouxe o programa Médico de Família para Niterói que depois se tornou nacional

O médico Gilson Cantarino O´Dwyer , ex-secretário de saúde de Niterói e do Estado do Rio, morreu ontem (21/10) aos 71 anos de idade após longa enfermidade e vai ser sepultado hoje (22/10) às 17 horas no Cemitério do Maruí, no Barreto, onde seu corpo  foi velado a partir das 15 horas na capela ‘E’.  O prefeito de Niterói, Axel Grael, decretou luto oficial de três dias e batizará o Hospital Oceânico, em Piratininga, com o o seu nome.

Sobre ele Vinicius Martins, ex-assessor da prefeitura de Niterói, lembrou no Facebook que foi na  gestão de Gilson Cantarino  que Niterói criou o Programa “Médico de Família”, no governo de Jorge Roberto Silveira, posteriormente levado para o 2° governo Leonel Brizola no Rio de Janeiro; e,  depois,  nacionalizado pelo Ministério da Saúde. Gilson Cantarino tambem municipalizou o hospital Getulinho, o CPN, o Hospital Psiquiátrico de Jurujuba, e outras unidades de saúde até então federal ou estadual em funcionamento em Niterói.

Vinicius lembrou também que no primeiro surto de dengue no Brasil, “Niterói se mostrou revolucionária pelas suas mãos, ao buscar o apoio cubano para encarar o imenso desafio.

“Na política foi um gigante, sempre com doçura e sem perder a ternura jamais. Política essa, que lhe foi tão amarga”, lembrou o jornalista, já que Gilson passou três meses preso em 2008 acusado pelo Ministério Público estadual de participar de uma quadrilha que agiu no governo de Rosinha Garotinho desviando recursos da Saúde.

Gilson foi libertado pelo STF, mas o fato o abalou profundamente.

Segundo nota de pesar divulgada pela prefeitura de Niterói,  Cantarino nasceu na cidade e se formou médico pela Universidade Federal Fluminense, turma de 1975. Médico concursado do Ministério da Saúde e da Fundação Municipal de Saúde de Niterói,  assumiu em 1984 a Secretaria Executiva do Projeto Niterói, pioneiro nas ações integrada de saúde e responsável pela formulação de novo modelo de assistência à saúde da população.

O prefeito niteroiense Axel Grael lamentou a morte do médico e decretou luto oficial na cidade por  três dias e anunciou  que o Hospital Oceânico, dedicado aos pacientes de Covid em Niterói, receberá o nome de Gilson.

“Recebi com profunda tristeza a notícia sobre a partida do Dr. Gilson Cantarino. Vou decretar luto oficial de três dias devido ao grande trabalho realizado por ele em favor da saúde dos niteroienses. E o Hospital Oceânico passará a se chamar Dr. Gilson Cantarino”, anunciou.

Em 1999 Gilsonn assumiu o cargo de secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro onde permaneceu até 2002. Presidiu os Conselhos Estadual e Municipal de Secretários Municipais de Saúde, recebeu diversas comendas, destacando-se a do Mérito Médico da República Federativa do Brasil, a mais alta condecoração da saúde no País.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde, presidido por  Gilson entre 2003 e 2005, também lamentou o falecimento do sanitarista. “Grande sanitarista, o Dr. Gilson deixa um legado de luta e defesa da saúde pública e compromisso com o Sistema Único de Saúde por meio de seu trabalho na gestão do SUS, nos âmbitos municipal e estadual”, pontuou em nota.

Nas redes sociais os filhos, Fernanda e Gabriel Cantarino, postaram uma homenagem ao pai: “Após 60 dias de muita luta, no final do dia de ontem [21], meu pai nos deixou para o seu merecido descanso na casa de Deus. Um herói, um exemplo de honra, dignidade e amor ao próximo. Um homem que dedicou sua vida ao bem comum e a família. Um pai, irmão, filho, marido e avô gigantescamente amado. Será imortal em nossas lembranças e em nossos corações. Que Deus o receba com todo o seu amor, meu pai. Te amamos!”.